Uma insustentável leveza

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Gostaria de tratar aqui, após boas reflexões sobre a obra no qual o título do post é inspirado, sobre a insustentável leveza do contentamento - ou da instável satisfação do ser. Sobre essa dualidade de satisfação e contentamento, já dissertei um pouquinho aqui e este texto não deixa de ser uma derivação de tais reflexões também.

Entretanto, o que venho expor é a minha compreensão dessa instabilidade mas minha não-aceitação: Acredito que a paz do ser, mesmo que momentânea, possa ser estável e angariar estabilidade.

Acontece que o ser humano é sensível ao extremo e não compatibiliza o equilíbrio, pelo menos aqui no ocidente. Isso se remete a chinese curse que anteriormente já tratei aqui. Na cultura oriental em geral, tratando em específico a cultura chinesa, o elementar é alcançar o equilíbrio, a sintonia com o universo e assim, neutralizar-se ao mundo - transformar os impulsos em neutralização. Ou seja, transcender as distrações mundanas e almejar tamanha elevação espiritual.

A mim - e ao mundo ocidental - é difícil compreender essa sublime alegria interna pois procuramos completar tal alegria fora de si, no mundo. E até então, vejo isso de maneira positiva "may you live interesting times / may you find what you are looking for", sendo uma 'benção' alcançar isso. No entanto, a maldição está justamente ao outro lado - por ser um potencial de tamanha probabilidade de frustração e descontentamento; e sinaliza que dificilmente a alegria dentro de nós conseguirá abranger a plenitude que procuramos, bem como indica a insuficiência daquilo que queremos. Por isso, categorizo essa dualidade exposta na dita 'maldição' como uma insustentável leveza.

Fernando Pessoa diz algo muito plausível: "queres pouco, terás muito/ queres nada, serás livre", mas isso é muito difícil de aceitar para uma pessoa que quer muito. Acredito que, no contexto da citação, a questão do querer é no tangente da esfera das expectativas - e pois então, espere pouco e surpreenda-se com o que virá; não espere e não será dependente do que virá. Enfim! Mas isso é muito relativo: querer nada também é um problema, na maioria das vezes.

São questão admiráveis, mas que ainda pondero e reflito bastante sobre, e por isso relaciono tais divagações a filosofia do livro "The Unbearable Lightness of Being". Exponho algumas, à título de ilustração:
If Karenin had been a person instead of a dog, he would surely have long since said to Tereza, "Look, I'm sick and tired of carrying that roll in my mouth every day. Can't you come up with something different?" And therein lies the whole of man's plight. Human time does not turn in a circle; it runs ahead in a straight line. That is why man cannot be happy: happiness is the longing for repetition.

Happiness lies in repetition; repetition is at the heart of eternal return; eternal return is what gives lives weight. Because humans don't experience things circularly, events are not repeated for us, which means they don't gather weight, which means they are light – unbearably so. Hence… the unbearable lightness of being.

Kundera began his novel with a premise stated right there in his title: life is light, and is unbearable because of it. And it's not until the end of the novel that he concludes his arguments as to why that is.
Considerando o final do livro, reflito ainda mais! Além disso,
It's important to keep in mind that Kundera doesn't pose the question of whether life is heavy or light – he suggests that it is light, and then asks questions from there.

And the major question is this: which is better? Do we want lightness, or do we want weight? Which do we choose? Kundera takes a look at Parmenides, a Greek philosopher in the 5th century B.C. who considered the same question. Parmenides argued that lightness was positive and to be desired, while weight was negative. But the narrator of The Unbearable Lightness of Being isn't so sure about this (referring to the sweet lightness of being, and the unbearable lightness of being). "The heaviest of burdens is […] simultaneously an image of life's most intense fulfillment," he says. "The heavier the burden, […] the more real and truthful [our lives] become".
What makes lightness unbearable? Remember Nietzsche's interpretation of eternal return? It's scary, almost paralyzing, to think about eternal return. But on the other hand, it means our lives have meaning, significance, weight.

Espero aprimorar minhas concepções e um dia desenvolver melhor tais assuntos tão interessantes!