Bitter Earth

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This bitter earth
Well, what a fruit it bears
What good is love
that no one shares?
And if my life is like the dust
Ooh, that hides the glow of a rose
What good am I?
Heaven only knows
Oh, this bitter earth
Yes, can it be so cold?
Today you're young
Too soon you're old
But while a voice
Within me cries
I'm sure someone
May answer my call
And this bitter earth, ooh
May not, oh be so bitter after all.

Guia rápido do ES

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Em toda viagem*, o que você vai conhecer depende do tempo disponível que você tem. O bom de ir para o Espírito Santo é que você consegue fazer muita coisa em pouco tempo! Eis uma lista que eu acho que dá um turista tentar seguir e se planejar a fazer:

VITÓRIA

1. Noites gastronômicas: o melhor se concentra no Triângulo (Praia do Canto), em especial no Day by Day. Existem restaurantes muito bons lá: Bendito Bistrô, Piu, La Salsa.


2. Em um dia cedinho de manhã, ir para a Praia da praça dos namorados e fazer Stand up Paddle lá. É incrível. Depois você tem a opção de subir o Parque Natural Municipal Chácara Von Schilgen.


3. Não deixe de alugar uma bicicleta e fazer a volta da Curva da Jurema, passando por trás do Shopping Vitória até a Praça do Papa. Tudo lindo. Se preferir caminhar, vale também!
3.1 Vá até o fim do pier do Shopping, escute o som do mar e sinta aquela brisa gostosa;
3.2 Aprecie a beleza da praia escondida ali depois da ponte! Dá para subir na pedra dali;
3.3 Na Praça do Papa, também há um mirante se você sobe o morrinho do Tamar.


4. Um passeio mais longo, dando a volta na ilha e chegando no mangue: ir na Ilha das Caieiras (a melhor moqueca e torta capixaba), passar na Basílica de Santo Antônio e na Pedra dos Dois Olhos.


5. Museu Ferroviário da Vale: gosto muito de lá. É centro de Vitória/Vila Velha, um pouco longe, mas se vocês se organizarem dá para fazer 4 + 5 no mesmo dia. Uma outra opção é chegar lá por meio de um passeio de barco pela Ilha de Vitória, já fiz e recomendo.


6. No centro de Vitória, se você gosta de samba e música popular, não tem lugar melhor do que esse aqui: É uma atmosfera maravilhosa para um noite musical.


7. Cultura: Teatro Carlos Gomes, SESI, Glória e Palácio da Cultura Sônia Cabral.


8. História: visitar o Museu Solar Monjardim.


9. Programas alternativos: Uma volta pela UFES (lago), um filme no Cine Metropolis ou no Cine Jardins.


10. Não pode deixar de fazer:
- Pôr do sol na Ilha do Boi, perto do bloco de apartamentos amarelos (você vai entender quando ver)
- Pôr do sol na Ilha do Frade, lá tem um cantinho belíssimo por lá
- Caminhar pela orla da Praia de Camburi até cansar (partindo do Pier de Iemanjá) e parar para tomar um coco
- Tomar um chá de fim de tarde em um café do Triângulo (Café 465, 364 Café)
- Um jantar no Thalassa.


VILA VELHA E REDONDEZAS

1. Em uma bela manhã de sol, vá até o Parque Paulo César Vinhas. É um parque estadual, tem uma trilha (tranquila mas um pouco longa) para chegar numa praia deserta e linda, onde o mar e o rio se encontram.


2.Não deixe de ir (pela manhã também) no Morro do Moreno. É uma subida um pouco puxada (vá de tênis e suba pela estrada, não pela trilha), mas vale muito a pena quando você chega lá no alto.


3. Após apreciar a vista de lá, você tem duas ótimas opções de almoço:
Restaurante Atlântica(Moqueca)
Pousada do Farol.


4.Vila Velha tem ótimas opções de restaurantes, o meu preferido é esse aqui.Para hamburgers, vá no Gol burger.


5.Um lugar um pouco cliché mas sempre bom de ir é o Convento da Penha.


6.Para outros dias de praia seguindo a Rodosol: Setiba e Meaípe.


AO NORTE

Manguinhos é o lugar onde passei a minha infância. É uma vila de pescadores bem simples, ao mesmo tempo com uma beleza natural muito genuína. Dois restaurantes bons por lá: Geraldinho (o mais famoso) e Maria Mariana (rústico, artístico, pé na areia). Recomendo um dia todo por lá, andando a praia toda e entrando em algumas vielas.


Regência é um dos lugares mais bonitos que já vi na vida, é onde o Rio Doce encontra o mar. Infelizmente, como vocês sabem, a região ficou muito abalada pela tragédia ambiental da Samarco. Mas ainda fica aqui a recomendação.


Mais ao norte (e quase Bahia), temos um lugar mágico chamado Itaúnas: é uma pequena vila bastante simples também, mas tem algo de muito especial lá: dunas e uma atmosfera muito aconchegante. Só indo para saber. Dá umas quatro horas de carro e o ideal seria passar um final de semana todo ou 3 dias por lá. 3 dias se vocês quiserem visitar lugares ainda mais especiais como Riacho Doce e Costa Dourada (divisa Bahia).


REGIÃO DAS MONTANHAS

1. Esse passeio não pode deixar de ser feito: Um final de semana em Pedra Azul.

De Vitória à 1ª parada dá 1h – vocês precisam passar em Vista Linda na ida (ou na volta).
É uma pousada/restaurante/café, mas o que importa é apenas parar para ver a vista de lá, não tem problema algum (e não precisa ser cliente).

Depois você vai para Domingos Martins, uma cidadezinha típica muito bonitinha. Por lá, existem bons restaurantes, ex. Sítio dos lagos.

Seguindo para Pedra Azul (1h30 a mais de estrada), você precisa escolher uma pousada perto da Rota do Lagarto e aproveitar tudo por lá. Todos os lugares são maravilhosos.


O que fazer em Pedra Azul:
Ir de manhã no Parque Estadual da Pedra Azul, fazer a trilha, tocar na pedra, entrar nas piscinas naturais se der... É tudo maravilhoso.
Passar no Fjordland - Cavalgada Ecológica.
Restaurantes: Bistrô Vista Pedra Azul, Alecrim, Quinta dos Manacás, D'bem, Delícias de Portugal, Lago da Lua. Tudo ótimo.


2. Um final de semana em Santa Teresa. Faz muito tempo que não vou lá para de fato ficar na cidade, as últimas vezes fui para participar do Festival de Jazz e logo voltei para Vitória. Mas lá é muito bom para conhecer também, é conhecida como a cidade dos beija-flores. Vá no Museu de Biologia Prof. Mello Leitão – casa do Augusto Ruschi e você verá colibris como nunca viu antes na vida! Outros pontos para visitar é a Rampa do Caravaggio e o Vale do Canaã, um lugar que tem um valor histórico grande para o ES (como chegar: Saindo do centro da cidade, siga pela Rodovia que liga Santa Teresa à Colatina, passando pelo Município de São Roque. O mirante fica numa curva e começa a ser avistado a partir do Km 3).


Nas estradas sempre tem “detours” a fazer: cachoeiras, comida típica (ou parada de pastel!), orquidários, sítios ecológicos abertos a visitantes...


Eu teria muito mais para indicar no ES, mas vamos começar por aí!


*PS.: Esse Guia, em tese, é para quem é de fora e quer conhecer o estado, mas também serve para capixabas que não exploram o lugar onde moram!

Violência e "pacto" social

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[Post antigo e ao mesmo tempo atual]

O rascunho desse texto partia de um ponto de vista bem subjetivo: de quem viveu um episódio de violência, viu um ódio incomensurável e também sentiu (sente?) muita raiva. O post continha apenas uma frase, com duas proposições muito fortes para mim "a violência contamina e a impotência frente a violência também". Não sei se há muito mais a dizer além disso, seja em qual esfera for: subjetiva, social ou coletiva. É um ciclo sem fim, que se retroalimenta de medo, ódio, irracionalidade humana e um quê de vingança. De não entendermos um ato em si mesmo, de sempre esperarmos uma consequência (proporcional? justa? adequada?) a algo que jamais poderá ser equalizado exatamente em "olho por olho, dente por dente". Mas que o Código de Hammurabi é impressionante para a sua época, é:


Nunca tinha dado o devido valor ao Código de Hammurabi até vê-lo ao vivo. Me dei conta de como a tarefa de sistematizar a dinâmica social nunca foi fácil e de como eles tentaram o seu melhor ali. Por alto, pensamos "que rudimentar essas proposições, óbvio que evoluímos muito desde então". Só que não. Temos sanções e palavras diferentes apenas. Me faz pensar que o homem sempre foi o mesmo; que a natureza humana pouco mudou ao longo desses milênios. Nos achamos uma sociedade tão "desenvolvida", mas nossas Constituições na prática e códigos também são muito falhos.

A situação de anomia no Espírito Santo me faz repensar a questão da violência sob a ótica coletiva: como se recuperar de um surto de violência e caos por todos os lados? Como não criar mais ódio para com tudo e todos? E será que a verdadeira face da anomia é sempre a violência? Se a falta de autoridade do Leviatã leva a um estado de natureza, vivemos em uma estrutura social muito rudimentar, não? Onde a norma e a ordem institucional não possuem valor algum. É triste estarmos tão longe de um contrato social rousseuaniano, para o meu contragosto acadêmico. Vamos ilustrar essas ideias numa tabelinha então!

Olha, a genealogia democrática que temos hoje é baseada na premissa de Rousseau: de que se saímos do estado de natureza, é porque todos nós somos capazes de nos "empoderarmos", nos preocuparmos com a "vontade geral". Isso vai além do conceito Kantiano de indivíduo emancipado - é irmos em direção a um interesse coletivo. Infelizmente essa hipótese não parece se ajustar muito bem a realidade que temos - e eis a raiz dos nossos problemas democráticos. Um discurso seletivo de "guerra" parece casar perfeitamente com a concepção de alguns governos (à la Trump).

Por fim, quanto a história do "pacto" social - que gostamos de contar para nós mesmos antes de dormir, enquanto sociedade -, é importante dizer que isso sempre foi uma grande ilusão. Como se concedêssemos um voto de confiança a um governo para agir em razão do interesse coletivo e tudo estaria bem; hoje, essa confiança está longe de existir. Levamos o contratualismo ao pé da letra: em um pólo contratual, temos o governante; de outro, múltiplos setores da sociedade X, Y, Z, W... e outros sequer participam. Para parte Y, se o governante não está executando o contrato como deveria, já seria motivo suficiente para "terminar"* essa relação. Uso o termo leigo, porque se entrarmos nos detalhes jurídicos do término de um contrato, poderíamos discutir eternamente se seria uma anulação, ou uma resolução por falta ou má execução das obrigações, se seria uma simples rescisão... Tudo isso gira em torno do poder de barganha (capital político) no acordo.

Se há pouco tempo atrás vimos uma mobilização de alguns setores da população + Senado + Camara dos Deputados para quebrar o contrato com Dilma, também rompemos com a Constituição em segundo plano. Nos últimos dias, foi a PM que resolveu "suspender a execução do contrato" com o governo estadual, enquanto se existia um acordo maior de segurança com a população. E quando se destabiliza o eixo dessa cadeia de contratos, toda a estrutura parece cair por terra.

Adoraria poder dizer que "essa é a hora para provarmos que Rousseau não estava errado!!!" Que nos uníssemos como um "todo" social - quem está 'refém' dentro de casa, quem está usufruindo do caos/liberdade depois de tanta opressão, quem está reivindicando seus direitos (talvez não da melhor maneira) - e clamássemos por nossa democracia, em prol de fazermos a nossa própria política e encontrarmos novas soluções de interesse geral desde o plano local ao federal. Mas sabemos que essa sociedade não existe.

Gosto de pensar (ou idealizar, ainda teria de estudar muitos bons livros franceses para formar uma opinião concreta) que essa coragem de mudança existiu na Revolução Francesa (pode não ter sido tão bem sucedida assim, mas o intuito era legítimo). Isso evidentemente nos falta hoje. Preferimos nos resignar ao individualismo à la Hobbes, não dialogarmos para além das nossas bolhas, sermos uma sociedade de repressão muito próxima daquela do código de Hammurabi e assim por diante: os ciclos de violência, medo e terror continuarão sendo inevitáveis e primitivos.

Palavras lugar comum

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Assistindo de longe o desmantelamento do Estado de Direito, faz tempo que eu gostaria de organizar as ideias para escrever aqui - tem um rascunho antigo intitulado "Caos e retrocesso", que seria bem apropriado para descrever os dias atuais. A verdade é que quando admitimos fraturas no sistema e não fazemos nada acerca disso, é como se estivéssemos descendo a ladeira abaixo perdendo o controle. Tem mais de dois anos que estamos nessa descida e todo dia aparece uma curva mais fechada. E o pior é que não dá para frear no meio de uma curva, deveríamos ter feito isso antes. No texto em rascunho, o tópico principal a ser desenvolvido seria a "Ilusão da democracia x Repúblicas de governo", mas já me sinto até desmotivada a tratar desses temas. O Espírito Santo em anomia, o Brasil sob o controle de um governo ilegítimo, um STF desconfigurado... (não vamos nem qualificar o Congresso e o Senado, né!!!)

Vamos falar da França então!!!


Gostei muito desse vídeo porque identificam o cerne de muitos problemas atuais da discussão de cunho político: utilizamos palavras lugar comum, porque o nosso vocabulário é visivelmente limitado, mas cada um atribui um sentido destinto para a palavra - seja ordem, sistema, etc. Ou seja, a comunicação não ocorre de maneira efetiva. Deveríamos criar um novo dicionário para agrupar o emprego dessas palavras?

Nessa semana a Marine Le Pen lançou a candidatura à Presidência e, se você assiste o vídeo de forma analítica, você compreende como o discurso dela faz sentido para uma parcela dos franceses. Dá medo, mas não podemos negar essa realidade. Foi a negação que deixou um Trump ascender politicamente e esse também é um risco (concreto) que corremos no Brasil. Infelizmente, a anomia capixaba não ajuda nesse cenário - parece que a discussão só fica mais e mais polarizada, entre quem vê o recurso à força como única saída (um discurso perfeito para o Bolsonaro se apropriar) e àqueles que estão mais inclinados a um niilismo institucional "pra quê, isso nunca funcionou mesmo, ordem pra quem". Me recuso a aceitar isso, apesar dos últimos anos terem me deixado muito cética (o que é super triste quando me recordo do idealismo que eu nutria desde os primeiros posts deste blog).

MAS uma das maiores alegrias de se estar na Sciences Po é ver política sendo levada a sério:


Serão tempos interessantes acompanhar as eleições presidenciais francesas por aqui.

PS. Lembrete para sempre sermos conscientes com o que escrevemos no âmbito acadêmico: Segundo Moraes, Moraes não pode ser ministro do STF. Segundo Temer, se um presidente sofre impeachment o vice também deveria automaticamente cair. Ainda bem que eu nunca comprei nenhum livro de Constitucional!!! Pra quê gastar dinheiro com isso se na prática a teoria é outra, não é mesmo?