Das coisas que não sabemos

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Ou preferimos não saber.

Hoje, na sala de aula, meu professor disse: "não, tudo bem vocês não saberem, é porque nós brasileiros não temos o hábito de lermos a Constituição mesmo" (tom irônico). E então, fiquei perplexa (e triste, até): Eu, como estudante de Direito, tenho um breve conhecimento sobre a Constituição, mas não o suficiente como cidadã. E uma pessoa qualquer, mas igualmente cidadã, que deveria saber dos seus direitos na carta magna? Coisas tão essenciais, básicas e elementares? Pois a Constituição é assim: Prolixa, repete tudo que precisa dizer e ainda sim não sabemos. E não temos o hábito de ler, como algo importante para nós. Não como leitura obrigatória, mas como leitura de ler e refletir, ontem, hoje, amanhã. Porque a Constituição representa o modelo que gostaríamos de ser, em normas programáticas. Para ser bem implementado, tudo precisa de conhecimento e ação. Mas falta vontade de "alguns" para isso. É nesse sentido também que às vezes somos culpados por preferir "não saber", ou "fingir" que preferimos não ver a realidade. Quanta miséria e tristeza há no mundo, mas simplesmente fechamos os olhos, como comunidade internacional. Talvez por não sabermos lidar com isso, mas é justamente isso que temos que transformar.

ps. Descobri que admiro a sinceridade acadêmica (rara na área do Direito). Antes de especulações sobre o assunto, saber do que se trata. Ler a lei e ver a razão argumentativa para solucionar questões, antes de divagar no senso comum. Conhecer a prática para poder teorizar sobre ela. Enfim, é isso que vou tentar aplicar um pouco mais para mim esse semestre!