Judgment at Nuremberg

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Pela primeira vez assisti o filme sobre o Julgamento de Nuremberg por completo. É um filme impressionante, incrivelmente bom na maneira que aborda os acontecimentos sob as várias perspectivas. Acabei de descobrir que existia uma versão mais recente do filme, de 2000, mas recomendo sim a de 1961, assisti essa antiga, garanto que é muito boa. ;)

Certamente julgar é algo muito difícil. Extremamente difícil para nós - meros seres humanos - que, em muitas das vezes, não temos moral suficiente para fazer jus a uma concepção sobre o outro quanto menos a estabilidade psicológica para conseguirmos fazer isso. Sinceramente, não sei qual é o grande fundamento da maioria das pessoas, principalmente as que vejo pelo curso de Direito*, almejar serem futuros juízes. Sei que para mim, independente de salário e de reconhecimento profissional, o dinheiro não vale. O peso na consciência, o peso crucial da sua decisão na vida de outro indivíduo e o desgaste emocional que é relacionado com todos esses fatores, precisa ser ponderado.

Mas sei que precisamos de juízes que, de uma maneira mágica (praticamente :P) consigam contornar as faltas do sistema e as superem pelo caminho da justiça, que sejam conscientes e tenham os valores fundamentais no coração para guiar suas ações e assim, efetivamente construírem e contribuírem para uma nova realidade.

E, por exemplo, para abrir uma exceção no caso acima das pessoas do Direito, tenho uma amiga que tem essa paixão no coração e isso que é bonito e necessário para o ramo.

Portanto, reconheço com muito vigor que precisamos sim de pessoas adequadas que assumam essa posição com qualidade e que tenham noção da tamanha responsabilidade que exercem para a sociedade. Não só juízes, mas todo o ser humano precisa ter dimensão dos seus atos.

(Uma pequena observação: Pior do que qualquer pena, é a rígida palavra que vai ficar na mente do culpado até o resto de seus dias...)

E, além de tudo que já é citado pelo juiz acima, acho que tal ação vale como um exemplo de Justiça. Não só pelo ato em si, mas pelo caráter de estabelecer firmemente que o Direito não pode esquecer de suas obrigações principais que transcendem a norma jurídica e que as autoridades normativas precisam ter isso em mente. Por mais que eu compreenda o outro lado da visão que é apresentada no filme, uma absolvição da pena de muitos pelo argumento da omissão (de simplesmente cumprirem seu dever e não terem nenhum crivo avaliativo sobre a realidade e tendo uma atitude conivente com esta) ou pela alegação sobre a ilusão de que cumpriam seu dever de acordo com o institucionalizado e que este seria para o progresso geral, entretanto, nós somos quem fazemos a instituição, nós somos quem constituímos o progresso, e por isso a posição passiva não pode ser aceitável.

Há mais uma reflexão bastante interessante que aborda o fato de que mesmo se você não estivesse trabalhando para o ideal do correto e do bem, o seu trabalho poderia ser essencial para conter e ajudar que aquela realidade não seja pior, utilizando sabe-se lá quais meios para a superação do dilema entre o que é imposto e os princípios que devem ser valorizados (e não estou nem sugerindo uma ideia de rebelião ao sistema ou revolta total como Tarantino faz de maneira fabulosa em Inglourious Basterds :D) do que a simples alienação.

Um ponto relevante de se analisar também é de como ideal de justiça é distorcido para todos, mas devemos sempre prezar a tentativa de alcançar o mais próximo do justo.

Por fim, isso me remete a uma frase em que "um mundo melhor é muito relativo. Devemos sim trabalhar para um mundo bom, para ser suficiente, no mínimo".
E algo que acho muito bonito em ouvir - e fico muito feliz - quando encontro alguém me dizendo (pessoas que já tinham uma vida profissional formada e que decidiram abdicar disso) que faz Direito porque quer ser um agente social, fazer a diferença para sociedade e ajudar a construir uma realidade positiva.