Palavras e a poesia da linguagem

+ Ver comentários

A dinâmica da comunicação se expõe em palavras e, sobretudo, em não-palavras; pois, por mais que se goste da expressão tangível em palavras, existe um nível subjetivo que se torna intangível e não se exprime na restrição das meras palavras - e que assim, essas se tornam meaningless. Considero isso o dilema das palavras, mas afinal, citando a música-poesia do Depeche Mode, "Enjoy the Silence",
Words are very
Unnecessary
They can only do harm
Falando em poesia, esta é a expressão máxima do trabalho literata com as palavras, segundo a reflexão linguística de que "cada palavra conta, principalmente as não ditas", como Alex Castro expõe com maestria neste texto que disserta sobre literatura:
(...) a linguagem é uma convenção humana, uma criação traiçoeira. A literatura é complexa e sempre se apresenta em forma de enigma: quanto mais parece simples, menos o é. Se for, ou não é literatura ou você perdeu alguma coisa. Enquanto a historinha acontece na superfície (o príncipe dinamarquês que vê um fantasma, o homem que vira inseto, o defunto que narra do pós-tumulo), muito mais coisa acontece abaixo, em camadas mais e mais profundas, no espaço vazio entre as letras, nas entrelinhas: o texto literário é justamente aquele que não se limita a contar uma historinha. Todo texto literário também tem algo de poesia: as palavras não transmitem apenas um conteúdo, elas são o conteúdo. O som, o ritmo, a voz, as lacunas, as aliterações, as metáforas, tudo é proposital.

Bliss

+ Ver comentários
Bliss 1
Follow your bliss and the universe will open doors where there were only walls.
Joseph Campbell
Tão verdadeiro esse pensamento, não? E deveria ser tão simples aceitar isso, entretanto, como complicamos a vida! Dessa maneira, gostaria de tratar aqui Bliss como serene joy, que só depende do nosso interior. Interpreto isso, para mim, no sentido de estar tranquila - e viver tranquilamente - sendo uma grande opção que finalmente aprendi assimilar na minha rotina, em detrimento às atribulações.

Isso se expressa também em ser ser amável, amar, e, assim, ser tão bem amada. Um felicidade sublime.

Portanto, descubro em Coralie Clément que estou no ritmo de bossa-nova, francesa, olha! O que combina muito bem, por sinal, com a mais nova pura alegria de conseguir tocar piano popular. ;D

Desafios e complexidade do Direito

+ Ver comentários
Gostaria de compartilhar minhas alegres inspirações sobre os assuntos discutidos hoje no XIX CONGRESSO NACIONAL DO CONPEDI, com base na palestra do Prof. Dr. David Sanchez Rubio, da Universidad de Sevilla.

O CONPEDI (Conselho Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Direito) é um espaço de fomento à criação e produção de ideias no Direito, o qual ocorre por meio de palavras e interpretação. É interessante analisarmos como podemos ser os próprios criadores do campo acadêmico-científico do Direito e de como isso envolve a consciência de incorporar contextos. A proposta atual do evento é propor a consciência complexa, ou seja, o pensar no Direito uno, interligado e vinculado a várias áreas, sem separações e segmentações. Acolher contextos também significa um olhar diferenciado sob a realidade social e, para ser páreo a tal, deve ter o caráter dinâmico, contínuo e produtivo, em prol de superar os desafios. Para isso, é necessário assumir compromissos, de "falar mais do que apenas nada" e traduzir o abstrato em algo que se diz e faz, ampliando responsabilidades. Responsabilidades de inter-relação, de interdisciplinaridade, de interculturalidade, de ética, de racionalidade e enfim! Assumir um paradigma pluralista do Direito. Nos Estados Constitucionais, isso se mostra nos Direitos Humanos, por exemplo, e é a vontade de produzir e distribuir bens para satisfazer as necessidades de cada ser humano, bem como beneficiar o coletivo.

Ao CONPEDI

+ Ver comentários
"A Cláusula de Eleição de Foro no Anteprojeto do Código de Processo Civil Brasileiro: uma comparação desde a perspectiva da Convenção da Haia de 2005" - Eis o trabalho que vou apresentar no CONPEDI, Conselho Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Direito, que ocorrerá essa semana lá em Florianópolis ;)

RESUMO
As análises desenvolvidas no presente trabalho referem-se aos pilares da Convenção da Haia de 30 de junho de 2005 sobre Cláusula de Eleição de Foro em comparativo ao escopo do anteprojeto do novo Código de Processo Civil Brasileiro. Objetiva-se, neste artigo, destacar os três pilares da Convenção da Haia, comparando-os ao Código Processual Civil vigente e expondo o entendimento atual da jurisprudência brasileira. A seguir, pretende-se identificar as transformações normativas do novo Código de Processo Civil no que tange a Cláusula de Eleição de Foro para a formulação de comentários sobre adequação dessa realidade perante as diretrizes da Convenção da Haia. Assim, aponta-se como principal questionamento: Existem inovações à Cláusula de Eleição de Foro no Novo Código de Processo Civil Brasileiro e estão elas de acordo com a Convenção da Haia? O assunto, portanto, reside no aspecto da sistematização e harmonização da legislação brasileira para aplicação e execução da cláusula de eleição de foro nos contratos internacionais em conformidade com a ordem internacional, demonstrando a extrema relevância das relações jurídicas contemporâneas do Direito Internacional Privado e sua essência de autonomia da vontade.

ABSTRACT
This article analyzes the main obligations of The Hague Convention of 30 June 2005 on Choice of Court Agreements in comparison with the Bill for the new Brazilian Code of Civil Procedure. This article seeks to contrast the three pillars of The Hague Convention with the currently in force Brazilian Code of Civil Procedure and the most recent Brazilian jurisprudence on Choice of Court Agreements. In order to shed light on the normative changes of the Bill for the new Brazilian Code of Civil Procedure regarding this issue, arguments are made concerning its compliance with The Hague’s Convention line of directives. Hence, the main question is: Are there important developments concerning Choice of Court Agreements in the Bill for the new Brazilian Code of Civil Procedure; and are they in compliance with The Hague Convention on Choice of Court Agreements? Therefore, suffice it to say that the central aim of this analyzes is to indicate the harmonization and systematization of the Brazilian laws with the recognition and enforcement of the Choice of Court Agreements. Accordingly, this shown an approximation of Brazilian legislation with the international society aspirations, as to recognize the relevance of the Choice of Court Agreements to the contemporaneous judicial relations in the international commercial contracts, and in the party’s autonomy essence of Private International Law.

Eudaimonia

+ Ver comentários

From Oxford Dictionary of Philosophy, by Simon Blackburn.

Agathon
In Aristotle, a life that involves the exercise of the highest faculties, fulfilling a person's telos or end. In other philosophies the good is identified with pleasure, or virtue, or absence of desire, or conformity to duty. See also ethics, eudaimonia, summum bonum;
Eudamonism
Ethics as based on the Aristotelian notion of eudaimonia or human flourish;
Eudaimonia
From the greek - happiness, well-being, success.

"Best, noblest, and most pleasant thing in the world", said Aristotle.

The active exercise of the power of the (virtuous) soul in conformity to reason. In Nicomachean Ethics, Aristotle extols the life of study as the essential realization of eudaimonia.

Democracia não é fácil

+ Ver comentários
Rousseau, um dos grandes idealizadores da Democracia, ressalta as dificuldades de tal governo, por mais que seja o ideal.
Ademais, que de coisas difíceis de reunir não supõe tal governo? Primeiramente, um Estado bastante pequeno, em que seja fácil congregar o povo, e onde cada cidadão possa facilmente conhecer todos os outros; em segundo lugar, uma grande simplicidade de costumes, que antecipe a multidão de negócios e as discussões espinhosas; em seguida, bastante igualdade nas classes e nas riquezas, sem o que a igualdade não poderia subsistir muito tempo nos direitos e na autoridade; enfim, pouco ou nenhum luxo; porque ou o luxo é o efeito das riquezas, ou as torna necessárias, já que corrompe ao mesmo tempo ricos e pobres, uns pela posse, outros pela cobiça, vende a pátria à lassidão e à vaidade, e afasta do Estado todos os cidadãos, submetendo-os uns aos outros, e todos à opinião. Eis por que um célebre autor afirmou que a virtude é o princípio da República, pois todas essas condições não subsistiriam sem a virtude; mas, à falta de haver feito as distinções necessárias, faltou por vezes a este belo talento precisão, e inclusive clareza, pois não viu que, sendo a autoridade soberana em toda parte a mesma, o mesmo princípio deve nortear qualquer Estado bem constituído, mais ou menos, é certo, de acordo com a forma de governo. Acrescentemos que não há governo tão sujeito às guerras civis e às agitações intestinas como o democrático ou popular, pois que não há nenhum outro que tenda tão freqüente e continuamente a mudar de forma, nem que demande mais vigilância e coragem para se manter na sua.
Ironicamente, Rousseau finaliza o capítulo IV - Da Democracia, em "Le Contrat Social", com a frase:
Se houvesse um povo de deuses, ele se governaria democraticamente. Tão perfeito governo não convém aos homens.

Política é algo muito complicado - já dizia Aristóteles, sobre a sublime arte de gerenciar a Pólis. Quão mais complicado é discutir política, para mim - visto que apenas exponho concepções particulares como cidadã. Acredito, contudo, que Democracia é compartilhar - e o espaço democrático implica a igualdade de cada pensamento cidadão, com as devidas liberdades de expressão.

Logo, inserido no nosso contexto do 2º turno, exponho as duas concepções democráticas dos candidatos:
Eu queria me congratular com Marina Silva pela votação expressiva. Ela contribuiu com o jogo democrático do Brasil, afirmou Serra, em São Paulo. Ele elogiou a candidatura de Marina pela capacidade de 'atrair participação dos jovens na vida política*'.
Só o processo democrático seria capaz de operar transformação tão profunda, em espaço de tempo relativamente curto, num país marcado por séculos de injustiça e exclusão. Só a democracia, exercida no respeito à Constituição e ao Estado de Direito, permitirá consolidar e fazer avançar o processo de mudanças que fez do Brasil um país amado por seu povo e respeitado no mundo. Contados os votos, seja quem for o vencedor, será hora de somar forças, na convivência democrática, para fazer do Brasil um país ainda melhor e mais justo, governado para todos, como é hoje, e com oportunidades para todos.
Dilma, Folha de S. Paulo, 03 outubro de 2010.

A Democracia não apenas implementa concretizações, mas as consolida. A Democracia é um conjunto em prol do melhor. Os cidadãos devem prezar por isso, honrar e propagar seus pensamentos, mas com o devido respeito. Atribuo a esse termo um sentido amplo de que política deva ser algo limpo - e não degradante. Exponham-se pontos positivos e contraposições, mas em relevância a respectiva concepção - pois senão, trata-se política de nível baixo, onde a discussão apenas se restringe ao que é pior ou não. Não é essa política que acredito.

Espero que, por mais que não seja fácil, consigamos valorizar uma Democracia profícua - porque isso reflete em nós, ao Brasil que "queremos ter e ser".

*com as devidas ressalvas.

Confiança cidadã

+ Ver comentários
Votar é conceder legitimidade a representação escolhida - de acordo com a consciência de cada cidadão. É exercer o dever cívico, mas sobretudo, confiar e acreditar.



É assim que confio à presidência do Brasil - acredito e apoio. Sei que muitos 'analisam' política pelo prisma do 'menos pior' e logo preferem crer em qualquer ladainha negativa ou serem adeptos do que não vai dar certo, mas penso - com todo o devido respeito necessário as outras 'crenças políticas' - que devemos prezar pela competência e pela qualidade de um governante que possa representar o país em plenitude e governá-lo com prosperidade, e, portanto, assumir a tamanha responsabilidade e honrar o compromisso com os cidadãos brasileiros.