O ponto de equilíbrio do bem comum

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A barganha entre os diversos interesses e o bem comum está no cerne da gestão estatal. A questão é: Qual é o ponto de equilíbrio ideal para o desenvolvimento próspero de uma sociedade no Estado Democrático de Direito?

Bem, não sei a resposta para essa indagação, mas gosto de idealizar. É uma ponderação muito importante a ser feita, e afinal, "para construir a democracia há que imaginá-la". Acredito que o Estado deve reconhecer os anseios e as necessidades sociais, ao mesmo tempo que a sociedade tem de se colocar na posição de que ela é quem forma o próprio Estado e, assim, deve refletir pontos e contrapontos das ações que interligam todos os interesses plurais. Estes, muitas vezes, conformam-se entre público e privado, mas não é tão simplório assim.
Existe uma dicotomia equivocada entre Estado e sujeito. A autonomia privada só faz sentido perante a autonomia pública. As normas são produtos da autonomia pública dos seres envolvidos. Só haverá Estado Democrático de Direito se tivermos seres capazes de legislar para si mesmos. À medida que os direitos são produtos da autonomia pública e privada, aí estamos verdadeiramente numa sociedade democrática.

Isso implica um processo profundo de conscientização dos cidadãos, uma efetiva democracia que se realiza no espaço público, de forma legítima, mediante a persuasão do diálogo para lutar pelos direitos sociais.

Certa vez escrevi no texto "Brasil x Ideal Republicano-democrático":
Creio que existe uma relação de responsabilidade social para com o ideal republicano, primeiramente pois: "O ponto é que o regime republicano implica que aqueles que estejam em cargos de autoridade sejam ainda mais responsáveis com o que fazem e dizem (...) os políticos no Brasil estão a anos luz de saber o que implica “ser uma república” ou, menos ainda, o que seria agir com responsabilidade, mesmo que nos padrões esperados de um cidadão comum", bem como que essa responsabilidade deve partir do povo, de cada cidadão que precisa ser consciente dos deveres de sua cidadania.

Outrora escrevi em "Palavras, atitudes, mudanças":
Se quisermos fazer a diferença, precisamos sair do plano teórico e transformarmos em uma ação. É um processo muito grande: Conscientização via palavras, ações via atitudes e aí sim uma mudança concreta.

Assim, não posso deixar de citar a 'ativa iniciativa' dos capixabas em reivindicarem seus direitos no #ProtestoEmVitoria. Prefiro sempre acreditar que uma transformação é possível, contudo, demandam planejamento, integração, ação e mobilização coletiva e social.