J'ai de l'espoir?

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Heaven can wait

Tem como ver o olhar de uma criança e não acreditar que o mundo possa ser um lugar melhor? Ou seria tudo uma doce ilusão? Bem, eu ainda estou pensando no caso.

Por mais que o mundo goste de contrariar, gosto de pensar que precisamos de ideais e de uma visão de futuro no oriente, sem deixar de considerar um horizonte amplo. Com esperança, ideais e visão de futuro estão intrinsecamente vinculados. O mais importante é o potencial transformador disso.

A perda da esperança não é somente o desamparo do desespero quando parece não haver nada que se possa fazer. Em um sentido geral, na cultura do contentamento, muitas pessoas preferem não se envolver porque elas não veem nenhuma razão para participar - não haveria nada a lhes agregar e nada que elas poderiam contribuir. Essa é a maior constatação da desistência da iniciativa/tentativa pela falta de esperança ou visão transformadora. No mundo político, muitos preferem ficar estáticos por pesarem que já está bom daquele jeito ou somente isso é suficiente. Ou então, são enamorados com a perspectiva de curto prazo, sempre preferindo as soluções mais fáceis e menos efetivas porque muitas medidas à longo prazo não sentimos - e afinal, "o futuro pode não chegar" e elas teriam "perdido" tudo esperando por ele. É uma postura de comodidade e efemeridade, onde a esperança se torna redundância e qualquer tipo de utopia é descartada.

Ainda sim, existe uma análise muito interessante sobre a desesperança: É o medo da esperança. Um estado de desespero, pois não se trata tanto de que as pessoas estejam contentes com o que têm, mas sim do fato de que elas têm medo de perder o que têm. Em tese, possuem o que querem e não querem nada novo. Não se pode deixar o medo ofuscar qualquer possibilidade além daquilo que tem. É necessário esperança e visão para ser capaz de realizar as possibilidades de sua vida. Possibilidade de transformação é sempre um grande potencial, mas também um grande risco. No entanto, não devemos ter a angústia do controle; e sim, saber lidar com a tensão. Entre o medo e a esperança, haverão escolhas difíceis a serem feitas - e nunca poderemos ter a certeza da solução*.

Precisamos também de esperança para sermos receptivos, para ajudar a justiça substantiva a transformar o mundo, a tornar completas nossas instituições e nossas vidas.

E, em todo o caso, prefiro acreditar. "I'm a believer".

- Ideias baseadas na leitura de Zenon Bankowski, "Living Lawfully: Love in Law and Law in Love" (Kluwer Academic Publishers, 2001).

* Exceto subjetivamente, na plenitude da paz interior. É o equilíbrio da serenidade.

# Adoro trabalhar esses assuntos que envolvem a insustentável leveza do contentamento e instável satisfação do ser!