Um conto sobre privacidade

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"Levantei-me para recolher o que fora espalhada sob o chão e logo me vi inerte em antigos documentos, cartas, memórias. Assim, meu sono passara e já estava interessada em arrumar tudo aquilo.

Aos poucos fui relembrando os velhos tempos de escola, as fotos das viagens, os momentos que passei. Não pude deixar de sentir minha alma repleta de nostalgia. Lentamente, organizei tudo que caíra e percebi coisas do meu marido misturadas por lá e pela estante. Os nossos primeiros livros presenteados um ao outro, os pertences especiais... Porém, quando peguei a agenda dele, uma ponta de carta aparecia entre as folhas. Não queria mexer e nem poderia interferir em sua privacidade, essa era uma regra mútua. No entanto, corroía-me de curiosidade e não sabia dizer se era uma carta pessoal ou até mesmo uma de minha própria autoria. Decidi dar uma olhada, mas no mesmo instante, a luz central acende e vejo, atrás de mim, meu marido com uma folha do meu diário na mão."

Escrito em 17 de junho de 2008, por Agatha Brandão em suas redações de 3º ano.