Amor: Easier said than done

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You gotta readjust
You must believe that you're the one
You gotta learn to trust
So tough, it's easier said than done
But is it worth the risk
Or this, has got you highly strung
it's easier said than done
Inspirada no texto de um grande escritor e escutando a poética banda Morcheeba, resolvi escrever aqui algo que sempre converso com meus amigos mas nunca realmente me dou o trabalho em desenvolver em palavras - talvez porque eu já seja sortuda o suficiente de vivenciar isso.

O texto indicado acima analisa de maneira prática a tendência dos relacionamentos não darem certo por simples erros - e muitas vezes o grande problema é que as pessoas não são conscientes desses erros ou teimam em persistir neles. Como diz a música, it's easier said than done, claro.

Se realmente não nos esforçamos ao máximo para fazer uma relação dar certo, palavras se tornam hipocrisia. Não é fácil, mas é um empenho que faz valer a pena.

Entre o que é dito e o que é feito, o primeiro esforço é na esfera individual. É imprescindível reconhecermos nossas próprias faltas e limites - e termos noção, sobretudo, que estas não são estáticas, não são defeitos de caráter formado e são sim superáveis. Uma das funções de um relacionamento é trabalhar justamente isso: crescer - sempre ser alguém melhor -, com a outra pessoa. Sendo assim, acredito que um relacionamento é um eterno processo construtivo de transformação de ambos. E se digo isso hoje, é porque aprendi muito com o meu amado.

Nesse processo de crescimento mútuo e construtivo, só existe a devida compreensão para adaptar-se e crescer nessa transformação por meio da comunicação plena. Afinal, uma relação é sobre duas pessoas em sintonia, uma em harmonia com o universo do outro. Não é preciso entender o outro completamente mas, muitas vezes, aceitá-lo - até porque, essa é uma presunção impossível (devido a complexidade do universo de outro ser) e arrogante (além do que, insistir nessa pré-concepção sobre outro pode até trazer sérios problemas, pois não necessariamente o outro é aquilo que você idealiza).

A simpatia (na concepção de Adam Smith; um assunto que ainda quero escrever sobre), a tolerância e a compreensão são fundamentais. Concluindo essa ideia sobre a comunicação plena, sabemos que esta não se conforma apenas em palavras: e diria que os momentos mais profundos de silêncio compartilhado sejam tão importantes quanto as meras e restritas palavras. A expressão deve ocorrer em vários âmbitos², seja emocional, físico, psicológico...

A plenitude disso é a felicidade de amar "apaixonando-se todo dia pela mesma pessoa". Assim, independentemente de tempo, mas talvez de uma estabilidade mutável. E se o amor é para "sempre"¹? Não importa: "Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata". Portanto, basta o feliz presente - e indiretamente é assim que se constrói um futuro.

Ademais, o texto do Riverside Hotel é mais amplo, em especial sobre questões muito pertinentes que concernem a razão quanto "Amor, via de regra, dá errado". Tenho uma opinião crítica sobre isso, como comentei lá; aqui desenvolvi os aspectos que mais me agradam. Contudo, em geral, penso que um indivíduo tem que prezar pelo seu crescimento pessoal - aprendendo com os erros da vida, especialmente os da vida amorosa - e estar em paz com a solitude. Assim, não haverá desespero em encontrar "alguém", pois é o desespero da tentativa que realmente atrapalha achar outrem. Logo, quando menos perceber, será como naquele poema clichê³ onde indivíduo já se dará conta/ou terá o encontro com alguém especial na vida para compartilhar, amar e ser feliz. Foi assim comigo, desejo sorte para quem está a encontrar o amor! ;)

  1. Isso é relativo na complicação do português - acredito que a língua inglesa expressa de maneira muito mais clara essa palavra nas formas de forever, always e everytime; vide final deste texto.
  2. Expressar-se - para si, para o companheiro e para o mundo - é extremamente importante e pode ocorrer via inúmeras modalidades, assim como eu escrevo aqui no blog.
  3. "O Jardim das borboletas" - surpreendentemente eu nunca tinha feito uma referência expressa desse poema aqui no blog: Com o tempo você vai percebendo que para ser feliz com outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama ou acha que ama, e que não quer nada com você, definitivamente, não é a pessoa da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar, não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!