O que a controvérsia do vestido diz sobre nós

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Não vou nem colocar a imagem do vestido por aqui porque já basta de controvérsia. A pessoa que mais confio nesse mundo diz ter visto o vestido de outra cor e isso de fato (antes achava que era só buzz de pessoas querendo causar vendo outras cores, ou sendo daltônicas, ou sofrendo com telas de tonalidade desreguladas) questiona a objetividade "do que achamos que vemos". A controvérsia toda foi gerada por não aceitarmos (de maneira alguma, o vestido é azul, claro) estarmos errados. Que a minha certeza é melhor do que a sua. Que a minha visão de mundo é a única que há. Que a verdade não possui poréns ou outras perspectivas. Que a minha apreensão dos fatos só pode ser objetiva. Então, esse questionamento se propõe em dois planos: em como nos colocamos em relação ao outro; e em como podemos questionar ou aceitar contrariedades entre o que achamos que é ou não é para nós mesmos. É possível compreender (no sentido amplo de efetivamente vislumbrar e entender) um mundo que não seja pautado no nosso prisma individual? Se todas as nossas percepções (e querendo ou não, nossa formatação de mundo) são criadas na nossa pequena mente, como não sermos iludidos pelo nosso próprio juízo particular? Será que um dia podemos conceber, interagir e integrar a nossa individualidade como singular e ao mesmo tempo parte de uma coletividade?

ps1. esse questionamento da coletividade está na minha cabeça desde que assisti Black Fish e contam que "It's becoming clear that dolphins and whales have a sense of self, a sense of social bonding that they've taken to another level - much stronger, much more complex than in other mammals, including humans. We look at mass strandings, the fact that they stand by each other. Everything about them is social - everything. It's been suggested that their whole sense of self is distributed among the individuals in their group".
ps2. também demonstra a capacidade viral e banal da internet. E de como hoje podemos nos conectar em torno de um único tópico tão rapidamente e em rede sem precisar de emitir sons (alusão ao caso acima, haha). Quem sabe como vai ser nossa comunicação como um todo social daqui daqui 20 anos?!
ps3. uma última e valiosa lição:

Nymphea, natureza e vida

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Gosto muito de flores no dia a dia, mas nunca me dediquei tanto a essa admiração quanto hoje. Passei boa parte do meu dia cuidando das minhas Nympheas de estimação e, quando descuidei por dois segundos, elas tentaram fazer da minha varanda um lago próprio (sim, duas vezes em um só dia). A Nymphaea nativa fora do lago tem um sério problema de adaptação e toda hora requer atenção - de dia ela se expande, desabrocha e sua flor fica de um tamanho espetacular; no fim do dia ela retrai, todos os botões começam a se parecer com tulipas até que eles se fecham. Sinto que ela gostaria de se espalhar na água, o caule começa a dobrar rumo à gravidade com o chão. Está sendo uma experiência (e parece que dura cerca de uma semana). É uma grande responsabilidade, em especial porque pulei de nível - cuidava apenas de florzinhas. Preciso de um lago para dar conta do recado e já vou planejar na minha casa dos sonhos um bom espelho d'água para apreciar as Nympheas como Monet fez no final de sua vida.


Quero exercitar meu talento com a natureza, cuidar de novas plantas e aprender sobre jardinagem. Adoro o verde, amo botânica e sonho com um jardim repleto de orquídeas e flores exóticas. Aceito as comuns também, são todas lindas. =) O que mais sinto falta de viver numa casa é poder todo dia olhar para as flores como se não fossem nada demais. Hoje, toda flor que eu vejo é um privilégio e alegria do meu dia!

O propósito deste post, na verdade, é dizer que estar em contato com a natureza me faz apreciar a vida sem igual. As Nympheas são conhecidas por ter um poder enteógeno, considerado como a "manifestação interior do divino". Para mim, nada mais belo e forte do que ver o ciclo diário dessa flor. Em 2014, terminei o ano tendo o contato mais impressionante com a natureza - ver essa revoada de perto foi uma emoção e tanto, que deixo para contar a aventura em um próximo post.


Mais fotos do meu encanto com a flor no Google+!

Ironias de aeroporto

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Via de regra, planejo bem meus horários coordenados com voos, mas ultimamente sempre tenho algum compromisso ou reunião perto da hora que preciso estar no aeroporto. Então, se tenho certeza que vou conseguir embarcar (e faço o possível e o impossível para isso), já realizo o check-in antecipado, levo "apenas" bagagem de mão e me obrigo a chegar no aeroporto exatamente no horário de embarque. Contudo... recentemente, de tanta pressa, todos os meus voos têm atrasado! Não é irônico isso? Será que justamente no dia que eu ficar tranquila em relação ao horário + compromissos e ligeiramente me atrasar, meu voo vai estar pontual ou será adiantado?! :P
Espero não dar essa chance para o acaso!

ps. os voos aqui no Brasil geralmente já consideram no tempo de viagem pequenos atrasos extras no embarque/decolagem + parking.

7 coisas que aprendi com Orange is the new black

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Eu não ligava para Orange is the new black até eu assistir. Não tinha tempo, mas não importa, para Orange is the new black binge-watching é natural!


Seguem abaixo sete críticas ao sistema carcerário em geral, baseado majoritariamente na experiência com Orange is the new black à luz do meu diploma em Direito, haha:

  • Falta de humanidade - do momento que você é "encarcerado", é como se a sociedade retirasse a sua qualidade de "ser humano", com histórias por trás dos erros e vícios; o sistema prisional apenas representa uma amostragem de pessoas que cometeram atos tipificados como crimes pela atual conjuntura jurídica (e talvez política também).



  • Julgamentos - existe uma série de preconceitos por julgamentos externos e até mesmo internos do que é "ser preso". Orange is the new black explora bastante bem esse aspecto, em especial sob a ótica da atriz principal que se sente em uma "vida paralela" mediante as novas circunstâncias - que vão a transformando.



  • Processos e procedimentos arbitrários - quem detém a autoridade, ainda que mínima, possui um poder enorme sob àqueles que não possuem autonomia alguma. Do momento que a dignidade do detento é desconsiderada, abusos facilmente podem ocorrer face à posição de vulnerabilidade. Ressalto a diferença entre processos e procedimentos, porque algumas condutas são reflexo desde o trâmite judicial, dosimetria da pena e as políticas do sistema carcerário.



  • Coordenação truncada - isso significa dizer que até a "boa intenção" por parte de quem trabalha no sistema carcerário pode ser limitada, deixando-os de mãos atadas; a burocracia, as questões orçamentárias, o superfaturamento de materiais, entre vários outros fatores, contribuem para a desmotivação e a falta de diretrizes bem coordenadas e organizadas para o bem-estar dos detentos.



  • Estrutura para "bois" - partindo do pressuposto (i), detento não seria gente - portanto, o encarceramento é concebido em "jaulas". Não preciso nem comentar sobre a improcedência - e a necessidade de mudança - dessa concepção. E não estou falando apenas no sentido estrutural, como agora se faz na implementação de um sistema capitalista de Parcerias Público-Privadas.



  • Falta de diálogo e apoio - detentos são pessoas que precisam de tanto suporte psicológico e contato humano como qualquer outro "não selecionado" pelo sistema. "Loucura não se cura?" - com base nessa mentalidade, adota-se um modelo de isolamento do detento com uma vida saudável que qualquer um precisa e tem direito. Ou o detento perde o direito de ter direitos?



  • Falta de reestruturação - os detentos precisam se adaptar a um novo "habitat", essa é a premissa de Orange is the new black. Em determinado episódio, explora-se o medo de uma detenta prestes a ser liberada; da pressão do mundo externo, da solidão, das privações, porque a cadeia já se tornou algo mais natural do que a realidade de fora. Não há uma transição adequada entre esses dois universos paralelos.


  • É preciso reconceber o sistema prisional. No conceito original, prisão seria a punição de "ver a vida passando" - a cadeia, no meio da cidade, permitiria os cidadãos passarem na frente e lembrarem quão precioso é o tempo, enquanto os detentos - através de um vidro fumê - veriam tudo que estavam perdendo. A vida continua e a reintegração seria a consciência de interagir dignamente com as pessoas que estão lá fora. Estamos bem distantes dessa idealização.