Breves considerações sobre a distância

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Sempre tive o intuito de esclarecer brevemente algumas acepções da palavra 'Distância' e a relação desta para com os indivíduos.

Minha tese é que existe uma grande diferença entre distância geográfica e indivíduos distantes. Indivíduos distantes podem existir sob o mesmo espaço - por mais que estejam 'pertos' um do outro, podem estar muito longe em uma distância imensa para estarem próximos. E isso é muito triste de se acontecer - porque é possível de ocorrer em qualquer relação que se desapega com o tempo. É claro que se precisa estabelecer que, com a distância geográfica, a tendência é haver uma maior dificuldade natural para 'estar presente' na vida de outrem, visto que já há a ausência física. Entretanto, não se pode deixar essa ausência física se concretizar em outros planos.

Schopenhauer tem um pensamento muito interessante sobre isso, passível de reflexão:
Distância e longa ausência prejudicam qualquer amizade, por mais desgostoso que seja admiti-lo. As pessoas que não vemos, mesmo os amigos mais queridos, aos poucos se evaporam no decurso do tempo até ao estado de noções abstratas, e o nosso interesse por elas se torna cada vez mais racional, de tradição.

Ainda sim, comprova-se que você pode estar mais 'próximo' e ter mais contato com uma pessoa em continentes diferentes do que quando em uma mesma cidade, por exemplo.

Considero também que distância só se torna um empecilho se os indivíduos quiserem, visto que ela é facilmente contornável (com um pouco de disposição e dinheiro). De qualquer maneira, não tenho como negar - especialmente no que tange relacionamentos amorosos - que a distância geográfica é um catalizador de dificuldades e exige que ambas as partes tenham muito amor, compreensão e lealdade. Sem isso, um relacionamento à distância será somente sofrimento (ainda mais levando em consideração a 'saudade má' e a ausência física do parceiro) - e não penso que esse seja o objetivo de um relacionamento. Além disso, relacionamentos à distância são muito peculiares - não possuem a convivência (necessária e crucial) do dia-a-dia e as dificuldades de uma rotina.

Entretanto, como Pe. Antônio de Vieira já dizia em seus sermões,
[O] amor não é união de lugares, senão de vontades; se fora união de lugares, pudera-o desfazer a distância, mas como é união de vontades, não o pode esfriar a ausência.

E assim, relaciono o assunto com a famosa frase do Le Petit Prince "L'essentiel est invisible pour les yeux" e, portanto, amizade e admiração existem sob qualquer condição. No mais, a distância também pode ser "o fascínio do amor", porque de longe tudo é lindo, haha.

A breve e mera conclusão que posso dar ao tema é a metáfora "A distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno, inflama o grande".