Receios da ordinariedade

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Fico perplexa com o indivíduo ordinário na vida, enquanto esta fornece tantas oportunidades de não ser. Mais perplexa ainda, fico em perceber quantas pessoas da sociedade são assim...
Escutando aleatoriamente as músicas das letras expostas abaixo, reflito na quantidade de situações que existem como as que são descritas a seguir. E receio por isso; não é o que eu procuro para mim, pelo menos.
Peixes são iguais a pássaros
Só que cantam sem ruído que não vai ser ouvido
Voam águias pelas águas
Nadadeiras como asas que deslizam entre nuvens
Nós vivemos como peixes:
Com a voz que em nós calamos,
com essa paz que não achamos...
peixes pássaros pessoas
nos aquários, nas gaiolas
pelas salas e sacadas
afogados no destino
de morrer como decoração das casas
Nós morremos como peixes
O amor que não vivemos
Satisfeitos mais ou menos
Todas iscas que mordemos
Os anzóis atravessados, nossos gritos abafados...
Você tem vertigem
Da imagem que conquistou pra si
Você tem vertigem
Das alturas que pensa em conseguir
Tudo é miragem
E esse é um rito de sonho e de passagem
Mas requer coragem
E mesmo aos trancos temos que prosseguir
Você tem vertigem
Do seu futuro, dos planos que lançou no ar
Leva junto um mundo, medo
Abre os escudos
Pras flechas que possam vir
Mas não há garantias
E as coisas duram
Por um curto tempo dentro de um curto espaço
Tudo vai, mas algo fica
Somos só flores
Capim verde na paisagem.

Miss Babineau’s Ghost