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ONG publica anúncio com Dilma Rousseff no Financial Times

Não vou nem comentar quão caricata é a propaganda acima, mas é interessante para analisar um ponto curioso: Em meio a esse estigma da dualidade, esperávamos que a Rio +20 fizesse um milagre. Mas olha só, antes do início do evento, em 29 de maio, li um texto dizendo assim:

Quando o Riocentro fechar as portas e a Rio+20 tiver terminado, no fim de junho, o documento da conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável trará uma lista de prioridades do mundo para os próximos 20 anos. No topo da lista estará a erradicação da pobreza e, em segundo lugar, a mudança nos padrões insustentáveis de produção e consumo. O documento não será histórico. Não terá metas. Mas os processos que podem surgir daí serão fundamentais para o futuro.

Na verdade, a essência desse encontro é básica:

We acknowledge the vital importance of an inclusive, transparent, reformed, strengthened and effective multilateral system in order to better address the urgent global challenges of sustainable development today, recognizing the universality and central role of the United Nations and reaffirming our commitment to promote and strengthen the effectiveness and efficiency of the United Nations system.

E dentre tantas críticas, cabe ressaltar algo que Celso Lafer disse: “Compreendo o que levou a esse documento. O país sede não desejava que a conferência se encerrasse sem um consenso, por isso os negociadores brasileiros chegaram a esse mínimo denominador comum”.

Mas antes de reclamar, seria importante analisar de fato o documento produzido. Na primeira parte, governos reafirmam os compromissos que assumiram no Rio, em 1992. Na última, sinalizam os meios de implementação - entre financiamento e transferência de tecnologia. Já no meio é onde temos as áreas prioritárias: erradicação da pobreza; agricultura sustentável, segurança alimentar e nutrição; água; energia; turismo sustentável; transporte sustentável; cidades sustentáveis e assentamentos; saúde e população; empregos verdes; oceanos e mares; pequenas ilhas (Vitória se inclui nisso? :P); redução de risco de desastres; mudança climática; florestas; biodiversidade; desertificação, degradação da terra e seca; montanhas; químicos e resíduos; consumo e produção sustentável; mineração; educação; igualdade de gênero e "empowerment" das mulheres. Mais do que palavras, precisamos clamar é por vontade política. Simples assim.

We reiterate that each country has primary responsibility for its own economic and social development and that the role of national policies, domestic resources and development strategies cannot be overemphasized. We reaffirm that developing countries need additional resources for sustainable development. We recognize the need for significant mobilization of resources from a variety of sources and the effective use of financing, in order to promote sustainable development. We acknowledge that good governance and the rule of law at the national and international levels are essential for sustained, inclusive and equitable economic growth, sustainable development and the eradication of poverty and hunger.