Direitos e privilégios

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Recentemente escutei a frase Quanto mais privilégios, menos direitos existem. E nesse sentido, encontro o texto Essa conversa não é sobre você, que fala é difícil quando alguém nos faz enxergar nossos próprios privilégios.

O que me comove são as lágrimas daqueles que nascem e crescem sem qualquer perspectiva para alimentar o mesmo sonho que você. É sobre essas pessoas que estamos falando e não sobre você.

Ainda que todos pudessem ser privilegiados1… Contudo, a essência do privilégio é egoísta. Gananciosa. Negativamente individualista. Que não concebe o outro. Que não enxerga a miséria além da sua própria realidade de privilégios - pelo contrário, sente-se a vítima com inveja dos outros, CMS2.

Essas bases são, de fato, insustentáveis para a existência de direitos. Como queremos a construção de uma realidade justa, na base da hipocrisia?

Essa reflexão se contextualiza na discussão sobre as cotas. Existe um dado que, quando soube, jamais pude esquecer: 88% da população brasileira estuda no ensino público e estão muito longe dos privilégios, quiçá dos direitos. Como fazer de conta que isso não existe? Como negar a oportunidade só pela essência egoísta de achar que somos mais “merecedores” do que alguém? Isso não é meritocracia. (É importante ressaltar isso de vez em quando).

Por isso, basilar seria construir os pilares de igualdade social. Uma profunda reforma de mentes, não apenas de leis. A justiça precisa ser um verdadeiro meio de efetivação de direitos – e assim, quem sabe, pudesse alcançar a igualdade de fato. Um privilégio não se equipara ao valor de um direito.

O curso de Direito, em si, seria muito mais profícuo se conseguisse passar essa mensagem para as pessoas. De engajamento nessa construção da justiça, da solidariedade e da cooperação, elementos primordiais para uma sociedade harmônica. Eu acredito nesse ideal.

Mas, hoje em dia, tenho minhas dúvidas se o conhecimento realmente traz consciência. Para transformação, é necessário sensibilidade.