A sociedade de mérito

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Um belo texto do meu namorado, com ideias bastantes pertinentes:

A solidificação de uma sociedade baseada no mérito é etapa essencial para o desenvolvimento do país e que convergirá para a diminuição das diferenças sociais e de renda, que minoram a avaliação da imagem externa do Brasil. Para atingir esse objetivo, é necessário direcionar os esforços políticos e pessoais à criação de oportunidades para o aprimoramento da formação dos indivíduos. Suscitando, assim, pequenas revoluções de apenas um homem, que, somadas, serão capazes de mudar os destinos da sociedade e o futuro do país. São ações de pequeno porte, como a construção de bibliotecas, que podem dar início a esse processo.

O panorama atual do Brasil expõe a existência de um primeiro teste, a sorte, que direciona o futuro do indivíduo. Esse teste se resume em se a pessoa terá condições financeiras para, literalmente, comprar suas oportunidades e ingressar em uma sociedade de mérito, ou se dependerá de serviços públicos, que são, em sua maioria, de péssima qualidade e não permitem que ela tenha chances contra a concorrência em um sistema de mérito. A estratificação entre duas classes, a daqueles que participam da sociedade de mérito e daqueles que são excluídos dela, é parte do ciclo vicioso da concentração de renda no país.

A constituição brasileira tem, entre seus princípio, o direito à educação. No Direito Administrativo, a meritocracia tem valor fundamental. Na teoria, assim sendo, o problema está equacionado corretamente: O Estado deve prover uma boa educação e, por intermédio de vestibulares, de concursos públicos, da concorrência no mercado de trabalho e do mérito, a população conquistaria o seu futuro. No Brasil, este último termo está institucionalizado; o primeiro, todavia, não. Quando o Estado falha, o sistema de mérito fica corrompido e tende a perpetuar a situação inicial de concentração de renda, porque avalia, apenas, o mérito de uns poucos.

Não se pode esperar que o Estado sozinho resolva o problema. A sociedade deve cobrar dele iniciativas; mas, sobretudo, deve participar, ativamente, da solução. Isso porque a concentração de renda implica um custo de oportunidade altíssimo para a sociedade como um todo, na medida em que ela impede o crescimento do país e exija da sociedade pessoas que poderiam desempenhar funções importantes, além de favorecer a violência e a criminalidade e; também, conservar influentes fenômenos políticos, como o clientelismo e o populismo. É, portanto, do interesse da sociedade um maior engajamento visando à diminuição das desigualdades sociais.

O esforço político e da sociedade é importante, o esforço pessoal, entretanto, também essencial. Historicamente, alguns indivíduos de destaque econômico se dispuseram a impactar positivamente a sociedade e ao futuro de seu país. Exemplo emblemático é o do magnata americano Andrew Carnegie, que investiu sua fortuna no projeto de construir e de equipar uma biblioteca em cada cidade daquele país. Na atualidade, outro multibilionário americano, William Gates, é o personagem de maior destaque filantrópico do mundo, com projetos, principalmente, em países da África e em desenvolvimento, como o Brasil. Ambos exemplos expressam a significância que o esforço pessoal pode assumir na consubstanciação do futuro das sociedades.

A concentração de renda está no cerne da maioria dos problemas brasileiros. A solução desse problema pode ser obtida pela criação de oportunidades, em especial, por meio da educação, para os marginalizados, e pelo estabelecimento de uma verdadeira sociedade baseada no mérito. Para tanto, é necessário que os esforços políticos e pessoais confluam e sejam direcionados no intuito de possibilitar que os indivíduos mudem sua história, balanceando, assim, a equação e corrigindo o ciclo da concentração de renda. Proporciona-se, desse modo, um futuro primoroso ao país e a mudança dos destinos da sociedade brasileira.