Decisões

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Decidir é como refletir nas nuances dos traços de van Gogh, observando a sutileza de cada contorno celeste.
Nada é mais difícil, e por isso mais precioso, do que ser capaz de decidir.

Napoleão Bonaparte

E nessa reflexão, é necessário ponderar:
Prudência é saber distinguir as coisas desejáveis das que convém evitar.

Cicero
A decisão é, na verdade, o que de mais próprio concerne a excelência e é melhor do que as próprias ações no que respeita à avaliação dos carácteres humanos. A decisão parece, pois, ser voluntária. Decidir e agir voluntariamente não é, contudo, a mesma coisa, pois, a ação voluntária é um fenómeno mais abrangente. É por essa razão que ainda que tanto as crianças como os outros seres vivos possam participar na ação voluntária, não podem, contudo, participar na decisão. Também dizemos que as ações voluntárias dão-se subitamente, mas não assim de acordo com uma decisão.

Os que dizem que a decisão é um desejo, ou uma afeção, ou anseio, ou uma certa opinião, não parecem dizê-lo corretamente, porque os animais irracionais não tomam parte nela. Por outro lado, quem não tem autodomínio age cedendo ao desejo, e, desse modo, não age de acordo com uma decisão. Finalmente, quem tem autodomínio age, ao tomar uma decisão, mas não age, ao sentir um desejo.

Um desejo pode opor-se a uma decisão, mas já não poderá opor-se a um outro desejo. O desejo tem em vista o que é agradável e o que é desagradável. A decisão, contudo, não é feita em vista do desagradável nem do agradável.

Aristóteles, em 'Ética a Nicómaco'

Mas, inevitavelmente, toda decisão gera uma angústia, assim como expõe Fernando Pessoa:
Ah, perante esta única realidade, que é o mistério,
Perante esta única realidade terrível — a de haver uma realidade,
Perante este horrível ser que é haver ser,
Perante este abismo de existir um abismo,
Este abismo de a existência de tudo ser um abismo,
Ser um abismo por simplesmente ser,
Por poder ser,
Por haver ser!

Penso que, entre as sutilezas da vida, existem caminhos traçados por nossas escolhas, as quais são brisas que devem nos direcionar a plenitude de um céu, bem como se contempla nos quadros de van Gogh.