Paradoxos entre amor e desejo

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Rosas fotogênicas pelas quais sou apaixonada
O amor é a vontade de cuidar, de preservar o objeto cuidado. Um impulso centrífugo, ao contrário do centrípeto desejo. Um impulso de expandir-se, ir além, alcançar o que está 'lá fora'. Amar é contribuir para o mundo, cada contribuição sendo o traço vivo do eu que ama. O eu que ama se expande doando-se ao objeto amado. Amar diz respeito a autossobrevivência através da alteridade. E assim, o amor significa esse estímulo.
Se o desejo quer consumir, o amor quer possuir. Enquanto a realização do desejo coincide com a aniquilação de seu objeto, o amor cresce com aquisição deste e se realiza na sua durabilidade. Se o desejo se autodestrói, o amor se autoperpetua. Tal como o desejo, o amor é uma ameaça ao seu objeto. O desejo destrói seu objeto, destruindo a si mesmo nesse processo; a rede protetora carinhosamente tecida pelo amor em torno de seu objeto escraviza esse objeto. O amor aprisiona para proteger seu prisioneiro (?).

Desejo e amor encontram-se em campos opostos. O amor é uma rede lançada sobre a eternidade, o desejo é um estratagema para livrar-se da faina de tecer redes. Fiéis a sua natureza, o amor se empenharia em perpetuar o desejo, enquanto este se esquivaria aos grilhões do amor. E seria o desejo apenas um impulso, o amor um episódio?
BAUMAN, Zygmunt. In: "Amor líquido: Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos".

Wanderlust

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Felicidade no Lincoln Center

Recentemente, decidi colocar como plano de fundo dinâmico as mil fotos (literalmente) da minha viagem para os Estados Unidos. Pensei em selecionar as fotos que preferia que sempre aparecessem, mas me dei conta que o mais belo era vislumbrar aquelas fotos tiradas no impulso, ou aquele olhar específico consumados em instantes de captura. Para mim, isso que torna o mundo - e o nosso jeito de vê-lo, senti-lo e interpretá-lo - sensacional. Nesse sentido, não há nada melhor para descrever esse estado de espírito em querer conhecer mais o mundo do que a palavra Wanderlust, do alemão wandern (desbravar, tradução livre) e lust (desejo). Em inglês, a definição é "a strong desire for or impulse to hike, wander or travel and explore the world". Ai, ai! É isso que NY faz com você! E esse sentimento não sai mais de mim!

Árvores que me encantam - NYC

Desfrutar de todos os tempos

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Quando mal nos damos conta, os momentos são tão breves. Cabe a nós decidir com qual intensidade eles vão ficar. Atualmente, os dias hoje estão me parecendo mais longos e simultaneamente mais dinâmicos, fazendo muitas coisas em pouco tempo. Sêneca já dizia, nas Cartas para Lucílio:
Nós mostramo-nos ingratos em relação ao que nos foi dado por esperarmos sempre no futuro, como se o futuro (na hipótese de lá chegarmos) não se transformasse rapidamente em passado. Quem aproveita apenas do presente não sabe dar o correto valor aos benefícios da existência; quer o futuro quer o passado nos podem proporcionar satisfação, o primeiro pela expectativa, o segundo pela recordação; só que enquanto um é incerto e pode não se realizar, o outro nunca pode deixar de ter acontecido. Que loucura é esta que nos faz não dar importância ao que temos de mais certo? Mostremo-nos satisfeitos por tudo o que nos foi dado a aproveitar, a não ser que o nosso espírito seja um cesto roto onde o que entra por um lado vai logo sair pelo outro!
Vivendo e aprendendo sempre um pouco mais sobre a Insustentável Leveza de Ser.

Dedicatórias

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Livros e dedicatórias, belas reflexões! Não sei se já contei, mas adoro fazer dedicatórias: Em especial, nos livros que eu própria me presenteio! Relacionando, ainda, com a viagem, não há mais sublime alegria em lembrar de instantes tão simples como entrar (sempre morrendo de frio nas mãos e sempre feliz por ter descoberto algo interessante na esquina) numa livraria típica novaiorquina em prol de descobrir livros que pudessem marcar a inspiração da viagem para mim! ;)

So grand, so central

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Grand Central

Descobri o Grand Central me perdendo: E foi aí que aprendi a andar em New York! Desde então, adorei pegar metrô por lá e ir para todos as pontas da ilha de Manhattan, Up and Down, East and West... :)

E foi uma felicidade, do nada, vislumbrar o Grand Central e sua beleza! ;)

Grand Central Station
Constelações do Grand Central
Constelação no Grand Central
Algo que me impressionou!
Grand Central

Neve!

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Neve

Neve: Mais bonita de se ver do que de sentir! :P

Mas, com certeza, o instante se torna mais singelo com neve! Como era lindo, uma alegria sem precedentes, sair de um lugar e ver que estava nevando...

(Mas aí depois vinha o frio sem igual também! "brrr brrr brrr" :)

Por isso, neve é linda de se apreciar da janela do quarto, com aquela preguiça...! ;))

A nostalgia que NYC deixa

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In New York,
Concrete jungle where dreams are made of,
There's nothing you can't do,
Now you're in New York,
These streets will make you feel brand new,
The lights will inspire you,
Let's hear it for New York, New York, New York…

É curioso pensar que quando estamos lá, em New York City, tudo parece tão natural e excepcional ao mesmo tempo - porque intuitivamente somos contextualizados lá em vários filmes, programas e afins. O fato mais interessante é sentir que de fato você está andando por aquelas ruas que possuem um ar único, e aí é que você se dá conta de quão grandioso esse lugar é! These lights will inspire you... E a felicidade de estar dentro desse contexto?! There's nothing you can't so, literalmente - um mundo a parte de mil possibilidades! E bem, agora só fica a nostalgia que a cidade deixa - pois toda hora você lembra de quão incrível a cidade é; e melhor ainda, com aquela vontade de voltar!!!

Uma realização transcendental

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Eis um video para ilustrar a alegria da minha noite! Livros, para mim, são uma marca no tempo, um legado transcendental. Que inspiram, que nos instiga e que nos incentiva no caminho do conhecimento! A minha sublime felicidade foi em acompanhar a realização das aquisições de livros para a biblioteca da UFES - processo do qual pude fazer parte e fico muito feliz em ver a burocracia convertida em resultados para a comunidade acadêmica! ;DD

Estado Constitucional Cooperativo

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Semana Jurídica de 2011, com a ilustre presença da Profa. Deisy Ventura
A concepção de Estado constitucional é mútavel, em que nos tempos hodiernos o aspecto ideal-moral deve ser compreendido juntamente com o aspecto sociológico-econômico. É nesse sentido que Häberle desenvolve o conceito de Estado constitucional cooperativo, no qual o Estado encontra a sua identidade também no direito internacional, no entrelaçamento das relações internacionais e supranacionais, na percepção da cooperação e responsabilidade internacional, assim como no campo da solidariedade, correspondendo à necessidade internacional de políticas de paz.

O Estado constitucional cooperativo é a resposta interna do Estado constitucional ocidental democrático à mudança no direito internacional e ao seu desafio que levou a formas de cooperação. Estados constitucionais e direito internacional (ou relações internacionais) influenciam-se mutuamente. Assim, não há como falar em divisões entre o direito constitucional positivo e o direito internacional: Resulta-se em um só direito. De acordo com Haberle, 
O Estado Constitucional e o Direito Internacional transformam-se em conjunto. O Direito Constitucional não começa onde cessa o Direito Internacional; da mesma forma, o Direito Internacional não termina onde começa o Direito Constitucional. 
Dessa forma, as ações recíprocas são intensas e não há como se visualizar a exatidão da complementaridade (onde começa o direito constitucional e termina o direito internacional), resultando no "direito comum de cooperação": 
O Estado Constitucional Cooperativo não conhece alternativas de uma 'primazia' do Direito Constitucional ou do Direito Internacional; ele considera tão seriamente o observado efeito recíproco entre as relações externas ou Direito Internacional, e a ordem constitucional interna (nacional), que partes do Direito Internacional e do direito constitucional interno crescem juntas num todo.
Assim, a cooperação se constitui além dos Estados, pois a transformação da sociedade tende ao reconhecimento que soberania é um conceito que se funda na autodeterminação do ser humano como elemento central de sua dignidade e de seu papel como cidadão ativo do Estado Constitucional. Ou seja, a soberania não está definida pelo poder ilimitado do Estado, mas por uma atuação dos poderes internos do Estado em direção à concretização dos direitos humanos. Os pactos internacionais de direitos humanos, como a Carta Europeia de Direitos Humanos, concretizam e dão mais força a essa ideia de soberania.

Contudo, uma ressalva: Há uma tênue linha em expandir cooperação para intervenção - e isso é deveras melindroso. É por isso que devemos acompanhar com cautela o desenvolvimento da nova teoria da "Responsabilidade de Proteger". Nesse sentido, compartilho uma perspectiva crítica muito interessante da Prof. Deisy quanto a esse princípio no contexto da Primavera Árabe:

Das coisas que não sabemos

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Ou preferimos não saber.

Hoje, na sala de aula, meu professor disse: "não, tudo bem vocês não saberem, é porque nós brasileiros não temos o hábito de lermos a Constituição mesmo" (tom irônico). E então, fiquei perplexa (e triste, até): Eu, como estudante de Direito, tenho um breve conhecimento sobre a Constituição, mas não o suficiente como cidadã. E uma pessoa qualquer, mas igualmente cidadã, que deveria saber dos seus direitos na carta magna? Coisas tão essenciais, básicas e elementares? Pois a Constituição é assim: Prolixa, repete tudo que precisa dizer e ainda sim não sabemos. E não temos o hábito de ler, como algo importante para nós. Não como leitura obrigatória, mas como leitura de ler e refletir, ontem, hoje, amanhã. Porque a Constituição representa o modelo que gostaríamos de ser, em normas programáticas. Para ser bem implementado, tudo precisa de conhecimento e ação. Mas falta vontade de "alguns" para isso. É nesse sentido também que às vezes somos culpados por preferir "não saber", ou "fingir" que preferimos não ver a realidade. Quanta miséria e tristeza há no mundo, mas simplesmente fechamos os olhos, como comunidade internacional. Talvez por não sabermos lidar com isso, mas é justamente isso que temos que transformar.

ps. Descobri que admiro a sinceridade acadêmica (rara na área do Direito). Antes de especulações sobre o assunto, saber do que se trata. Ler a lei e ver a razão argumentativa para solucionar questões, antes de divagar no senso comum. Conhecer a prática para poder teorizar sobre ela. Enfim, é isso que vou tentar aplicar um pouco mais para mim esse semestre!

Entre o sonho e a realidade

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Demorei para voltar a atualizar o blog porque estava num clima de "ainda estou chegando de viagem". Parece que vivi tanta coisa em pouco tempo que ainda estou compreendendo as experiências. Depois de passar um tempo no frio, estava sentindo falta das coisas mais simples: De estar apenas de vestido, de sair tranquila na rua, do sol e do calor, da praia e das amigas... E assim, estava morrendo saudade da minha cidade linda e da minha vida por aqui! Mas, de alguma maneira, há a nostalgia dos dias que não voltam mais... 

E para representar esse meio tempo entre o sonho de viagem e o retorno para o Brasil, coloco as fotos dos meus dias no RJ - ou melhor, em Niteroi. Não é absolutamente lindo lá?

RJ

Solitude
 "Wait for me somewhere between reality and all we've ever dreamed".
I hear in my mind all of these voices
I hear in my mind all of these words
I hear in my mind all of this music...

Chegando em casa, com as mil compras e presentes!
obs. foto do tablet! ;D

Um sonho de viagem

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O mês de fevereiro passou, mas fica a nostalgia de um sonho de viagem. Como transpor experiências tão sublimes em palavras? Eis o desafio que tenho em tentar compartilhar um pouco da viagem por aqui. New York City, sempre impressionante e apaixonante; Boston, tranquila e aconchegante; e claro, o privilégio da conferência em Harvard. De pouco a pouco, vou fazer posts separados sobre as minhas perspectivas nesses lugares excepcionais! No último dia da viagem, me dei conta de quão sortuda fui: Depois de tantos planejamentos e ansiedade, deu tudo muito mais certo do que eu poderia imaginar. E essa é uma palavra para descrever a viagem: Surpreendente. Surpreendente por conhecer um novo mundo, novas realidades, pessoas queridas e peculiares! Assim, só ficam os sorrisos das fotos para contarem história...
Primeira noite na Times Square, alegria!
Lincoln Center, meu lugar predileto!!!

Descobri uma grande paixão: A alegria de patinar!!! 
Último dia: Uma vista excepcional da janela do quarto...