Paradoxo do querer

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Esse é mais um post curtinho e no impulso. Uma indagação que me deixa perplexa é que muito do que acreditamos está calcado no pilar do querer - ter. É o pensamento de que só podemos conseguir algo se quisermos muito, se acreditarmos o máximo possível e, consequentemente, fazermos o melhor para alcançar o que almejamos. Mas por vezes observo que certas coisas dão certo sem nem esperarmos muito daquilo - talvez justamente em razão das baixas expectativas. Mas aí qual é a proporção entre aqueles desesperados em querer algo x aqueles que conseguem "sem querer querendo"? Será que determinadas coisas aparecem mais fácil no caminho de alguém que despretensiosamente está por ali? E aqueles que, nesse caminho, estavam procurando, procurando, procurando e por vezes nunca acham? Não tenho resposta para esse paradoxo, mas gosto do contraponto.

Boliche

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De vez em sempre eu lembro que tenho um blog com vários rascunhos para publicar, mas nunca consigo ter tempo hábil para cuidar daqui (o que me dá uma dorzinha no coração!). Então, costumo postar no impulso e hoje quero contar o sonho que tive. Sou dessas de ter sonhos peculiares! O sonho dessa noite pegou um fato que já me ocorreu e mudou todo o desenvolvimento. Em Vitória, não há mais boliche e, mesmo se tivesse, dificilmente conseguiria juntar um grupo animado para sair e jogar. Então, quando estava em Brasília, fiz questão de ir no boliche com meus amigos (não que eu seja essa jogadora de boliche assim, mas só pelo fato de fazer algo diferente e se divertir com o pessoal). Meu sonho começou desse ponto: Brasília tem mais de um local para jogar boliche e aí, já que eu queria algo diferente, fomos em um lugar diferente mesmo. A grande diferença que percebi logo que cheguei: o boliche era temático por áreas e era como se fosse um grande labirinto de pistas. Nenhuma pista era reta. Não teria como mirar e acertar. Aí pensei "ok, se eu der sorte eu até posso conseguir um pista menos torta, né!". E lá vem a segunda surpresa: as pessoas do grupo são chamadas individualmente para espaços distintos, ou seja, cada um segue seu rumo. Na hora que fui chamada, fui para um canto totalmente afastado do centro - literalmente um cantinho, a ponta do labirinto (e eu não poderia nem conceber onde estariam os pinos que eu teria que acertar). Era quase como jogar de olhos fechados - você confiaria na intensidade e na maneira que jogaria a bola, depois saberia do resultado. Agora, a melhor parte: não existiam bolas redondas no jogo!!! Literalmente poderia vir qualquer coisa na sua ala, dos mais diversos formatos, para você jogar. Aparecem coisas estranhas especificamente para você e você tem de usá-las - é claro que pode escolher (sem saber direito) o que é mais ou menos sem noção para jogar primeiro. Uma bola moldada em um formato abstrato para sua mão, objetos geométricos que nunca tinha visto antes, várias coisas em diversas cores e formas. Em uma das minhas jogadas até apareceu um negócio que parecia um "tapa" - eu mandava um "tapa" até os pinos. Um jogo de pura emoção. Ao seu lado, tinha algum personagem temático tentando te incentivar (ou não). Eu, ansiosa, queria saber objetivamente o que estava acontecendo, onde estavam as outras pessoas, aonde isso ia dar... e é claro que não tive nenhuma dessas respostas, nem estava entendendo nada, mas continuei jogando. O sonho não me deu nenhum "closure".

Acordei, li um texto, "don't think you've got it all figured out yet; our profession is wide enough to accommodate many dreams, and provide many forms of fulfillment; be prepared to learn that you do not know for certain what will make you happy every day that you wake up as a lawyer; your career in the law is not a track; a track gets you somewhere quicker, but it does so at the cost of reducing your range of motion, and the trade-off is not the way to lead your life; if you ever wish to get back on the track, it would be still there; but that in the meantime, going off-track would be the better way to discover the unexpected dreams" e lembrei claramente do sonho.

Não sei, mas acho que meu sonho é uma boa metáfora para ilustrar isso e o momento que estou vivendo. Enquanto sonhava, sentia aquela sensação de estranheza, inquietude, incerteza e até mesmo curiosidade (para saber como os meus amigos estavam lidando com aquilo, se era diferente só para mim - uma garota da cidade pequena que não tem boliche - ou se todo mundo estava passando por situações inusitadas como eu). Acho que essas respostas nunca vamos ter. 

Nem sempre nosso caminho é um pista de boliche ampla onde você vê suas metas lá no fim e basta acertá-las para tudo dar certo. Muito do que fazemos é porque confiamos em nós mesmos, contamos com a sorte e acreditamos. Um "leap of faith" para um futuro que você almeja que dê certo - e que temos de fazer dar certo - independente (ou mesmo com) as adversidades que aparecem no nosso caminho.

O que a controvérsia do vestido diz sobre nós

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Não vou nem colocar a imagem do vestido por aqui porque já basta de controvérsia. A pessoa que mais confio nesse mundo diz ter visto o vestido de outra cor e isso de fato (antes achava que era só buzz de pessoas querendo causar vendo outras cores, ou sendo daltônicas, ou sofrendo com telas de tonalidade desreguladas) questiona a objetividade "do que achamos que vemos". A controvérsia toda foi gerada por não aceitarmos (de maneira alguma, o vestido é azul, claro) estarmos errados. Que a minha certeza é melhor do que a sua. Que a minha visão de mundo é a única que há. Que a verdade não possui poréns ou outras perspectivas. Que a minha apreensão dos fatos só pode ser objetiva. Então, esse questionamento se propõe em dois planos: em como nos colocamos em relação ao outro; e em como podemos questionar ou aceitar contrariedades entre o que achamos que é ou não é para nós mesmos. É possível compreender (no sentido amplo de efetivamente vislumbrar e entender) um mundo que não seja pautado no nosso prisma individual? Se todas as nossas percepções (e querendo ou não, nossa formatação de mundo) são criadas na nossa pequena mente, como não sermos iludidos pelo nosso próprio juízo particular? Será que um dia podemos conceber, interagir e integrar a nossa individualidade como singular e ao mesmo tempo parte de uma coletividade?

ps1. esse questionamento da coletividade está na minha cabeça desde que assisti Black Fish e contam que "It's becoming clear that dolphins and whales have a sense of self, a sense of social bonding that they've taken to another level - much stronger, much more complex than in other mammals, including humans. We look at mass strandings, the fact that they stand by each other. Everything about them is social - everything. It's been suggested that their whole sense of self is distributed among the individuals in their group".
ps2. também demonstra a capacidade viral e banal da internet. E de como hoje podemos nos conectar em torno de um único tópico tão rapidamente e em rede sem precisar de emitir sons (alusão ao caso acima, haha). Quem sabe como vai ser nossa comunicação como um todo social daqui daqui 20 anos?!
ps3. uma última e valiosa lição:

Nymphea, natureza e vida

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Gosto muito de flores no dia a dia, mas nunca me dediquei tanto a essa admiração quanto hoje. Passei boa parte do meu dia cuidando das minhas Nympheas de estimação e, quando descuidei por dois segundos, elas tentaram fazer da minha varanda um lago próprio (sim, duas vezes em um só dia). A Nymphaea nativa fora do lago tem um sério problema de adaptação e toda hora requer atenção - de dia ela se expande, desabrocha e sua flor fica de um tamanho espetacular; no fim do dia ela retrai, todos os botões começam a se parecer com tulipas até que eles se fecham. Sinto que ela gostaria de se espalhar na água, o caule começa a dobrar rumo à gravidade com o chão. Está sendo uma experiência (e parece que dura cerca de uma semana). É uma grande responsabilidade, em especial porque pulei de nível - cuidava apenas de florzinhas. Preciso de um lago para dar conta do recado e já vou planejar na minha casa dos sonhos um bom espelho d'água para apreciar as Nympheas como Monet fez no final de sua vida.


Quero exercitar meu talento com a natureza, cuidar de novas plantas e aprender sobre jardinagem. Adoro o verde, amo botânica e sonho com um jardim repleto de orquídeas e flores exóticas. Aceito as comuns também, são todas lindas. =) O que mais sinto falta de viver numa casa é poder todo dia olhar para as flores como se não fossem nada demais. Hoje, toda flor que eu vejo é um privilégio e alegria do meu dia!

O propósito deste post, na verdade, é dizer que estar em contato com a natureza me faz apreciar a vida sem igual. As Nympheas são conhecidas por ter um poder enteógeno, considerado como a "manifestação interior do divino". Para mim, nada mais belo e forte do que ver o ciclo diário dessa flor. Em 2014, terminei o ano tendo o contato mais impressionante com a natureza - ver essa revoada de perto foi uma emoção e tanto, que deixo para contar a aventura em um próximo post.


Mais fotos do meu encanto com a flor no Google+!

Ironias de aeroporto

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Via de regra, planejo bem meus horários coordenados com voos, mas ultimamente sempre tenho algum compromisso ou reunião perto da hora que preciso estar no aeroporto. Então, se tenho certeza que vou conseguir embarcar (e faço o possível e o impossível para isso), já realizo o check-in antecipado, levo "apenas" bagagem de mão e me obrigo a chegar no aeroporto exatamente no horário de embarque. Contudo... recentemente, de tanta pressa, todos os meus voos têm atrasado! Não é irônico isso? Será que justamente no dia que eu ficar tranquila em relação ao horário + compromissos e ligeiramente me atrasar, meu voo vai estar pontual ou será adiantado?! :P
Espero não dar essa chance para o acaso!

ps. os voos aqui no Brasil geralmente já consideram no tempo de viagem pequenos atrasos extras no embarque/decolagem + parking.