Desejos reprimidos

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Nessa semana ficou famosa a história do advogado que peticionou em versos e o juiz prolatou a sentença em prosa e poesia. Até parece que está faltando processo para essa galera, mas isso me faz pensar: o quanto o Direito suprime a arte em nós? Quantos potenciais artistas resolveram ser advogados ou juízes por estabilidade e conformismo? E quantos estão infelizes por aí agora?

ps. Esse post também poderia se chamar - Direito e Arte: É possível conciliá-los?
Diga-se de passagem que isso é uma linha de pesquisa consistente. Intersubjetividade, tendências hermenêuticas, enfim... e eu quase me matriculei em uma matéria chamada Droit et littérature!

Desejos europeus

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Criei uma pequena listinha "planos não tão impossíveis assim" para depois de um tempo verificar se de fato eles são impossíveis:

  • Me alimentar melhor

  • Me exercitar com afinco

  • Conseguir ter e seguir um "timetable"

  • Ter uma câmera profissional (não sei com que dinheiro, mas desejos são desejos)

  • Conseguir manter os 3 sites

  • Fazer vídeos e escrever constantemente

  • Me envolver em uma pesquisa de qualidade, com análise de dados e %

  • Responder emails e mensagens instantaneamente (ou não responder at all e não me sentir culpada por isso)

  • Transformar todos os papers acadêmicos que obrigatoriamente vou ter que escrever em produção científica

  • Me sentir confortável com o francês

  • Conseguir dar boas apresentações em inglês

  • Não vamos pedir muito mais do que isso, né! Se eu conseguir dar conta desses desejos, já vou ser muito feliz!

    Que reformas institucionais seriam necessárias para tornar o Brasil um país mais justo e progressista?

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    O Brasil carrega um sobrenome: país do futuro. Há anos, brasileiros nutrem a esperança dos dias de mudança, mas não se sentem parte desse processo de transformação. De tanto esperar passivamente, a esperança se converte em frustração. Desistem de acreditar e, por vezes, desistem do próprio país. O que seria necessário para concretizar esse ideal de futuro? Qual o país que queremos ter? E, principalmente, qual o Brasil que queremos ser?

    Em primeiro lugar, é necessário entender o Brasil como uma democracia em consolidação. Boaventura de Sousa Santos diz, em seus estudos sobre a democratização do Direito e da Justiça, que é preciso pensar para além do amanhã. É possível analisar diversos aspectos que necessitam de ser moldados em longo prazo para um país mais justo e progressista – seja no âmbito da reforma política, da reforma fiscal ou da infraestrutura; mas a chave está nas instituições que uma sociedade cria e como estas definem cenários futuros. Como desenvolver panoramas prósperos, então? E se não há compreensão do que é uma cidadania plena, como exercê-la?

    A resposta parece estar na educação. Não em uma educação simplesmente técnica, o que se traduziria em apenas qualificação. Almeja-se por uma educação cidadã, que conecte cada um com o seu propósito em sociedade. Oportunidades amplas e mobilizadas proporcionam um encontro com o “ser-político” dentro de si, onde é possível descobrir que as pequenas mudanças a serem realizadas são capazes de surtir efeito. Assim, cada um se torna parte de uma verdadeira engenharia social. Tal perspectiva se concretizará com o amadurecimento do sistema e, para tanto, três proposições reformistas podem ser suscitadas.

    A estrutura brasileira resguarda um modelo de privilégios. Quanto mais privilégios, menos direitos existem. Oitenta e oito por cento da população brasileira estuda no ensino público e está muito longe dos privilégios, quiçá dos direitos. É a raiz da desigualdade. Para atacar esse problema, faz-se necessário pensar equitativamente: promover base e oportunidade para todos; logo, será possível desenvolver uma verdadeira meritocracia.

    A primeira medida nesse âmbito seria a federalização do ensino básico – um sistema de educação equilibrado entre todos os tipos de classe e regiões do Brasil é essencial ao desenvolvimento paritário dos mesmos. Uma base curricular nacional torna-se imprescindível e as ferramentas de avaliação também incentivam um ciclo de aprimoramento do sistema.

    A segunda medida é conceber que a situação educacional hodierna exige mais do que verba – necessita de investimento de qualidade. É desenvolver boas práticas de educação. É acreditar em talentos. É fomentar um aprendizado holístico. Nesse contexto, o objetivo consiste em criar uma ponte frutífera entre o mundo da academia e a realidade mais ampla – do ensino básico ao doutorado. Conhecimento sendo aplicado e compartilhado; ciência revertida em inovação para a sociedade; pesquisa em contato com extensão em prol de benefícios a todos. Esse é o Brasil que eu quero ver e ajudar a construir.

    A terceira medida é a valorização da vida acadêmica, tanto na esfera docente, quanto na esfera da produção científica. Hoje, a academia é “res-publica”. Como coisa pública, é considerada coisa sem dono, enquanto deveria ser domínio de todos. Tal aspecto remonta a falta de consciência democrática, na qual a academia se torna um dado privilegiado. Sobretudo, o mundo acadêmico necessita de bons gestores. Dessa maneira, pontos de conexão com a iniciativa privada seriam positivos para transformar o mundo acadêmico.

    Por meio da educação, o cidadão brasileiro pode sair da 'cidadania em negativo' e materializar o projeto social de “futuro”. Uma sociedade ideal é aquela que internaliza os preceitos democráticos e produz um Direito voltado para o que há de mais importante: o outro. Cidadania, portanto, pode ser entendida de forma tridimensional - pessoa, sociedade e ser político. Em meio a esperanças perdidas, o brasileiro precisa saber lidar com as frustrações atuais e vislumbrar perspectivas positivas, criando condições de mudanças para um Brasil cada vez melhor no âmbito social-democrático. Os progressos são inegáveis, mas lentos. Um caminho próspero da cidadania garante a eficácia da democracia, que é resultado de um constante aperfeiçoamento.

    ps. Esse texto foi submetido ao Processo Seletivo de bolsas do Instituto Ling, escrito com um limite de tamanho. Existem mil e uma versões maiores e melhores. Vou ver se desenvolvo isso a parte! Gosto desse texto porque ele faz referência a vários outros da tag "política" aqui. Isso também me faz ficar super empolgada para os meus estudos na Sciences Po!

    Apenas mais uma metapostagem

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    Eu adoro escrever. De certa maneira eu trabalho com isso e esse blog foi responsável por me mostrar que é isso que eu gosto de fazer. Aliás, também descobrir que gosto de ("""criar/conceber""") sites e sem dúvidas o Pequena Infante foi o que me impulsionou nesse caminho. Então esse canal sempre será fonte de grande carinho para mim - e é o espaço que posso escrever mais livremente, mostrando um pouquinho do que penso, faço, aspiro, desejo para a vida... Não é um diário, mas olhando para trás - e lendo meus antigos textos - é como se fosse. Dá até aquela sensação boa de "ai meu deus, como pude escrever isso!". Se vocês lessem meu diário com 3-4 anos de idade, vocês iriam entender literalmente o que é isso!!! E foi assim que eu descobri que diário "demais" não funciona nesse mundo - sim, com cinco anos de idade. Aprendi que existem certas que só deveria guardar para mim, porque por mais que eu escondesse meu diário, não tinha jeito: do momento que eu escrevesse algo, sempre existiria a chance de alguém saber. Detalhe, olha a ingenuidade da criança: eu não trancava meu diário porque achava que meus pais respeitariam a minha privacidade mesmo se encontrassem meu diário!!! Que ideal lindo. Levo isso comigo para sempre :P

    Então desde essa idade comecei a ficar mais seletiva, até que... Certa vez, estava no ápice da minha autoconfiança. Eu tinha um fotolog (nem sei se isso existe mais!) e escrevia sem compromisso para quem quisesse ler - repita-se, no fotolog, basicamente só para fotos, eu queria escrever (e muito). Foi quando meu namorado, sempre sábio, observou que eu poderia explorar mais isso e canalizar isso para o local certo, afinal - o blogger. A princípio, o blogger era privado e eu ia escrevendo "como se fosse um diário"; resolvi tornar o blog público e eu continuei escrevendo tudo que eu bem pensava (principalmente porque achava que "quase ninguém" estava lendo). Num belo dia, minha faculdade inteira leu um texto polêmico sobre minhas considerações sobre o curso de RI - e eu pensava "e daí? é a verdade, o que tem demais?" - mas comecei a aprender que existem limites na maneira que gostaríamos de passar uma ideia também. Devemos sempre avaliar e reavaliar se escrevemos de forma polida e respeitosa, em primeiro lugar. Essa foi uma lição valiosa para mim. Acabei "reduzindo" o texto, 90% da faculdade me olhava torto, mas os outros 10% se tornaram grandes amigos (então essa foi uma ótima peneira!). E acreditem, tem gente até hoje (quatro anos depois) que me encontra e diz: "não é que aquilo que você havia escrito era verdade...? ao longo curso pude perceber que você tinha razão!" e eu sempre respondo com: "ah, é?" hahaha =) A repercussão mais curiosa desse texto foi a observação de uma professora. Ela me abordou e disse o seguinte (para o meu espanto!): "sabe aquele texto que você escreveu no seu blog? Pelo visto captou a atenção do pessoal por aqui... que tal se você escrevesse sobre assuntos mais substanciais, análises e etc, então?!". E isso "mudou a minha vida", haha, porque desde então tentei adicionar conteúdos diferentes no blog - hoje, em outros canais também - que não são apenas egocêntricos e que talvez possa passar algum conhecimento para alguém.

    Ok, não era sobre isso que eu planejava escrever aqui: mas é um ótimo exemplo da minha relação com o blog. Quando tiro um tempinho, que seja de madrugada, e me liberto para escrever, ah...! O ponto era o seguinte - ao passar do tempo, comecei a ficar mais crítica e seletiva com os meus próprios textos. Nunca acho que um tempinho é tempo o suficiente para escrever um texto da maneira que ele merece ser escrito e, desde então, meu blog reúne os mais diversos rascunhos. Ultimamente, nem tempinho para o blog eu tive - e vocês não imaginam como isso doi no meu coração, porque realmente gosto daqui - e me sinto um tanto... em dívida com o Pequena Infante, sempre. Em primeiro lugar, porque o Pequena Infante é majoritariamente fruto dos esforços do meu amor, que criou essa página, já fez várias reformulações, gasta horas do seu tempo fazendo tudo funcionar e... se eu não escrevo, pra quê? Isso foi o que me fez abrir o blogger hoje. Em segundo lugar, abri o blogger hoje também porque inverti os canais de comunicação: enquanto o Pequena Infante costumava ser o meu primeiro e único canal de diálogo aberto, hoje me preocupo com o que posto aqui - nunca se sabe quem vai ler - e minhas opiniões ficam mais simplificadas e diretas no twitter, por exemplo. Hoje, foi um dia animado no twitter (astronomia [venus + jupiter no céu] - ballet [miss copeland principal ABT] - política [pec da redução da maioridade penal, votação acirrada] - tv [liguei a tv para assistir a votação, mas acabei vendo profissão-repórter (!) mostrando a realidade patroa-empregada no Brasil]) e acabei me manifestando bastante (o que hoje em dia costuma ser até raro, exceto quando foi a copa das copas!!!). Acho que isso está relacionado com o fato de eu abrir uma página em branco no blogger e começar a escrever o que me vem a mente aqui.

    Na verdade, essa "introdução" toda é para falar, à título de metapostagem, que não esqueço dos meus posts aqui. E aí resolvi elencar os meus rascunhos para mostrar para vocês o que está "guardado" - se alguém tiver alguma ordem de prioridade ou urgência em querer ler um texto, haha, é só falar!!! Um dia sai!

  • Educação e cidadania (queria melhorar esse texto, mas vou ver se publico hoje do jeito que está, uhul!)



  • Raiva e criatividade



  • Humans of New York e outras histórias



  • Extremismo



  • Wer die Wahl hat, hat die Qual



  • Crise mundial da esquerda



  • Expectativas alheias



  • Melhores séries da atualidade (ai, deus!!! quanta coisa para falar!)



  • Paixão e visão (não sei mais o que queria dizer aqui, mas vou guardar a surpresa para mim mesma - em cada rascunho, geralmente coloco algumas palavras-chave doidas e depois eu tento fazer algum sentido disso, ou seja, é sempre divertido e o texto nunca sairia igual; às vezes penso que quanto mais demoro para escrever um rascunho, maior o potencial dele ficar um bom texto de verdade #doceilusao)



  • Tomada de decisão



  • Economia e política



  • Entardecer em Regência (ai, deus, como quero escrever sobre isso há tempos!!!)



  • Fermi Paradox



  • Automático?



  • Polarização (acho que a ideia aqui é próxima de extremismo, em épocas diferentes de discussão)



  • Chain of destiny (tenho certeza que esse era para ser um texto promissor, mas não faço ideia mais)



  • Meaning (duas vezes repetido em épocas diferentes nos meus rascunhos, isso quer dizer algo)



  • Análises de Black Mirror



  • Análises de Newsroom



  • Intento



  • Olhos que sorriem



  • Finitude



  • Figuras excêntricas (?)



  • Five Broken Cameras (é um filme)



  • Meaningful x trabalho: a pressão da infelicidade?



  • Vida de empreendedor



  • Lawyers know how to count two but not one



  • Meritocracia e desigualdade (opa, assunto forte)



  • Quanto mais tempo você tem, menos você faz (tô precisando exercitar isso)



  • Música - piano e flow



  • Gula de livros (sou uma piriguete literária, ai, deus!)



  • Ruit hora



  • Lucy (um filme que acho que só eu gostei e nem sei mais porque!)



  • O processo e o resultado



  • Equilibrista



  • Do não-arrependimento a negação



  • Plenitude x completude



  • Sobre trabalhar (ô texto velho, da época de uma rotina de estágio)



  • Não deixe que o curso de direito atrapalhe o seu curso (isso vai para o Formação Global, provavelmente)



  • Versailles é tipo Inhotim (hahahaha)



  • Tipicamente Holanda (relatos que vão estar em breve disponíveis no meu mais novo blog europeu, espero!)



  • Van Gogh



  • 100 anos de Peace Palace (meu deus, o Peace Palace já está bem mais velho!!!)



  • Swan Lake e tragédia



  • To the wonder




  • Quero escrever todos esses textos já. Agora. Para ontem!!!

    Mas tenho que dormir. E acordar e me exercitar. E trabalhar escrevendo. E escrever trabalhando. No final do dia, descobri que é difícil sobrar disposição para o blog =( Não tenho tempo nem mais para ler outros blogs (agora estou mais interessada em vídeos curtos no youtube: joutjout!) e me sinto culpada até em "passar tempo" no Pinterest, olha que pecado! Só consigo escrever de madrugada e olhe lá! Mas queria compartilhar todas essas ideias com vocês para saber se vocês me perdoam mais facilmente e para ver se eu comprometo em cumprir minhas promessas (leia-se: rascunhos!).

    ps. fui adicionar a tag "listas" a esse post e o que originou isso, no meio tempo, "morreu". Existe até uma tag separada "43things", que saudade! Esse blog é só amor para mim!