O contentamento e a insatisfação

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Calvin suscita um assunto muito pertinente: Querer mais é o que diferencia o excepcional do mediano. Contudo, 'querer mais' é sempre algo muito complicado pela sua característica mais latente: a instável insatisfação. Vivo com uma ambição muito complexa: Sempre querer mais (nunca aceitei a mediocridade), mas com estabilidade (já que não consigo viver com insatisfação para com a vida). Então, acredito que certas coisas podem ser consideradas em plenitude; contanto que sejam vistas em um patamar "aprimorável", e não de maneira estática - essa é minha tese.

Mas a questão da estabilidade é bastante recorrente na vida das pessoas¹: Contentamos-nos por meio de um conformismo com a realidade. Para categorizar tal situação, existe "A teoria do Mundo Justo"² - que hei de utilizá-la em breve para relacionar com outros assuntos, Direitos Humanos, por exemplo.

Acredito que em muitos casos, as pessoas se conformam com os acontecimentos da vida. Em minhas experiências (para não generalizar), costumo me conformar à título de estabilidade e paz interior; entretanto, isso não pode ser resignação. Aceitar passivamente o mundo como ele é, ou utilizar a Teoria do Mundo Justo ("é o destino", "assim que são as coisas", "se merece") para viver, é uma infelicidade tremenda - porque nunca haverá a possibilidade de se indagar se há algo melhor por vir. Ou seja, acredito que existem limites ao contentamento; positivo é o contentamento de satisfação em prol do melhor, e não o contentamento nivelado por baixo.

É um tema de dualidades. Ao mesmo tempo que querer demais pode ser um problema, isso é um grande potencial ao mundo: É desse intenso desejo de sempre mais que as coisas avançam - enquanto o mero contentamento seria uma estagnação para a realidade.

Certas coisas na vida não podem assumir o caráter estático, devem ser valorizadas na plenitude em seu formato presente e sempre aprimoradas. É exemplo de como penso sobre o amor, considero que deve ser completo a cada instante; mas cada instante possui suas grandiosas proporções, e assim a completude acompanha.

É algo complexo definir elementos sublimes da vida: Devem tentar atingir a máxima, ao mesmo tempo que nunca podem ser considerados suficientes como um patamar fixo, e sim, mutáveis em um constante e perpétuo aperfeiçoamento. Conclui-se, portanto, dentro da linha lógica de raciocínio, que o perfeito nunca é alcançável³, mas tudo bem... Tentar alcançar o perfeito é o que vale. ;)

  1. Fazendo ressalvas àqueles que repudiam essa ideia - os quais vivem de acordo com a alegria efêmera ao invés da felicidade estável. (Um assunto que também pode ser desenvolvido, a comparação e a distinção de alegria e felicidade sempre foi algo bastante profundo para mim; e sobre estabilidade x efemeridade, adiciono o quesito de análise quanto planejamento e inconsequencia para identificar tais questões no sentido acima);
  2. Ideia apresentada pelo Prof. Julio Pompeu no Simpósio da Academia Brasileira de Direitos Humanos em 2009;
  3. Assunto a ser desenvolvido sobre Sein e Sollen.