Uma outra perspectiva sobre desejos

+ Ver comentários

Em diversos momentos escrevi sobre desejos e a insatisfação perante a vontade de sempre se querer algo mais, pois a insustentável leveza do ser me intriga. Não só pela literatura de Milan Kundera, mas, em especial, por vivermos isso a todo tempo pela nossa natureza humana e os rumos que escolhemos.

O vídeo acima, de um psicanalista deveras franco - que mostra a importância da singularidade da psicanálise para cada um, no ato de falar com o propósito de reflexão pessoal sobre tudo e nada para um ouvinte objetivo e imparcial - apresenta uma perspectiva diferente do que eu já escrevi. O argumento principal é que enquanto não temos o que queremos, podemos nos queixar, termos desculpas ou esperanças acerca do desejo a ser concretizado. É o típico complexo do "ai, se eu tivesse...". E se você de fato tem, e aí? Como você vai lidar, na realidade, com isso?

Platão possuía uma alegoria para descrever o homem virtuoso, cuja anima era dividida em três partes: a cabeça, representada por um pequeno homem, ou razão. O tórax, representado por um leão, ou a vontade. E o baixo-ventre, representado por uma hidra, ou os desejos.

A metáfora com a Hidra é curiosa, pois representa o eterno das cabeças cortadas simbolizando a perpetuidade dos desejos que, uma vez satisfeitos, dão origem a novos desejos. O virtuoso seria o homem que equilibrasse em seu corpo e 'anima' os três animais

Eu, particularmente, acredito muito nas realizações. Nesse contexto, o ideal para mim é serenidade e equilíbrio: "Há o desejo, que não tem limite, e há o que se alcança, que o tem. A felicidade consiste em fazer coincidir os dois".

Uma observação interessante que li hoje - Jorge Luís Borges* diz que fracasso e o sucesso são dois impostores: Ninguém tem tanto sucesso quanto fracasso porque, no fim das contas, nada disso interessa.

Um detalhe de desejarmos tanto uma coisa é que parece que a graça está no caminho dessa construção, pois a concretização nem parece ser "tão grande coisa", ao meu ver porque sempre almejamos coisas maiores ainda. Mas no meu momento agora, prestes a realizar algo que tanto quero, a ideia de estar em Harvard me parecia tão surreal que ainda nem consigo bem configurar como de fato lá vai ser, só sei que é possível e real. E que vou aproveitar esse instante de realização de um sonho o máximo possível!