A arte da comunicação

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One of the best rules in conversation is never to say a thing which any of the company can reasonably wish had been left unsaid.
Jonathan Swift
Essa citação me pareceu muito interessante porque me faz refletir quão complexa é a arte da comunicação, pois não se refere apenas a mensagem que o locutor quer passar e sim ao que o interlocutor quer ouvir, ou melhor, às vezes não queria ouvir. E isso é algo muito complicado para mim, porque sempre quero passar a mensagem da maneira mais completa - tenho sérios problemas com a questão da completude quase como um perfeccionismo, sempre achando que deixei de falar algo importante ou que poderia me expressar melhor de outra maneira, ressaltando outros pontos.

Em um viés diferente da questão, isso me remete sobre uma frase que McNamara uma vez falou no filme dele - e foi algo muito marcante para mim - em que independente de qual pergunta o fizerem, responda o que você queria que tivesse sido perguntado, ou seja, na sua perspectiva - o que não necessariamente satisfaz a pergunta feita.
A arte de nos comunicarmos, de nos expressarmos por meio de palavras, palavras percebidas e recebidas pelo outro, estas nem sempre ditas, mas subentendidas por meio de um olhar, um tom de voz um pouco diferente, um levantar de sobrancelhas, um sorriso...
Saber falar e ouvir no momento certo... Saber falar é saber se expressar, respeitar a opinião do outro... Saber ouvir vai muito além do que imaginas... Não só ouça, mas se coloque no lugar do outro. Assim irás saber, ou até mesmo compreender a verdadeira arte das palavras, da comunicação.
Para finalizar essa reflexão meio difusa sobre o mesmo tema, exponho um texto de Clarice Lispector:
A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma ideia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento.

Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos. Sempre achei que o traço de um escultor é identificável por uma extrema simplicidade de linhas. Todas as palavras que digo - é por esconderem outras palavras.

Qual é mesmo a palavra secreta? Não sei é porque a ouso? Não sei porque não ouso dizê-la? Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que não pode e não deve ser pronunciada. Parece-me que todo o resto não é proibido. Mas acontece que eu quero é exatamente me unir a essa palavra proibida. Ou será? Se eu encontrar essa palavra, só a direi em boca fechada, para mim mesma, senão corro o risco de virar alma perdida por toda a eternidade. Os que inventaram o Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida. As palavras é que me impedem de dizer a verdade.

Simplesmente não há palavras.

O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo. Acho que o som da música é imprescindível para o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita são como a música, duas coisas das mais altas que nos elevam do reino dos macacos, do reino animal, e mineral e vegetal também. Sim, mas é a sorte às vezes.

Sempre quis atingir através da palavra alguma coisa que fosse ao mesmo tempo sem moeda e que fosse e transmitisse tranquilidade ou simplesmente a verdade mais profunda existente no ser humano e nas coisas. Cada vez mais eu escrevo com menos palavras. Meu livro melhor acontecerá quando eu de todo não escrever. Eu tenho uma falta de assunto essencial. Todo homem tem sina obscura de pensamento que pode ser o de um crepúsculo e pode ser uma aurora.

Simplesmente as palavras do homem.