Tempo

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"O segredo do tempo é ser consumido sem ser percebido
É fingir-se infinito para não o vermos passar
É fazer-se contar em anos ao invés de momentos

Relógio, despertador, cronômetro, calendário
Tudo engodo para imaginarmos prendê-lo, controlá-lo
E a tentativa nos consome

Ampulheta, único instrumento sincero do tempo
Regressivamente, nos impõe a gravidade
De haver realmente um último grão
Riscando na areia a nossa fragilidade

Mas o tempo é imparcial
Devora-se sem escolhas

Matar o tempo é matar-se sem sentido
Perdê-lo é viver em vão

Faz-se devagar nos maus momentos
Depressa quando não queremos

Ponteiro invisível da vida
Peça necessária do fim

A sua fome é insaciável
A sua vontade é determinante
A sua procura é unanime

Se esconde nas sombras que se movem
Nos objetos que não mais servem
Nas pessoas que nunca mais vimos
Nas lembranças já diluídas

Revela-se nas fotos que se desbotam
Nas cartas que amarelam
Nas crianças que crescem
Nas rugas que aparecem

Deixa-nos a esperança de Pandora
Nas ações dos que virão
E no ciclo temporal perpétuo."

Muito se poderia falar sobre o tempo...

Mas, analisando de uma maneira funcional, a indagação prática é em torno de como lidar com o tempo e seu aproveitamento:
"Primer is a puzzle film that will leave you wondering about paradoxes, loopholes, loose ends, events without explanation, chronologies that don't seem to fit"
- Acredito que é necessário burlar o eminente ócio e otimizar o tempo útil que nos resta, dando-lhe dinamicidade, quase como "criando tempo".

Sobre 'criar tempo' - uma de minhas maiores e mais antigas reflexões - me inspirei para escrever um post referente a isto, após assistir um filme muito interessante e complexo: "Primer".

E se tivéssemos tempo demais? Muito mais do que precisamos? Iria eu ocupá-lo ainda mais na tentativa de fazê-lo cada vez mais produtivo? Enfim...

Ademais, eis aqui uma boa resenha sobre o filme e a complexidade das complicações espaço-temporais que ele apresenta.