Perplexidades políticas

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Existe um assunto que sempre foi muito sensível para mim. Adentro no campo das divagações que acompanham meus estudos históricos e políticos, quando penso nas situações de instabilidade sócio-política.

Assim como amor e ódio, existe um limiar muito tênue entre ordem e caos; conservadorismo e revolução. Revolução não é configurada apenas pela simples troca de ordem, mas pela transformação de todas as bases para um novo tipo, às vezes, originais. Para isso acontecer é inevitável o caos, a violência, o sangue. Mas qual é o limite? Sempre indaguei isso a Robespierre. Como fazer a transição ideal? Pois afinal, a centralização e a ordem se fazem necessárias. Sinônimos de estabilidade, não?

Refliti nessas divagações quando vi esta frase:

The worst thing you can say about a revolutionary situation is, "Things couldn't possibly get worse." Things can always get worse. If you have trouble imagining how, just wait for the revolution to unfold.

Bryan Caplan, Communism, Revolution, and Optimism

Vejo como um ciclo, quase dialético: Ordem → Insatisfação por descontentamento ou por almejar mais → Transformação instável e muitas vezes descontrolada das bases → Novo molde que precisa se estabelecer via meios legítimos que superem o caos do processo → Nova ordem (?)

Suficiente?

Paralelamente, indago na esfera moral se o caos, suas consequências e privações, é realmente válido. Então, lembro de Thoreau, no que tange a Desobediência Civil. Penso também no pacifismo de Gandhi, talvez o único digno.

Essas são reflexões melindrosas que hão sempre de me acompanhar e, de certa forma, me fascinar. Transformações (ainda mais as positivas) me fascinam, como por exemplo a Revolução Meiji, um salto único na história mundial.

No mais, as civilizações me encantam. E elas são formadas por pessoas, meros cidadãos do mundo. É preciso compreender pessoas para entender países. (E quão difícil é essa tarefa!)

Assim possuo uma visão política na filosofia aristotélica, na qual a política é a ciência que tem por objeto a felicidade humana e divide-se em ética - que se preocupa com a felicidade individual do homem na pólis - e na política propriamente dita, que se preocupa com a felicidade coletiva da pólis.

Vemos que toda cidade é uma espécie de comunidade, e toda comunidade se forma com vistas a algum bem, pois todas as ações de todos os homens são praticadas com vistas ao que lhes parece um bem; se todas as comunidades visam a algum bem, é evidente que a mais importante de todas elas e que inclui todas as outras tem mais que todas este objetivo e visa ao mais importante de todos os bens; ela se chama cidade e é a comunidade política.

Aristóteles, em 'A Política'

Por fim, me identifiquei muito com outro pensamento que encontrei hoje:

We are the world we live in, the world we love in;
In the final account, there is love and and those sharp blades... joy and hope.