Os mil e um problemas de uma bailarina

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Ser uma pequena bailarina é o sonho de muitas meninas e de muitas mães também, afinal, o ballet possui uma maneira única de ensinar sobre empenho e disciplina para as crianças. Com mais de oito anos de prática, posso categoricamente afirmar isso.

Dentre inúmeros pontos positivos que o ballet traz para uma pessoa, entretanto, recentemente descobri vários novos probleminhas (entre defeitos de fábrica e defeitos de uso) em mim que são basicamente descritos por uma interessante teoria das (más) consequências do ballet:



O ballet clássico nasceu com a Renascença no século XVI, na Corte de Médicis, em Paris, inicialmente refletindo gestos, movimentos e padrões típicos da época.



Para Malanga, a evolução da técnica clássica se deu norteada pela busca de leveza e agilidade do bailarino na busca do total domínio do corpo, de seus músculos e de seus movimentos, de modo a poder utilizá-lo de forma expressiva, sem estar preso às limitações naturais. A autora ressalta que a técnica clássica possui certos princípios de postura - ereta e alongada - e colocação do corpo que devem ser mantidos em todos os movimentos, levando ao máximo as potencialidades de equilíbrio, agilidade e movimento harmônico do corpo humano, daí o seu valor e permanência no tempo.

A prática de atividades físicas pode resultar em muitos benefícios à saúde do praticante quando corretamente realizada. Caso contrário, Juli acrescenta que quando levada a certos limites, solicitando ao máximo dos músculos e tendões, ossos e articulações, pode atuar como agente patológico sobre o aparelho locomotor.

Com a finalidade de avaliar a prática do ballet clássico e sua influência sobre o padrão postural em bailarinas com 5 ou mais anos de prática pode-se verificar que, dos segmentos corporais alterados, a maior parte das bailarinas apresentaram lordose (80%) e um grande número delas apresentaram tronco inclinado para trás (72%) e pernas hiperestendidas (68%). Particularmente, a curvatura lombar foi o segmento corporal com maior comprometimento, sendo que 62% das bailarinas apresentam leve aumento da curvatura lombar, e 18%, um acentuado aumento da curvatura lombar.

Confrontando estes resultados com a literatura, constata-se que os dados têm apoio na colocação de Watson (apud Santos, 1992), que arrola a respeito do trabalho que desenvolve a musculatura inadequada e desigual que pode causar desvios posturais, bem como o comprometimento ósteo-articular. Já Santos e Krebs (1995) encontraram o desnível dos ombros como a alteração mais incidente nesta vista, e admitem que seja pela solicitação muscular intensa do lado dominante, fato este comprovado na fase descritiva do estudo, o qual provoca um desequilíbrio muscular, gerando hipertrofia dos músculos elevadores do ombro, principalmente o trapézio, causando, assim, o desnível. Contudo, é importante destacar o estudo de Achour Júnior (1994), que cita que o desenvolvimento desigual da flexibilidade no ballet clássico pode ocasionar problemas no quadril, pois em uma rotina do treinamento, geralmente enfatiza abdução de quadril e rotação externa, com exclusão do trabalho de adução.

Esse desequilíbrio pode ocasionar dor no joelho e, se houver excessiva rotação externa da tíbia com o pé pronado, prejudica a movimentação natural do quadril.


Mas olha... eu diria que fazer ballet vale possuir alguns pequeninos malefícios sim, porque não abriria mão da experiência incrível que é dançar no ballet! E se pudesse (se tivesse físico, disposição e dedicação suficientes para tal) adoraria voltar a fazer...

O ballet é uma vida, uma paixão... É sublime!