Palavras e a poesia da linguagem

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A dinâmica da comunicação se expõe em palavras e, sobretudo, em não-palavras; pois, por mais que se goste da expressão tangível em palavras, existe um nível subjetivo que se torna intangível e não se exprime na restrição das meras palavras - e que assim, essas se tornam meaningless. Considero isso o dilema das palavras, mas afinal, citando a música-poesia do Depeche Mode, "Enjoy the Silence",
Words are very
Unnecessary
They can only do harm
Falando em poesia, esta é a expressão máxima do trabalho literata com as palavras, segundo a reflexão linguística de que "cada palavra conta, principalmente as não ditas", como Alex Castro expõe com maestria neste texto que disserta sobre literatura:
(...) a linguagem é uma convenção humana, uma criação traiçoeira. A literatura é complexa e sempre se apresenta em forma de enigma: quanto mais parece simples, menos o é. Se for, ou não é literatura ou você perdeu alguma coisa. Enquanto a historinha acontece na superfície (o príncipe dinamarquês que vê um fantasma, o homem que vira inseto, o defunto que narra do pós-tumulo), muito mais coisa acontece abaixo, em camadas mais e mais profundas, no espaço vazio entre as letras, nas entrelinhas: o texto literário é justamente aquele que não se limita a contar uma historinha. Todo texto literário também tem algo de poesia: as palavras não transmitem apenas um conteúdo, elas são o conteúdo. O som, o ritmo, a voz, as lacunas, as aliterações, as metáforas, tudo é proposital.