Sobre escrever (4)

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I'd rather say less and mean more

Bem, a frase acima diz muito de como eu preferia me expressar. Contudo, sinto que para alcançar a completude da ideia que gostaria de transpassar, preciso utilizar todos os recursos linguísticos e mais um pouco - leia-se, portanto, prolixidade. Esse é só um dos problemas daquelas pessoas que acham que o que se escreveu nunca está suficiente; pior são aqueles que sofrem do problema do perfeccionismo e pensam que nunca estará suficientemente bom. Como diz o sábio Neil Gailman: "Just write". A ideal de completude (em especial no sentido de plenitude da qualidade) é utópico - se dependermos disso, nunca ousaríamos a escrever. Além disso, a escrita é apenas um meio por onde se depreende a interpretação do leitor. Esse instrumento, pois, é passível de inúmeros vícios do entendimento: Até porque, nunca conseguimos nos expressar da maneira que gostaríamos, quanto mais escrever com a devida precisão da ideia. Por isso, sempre fico com a leve agonia que existe algo a mais para ser dito, algo para se deixar mais claro... Ao mesmo tempo que sempre poderia se tornar mais simples. Sendo assim, é um grande desafio ter uma ideia e tentar expressá-la da mesma forma como a concebemos. Mas devemos tentar, pois senão, nenhum escrito há de existir.


Esse post segue as meta-reflexões anteriores (I), (II), (III).

Por fim, Saramago: "Yo no escribo para desagradar, sino para desasosegar".