Filosofias de vida

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As pessoas mais razoáveis que conheço suportam a teoria descrita acima. Mas, quanto a mim, não sei se acredito plenamente nessa filosofia de vida*. Talvez porque o razoável não seja o mais interessante (ou suficiente para minha mente inquieta). Pode ser uma maneira restrita de compreender as coisas, mas prefiro que a vida tenha significado (mesmo que seja o valor em si própria) e propósitos a serem realizados, em prol de felicidade e de prosperidade. Prefiro pensar que atribuir sentido não seja algo que reduza a vida em concepções postas, mas sim em uma outra vastidão de valores sublimes que podemos descobrir vivendo em plenitude todos os dias.

Com base em algumas reflexões do filme "Whatever Works", pergunto-me: Será que qualquer coisa funciona mesmo? Só se fizermos funcionar - e isso é um detalhe bastante difícil ao mundo, às vezes. Para algo dar certo, é mais do que simplesmente funcionar. Funcionar não é suficiente. Não é completude - e de fato não é realização. Ao meu ver, nisso reside a diferença entre muitos relacionamos que existem por aí. No filme, creio que a questão que confunde é justamente mesclar (até mesmo na tradução linguística) as situações dos dois tipos.
(...) the heart has its reasons
diz Woody Allen, diretor do filme citado.
Penso que seja assim também - de tal forma que o coração seja muito além da racionalidade, e, portanto, essas razões são inexplicáveis e intangíveis.
Mas, nem de longe, essas razões são simples. São deveras complexas a ponto de não poderem ser entendidas. Considero isso muito intrigante - como um incrível mistério.

"Sabe-se lá". No campo das divagações*, tudo pode ser - e todas as teorias devem ser respeitadas e analisadas igualmente. Considere-se que as razões até podem ser simples assim; mas logo pondero a tendência das pessoas gostarem de complicar a vida, especialmente o amor. Pois então, gostaria que fosse simples. O mundo seria muito mais feliz, com certeza.

Ainda sobre a visão do filme:
(...) randomness (and worthlessness) of existence
Já expressei que não concordo com o 'worthlessness', mas a casualidade da vida é algo muito curioso mesmo. Acredito no acaso como sorte, como oportunidade inesperada. Mas será que posso considerar que aquele acaso tinha um sentido de ser? Há como conceber a união de ideias quanto a aparente contradição sobre 'Casualidades do Destino' ou 'Destino Casual'? Penso que sim. E afinal, destino somos nós quem fazemos, de acordo com os acasos que escolhemos ou decidimos investir - fazer funcionar e dar certo - se pensarmos assim.

O amor é uma questão sublime de sintonia. É um encontro singelo, não apenas casual. É um "dever-ser", no sentido estrito e literal das palavras, como um "tem de ser" especial para dar certo.

Ademais, essa relação entre a visão do filme e encontros me lembra a perspectiva do filme "Encontros e Desencontros", ou melhor, "Lost in Translation". A vida é sim feita por "duas pessoas que, num determinado momento de suas vidas, estavam juntas no mesmo lugar", o que eventualmente pode uni-las e torná-las cúmplices. Utilizo essa palavra como um princípio de aproximação entre duas pessoas, o que pode existir de diversas maneiras em vários tipos de relações interpessoais. Entretanto, a profundidade da cumplicidade das vidas entre as duas pessoas depende da inteiração e sintonia entre elas. Alcançar isso não é simplório, quanto menos sem valor. E, por essas e outras que a vida tem excelência em ser peculiar.


*dissertar sobre filosofias de vida é um momento pleno de divagações ;)