Quantos dedos se precisam para tocar uma música?

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No filme Gattaca, assisti algo muito interessante sobre a tendência genética do futuro para pianistas é reproduzir genes que possibilitem a mão ser maior e com mais dedos. Em um concerto que se apresenta no filme, a música interpretada pelo pianista de 6 dedos é baseada em Impromptu in G Flat Major, Op. 90, No. 3 de Franz Schubert. Os criadores fizeram um belo trabalho, incorporando harmonias e notas adicionais, para que só pudesse ser tocada com 12 dedos. Entretanto, seria isso realmente um diferencial? É claro que em quesitos de técnica sim, mas...

Certo dia estava passeando pelos canais na tv e, no programa Roda Viva, estava passando o Maestro João Carlos Martins. Aos 26 anos, João Carlos Martins passou a enfrentar os problemas que mais tarde paralisaram suas mãos, e assim, perder parcialmente o movimento das mãos tirou dele a possibilidade de tocar piano profissionalmente, mas não o impediu de seguir a sua trajetória na música. Após décadas de tratamentos e cirurgias, que o afastaram do piano, em 1995 João Carlos Martins voltou aos teclados. E então, hoje, toca com 7 dedos no total. E nem por isso sua música deixa de encantar, muito pelo contrário: Ele ensina que cada nota tem seu valor, é sublime a estar tocando. E, independente de quantos dedos há para tocar, o sentimento que se passa com cada um é o que vale. E para o Maestro, ter a oportunidade dos seus dedos tocarem as notas é sublime: E assim se faz uma bela música.

A música mais ressaltada por ele é Revière, de Schumann, e é interpretada de maneira esplêndida. É curioso pensar a beleza que ele transpassa na música enquanto nós, com 10 dedos, muitas vezes não conseguimos. Mas nada de reclamar de mãos ou de dedos, porque afinal, isso não importa - devemos celebrar a preciosidade de tê-los.

E, de volta ao filme Gattaca, o diferencial exposto é a determinação. É fazer com que, mesmo sem o tamanho ideal tamanho de mãos ou dedos suficientes para tocar uma música, o pianista se empenhe para fazê-la sensacional. E isso é demonstrado por meio da vontade de tocar, pela alegria e por todos os outros sentimentos que são externados em uma melodia musical.