O mistério do outro lado do espelho

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Quando eu era pequena :) me contavam histórias do outro lado do espelho: Histórias surreais de um universo paralelo que continham um mundo muito similar ao o nosso, entretanto, com algumas peculiaridades - e quando fechássemos os olhos, sem nos dar conta, mínimas coisas se transfeririam para lá - e assim existiria o mundo das xuxinhas de cabelo perdidas, haha. O portal era só atrás do espelho, e lá o mundo perdido estava - A zona interdimencional das coisas sumidas ;P

São muitos os mistérios que rodeiam as coisas desaparecidas aqui em casa, então imagino que o outro lado do espelho deva estar cheio! - não que a realidade que eu viva não seja tão cheia por m² quanto, mas...
Dizem que o segredo para os encontrar, é deixar de os procurar - ou melhor, deixar eles nos achar. Eventualmente, quando menos esperarmos, eles vão aparecer (sempre tenho esperanças), de forma que quanto mais a urgência em utilizá-los, mais iremos gastar tempo a procurar. Ai, ai, é a vida.

Ainda sobre o tema, existem umas histórias bem interessantes:

Poucos sabem, mas temos um mundo paralelo.
A diferença é que, diferentemente deste em que vivemos, os habitantes do mundo paralelo sabem todos da nossa existência. Não só isso, eles podem interferir, brincar e mexer com o nosso quando quiserem. Sim, lá eles também têm casas, cidades, até países, é tudo muito parecido. Mas um pouco diferente.

O tempo todo acontecem coisas que não são muito bem explicadas no nosso mundo. Objetos simplesmente somem, pessoas se encontram de forma inexplicável, outras se desencontram contra todas as probabilidades. E acreditamos que tudo isso se deve ao acaso. Outros, um pouco mais espertos, chamam isso de destino. Digo mais espertos porque, de certa forma, eles sabem que existe algo por trás das coisas que vemos acontecer. O erro deles, porém, é dar um sentido místico e com algum propósito para tudo.

Na verdade, é tudo uma grande brincadeira. Somos a principal fonte de diversão dos habitantes do nosso mundo paralelo. Existe um tipo especial: Os experimentadores.

Os experimentadores são pessoas que viram nessa capacidade de observar e interferir no mundo real uma oportunidade única de entender as coisas. São pessoas muito interessadas, curiosas e inteligentes. Acreditam que podem fazer grandes mudanças na história de vocês através de pequenos detalhes. E ficam observando, passo a passo, as conseqüências do que fizeram. Eles querem entender melhor o processo de “uma coisa leva a outra”, aquilo que chamamos de caos. Querem ver se, de fato, o bater das asas de uma borboleta pode gerar um furação do outro lado do planeta.
Ultimamente eles estão mexendo mais com as pessoas, de formas mais sutis. Estudando o que pode ser a natureza humana. Pequenas coisas. Detalhes. Querem entender como a vida das pessoas pode mudar através dos detalhes. Uma estrela cadente quando se olha para o céu, um bilhete anônimo deixado na calçada, um ventinho gelado quando se fecha os olhos. Tudo indica que esses detalhes mudam a nossa história muito mais do que se pode imaginar. Porque eles são pequenos momentos de fuga da consciência normal e cotidiana, que nos transportam por um breve instante para dentro de nós mesmos, sem aviso. E é justamente nesses momentos em que mudamos, nem que seja um pouco, nossa essência. E isso muda tudo.


Não é verdade que ando sumida, perdida nos campos onde o sol nasce com mil cores todos as noites. Para me encontrar é simples: é só seguir pela Rua dos Sonhos, virar à esquerda na Rua da Ilusão e depois à direita numa rua sem nome. E então observar, de um ângulo que seja de dentro do coração, a minha casa na Rua Sem Nome.
Se piscar os olhos pode tingi-la de qualquer cor, desde que não lembre um certo tom amarelado. Lá dentro, com todas as engrenagens desorganizadas, descompassadas, desalinhadas, sobrepostas e desencontradas, pesquiso para descobrir onde vão as coisas quando desaparecem.
Será que existe um mundo paralelo, um "Achados e Perdidos" fora do tempo e do espaço?
Como seria ir parar num lugar cheio de coisas há muito desaparecidas?
Ver o par de um brinco nunca mais encontrado, as muitas canetas Bic que criaram pernas e saíram andando por aí, as bolhas das lembranças que não tenho a certeza de terem existido de fato ou terem sido só fantasia...
Sim? Um lugar deve existir uma espécie de bazar onde os sonhos extraviados vão parar? E, assim que encontrá-lo, vou lá buscar meus sonhos de volta.
* A Moça dos Sonhos, de Chico Buarque