Desconhecido

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Mas quero encontrar a ilha desconhecida, quero saber quem sou eu quando nela estiver, Não o sabes, Se não sais de ti, não chegas a saber quem és (...)

Que é necessário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não nos saímos de nós, Se não saímos de nós próprios, queres tu dizer, Não é a mesma coisa (...)

Mas já estamos na água, Sempre tive a idéia de que para a navegação só há dois mestres verdadeiros, um que é o mar, o outro que é o barco, E o céu, estás a esquecer-te do céu, Sim, claro, o céu, Os ventos, As nuvens, O céu, Sim, o céu.

-- José Saramago, O conto da ilha desconhecida.

Felicidade clandestina

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Esse poema já apareceu por aqui outrora, mas hoje em dia faz muito mais sentido para mim:

Há momentos na vida
em que sentimos tanto a falta de alguém
e que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.

Direitos e privilégios

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Recentemente escutei a frase Quanto mais privilégios, menos direitos existem. E nesse sentido, encontro o texto Essa conversa não é sobre você, que fala é difícil quando alguém nos faz enxergar nossos próprios privilégios.

O que me comove são as lágrimas daqueles que nascem e crescem sem qualquer perspectiva para alimentar o mesmo sonho que você. É sobre essas pessoas que estamos falando e não sobre você.

Ainda que todos pudessem ser privilegiados1… Contudo, a essência do privilégio é egoísta. Gananciosa. Negativamente individualista. Que não concebe o outro. Que não enxerga a miséria além da sua própria realidade de privilégios - pelo contrário, sente-se a vítima com inveja dos outros, CMS2.

Essas bases são, de fato, insustentáveis para a existência de direitos. Como queremos a construção de uma realidade justa, na base da hipocrisia?

Essa reflexão se contextualiza na discussão sobre as cotas. Existe um dado que, quando soube, jamais pude esquecer: 88% da população brasileira estuda no ensino público e estão muito longe dos privilégios, quiçá dos direitos. Como fazer de conta que isso não existe? Como negar a oportunidade só pela essência egoísta de achar que somos mais “merecedores” do que alguém? Isso não é meritocracia. (É importante ressaltar isso de vez em quando).

Por isso, basilar seria construir os pilares de igualdade social. Uma profunda reforma de mentes, não apenas de leis. A justiça precisa ser um verdadeiro meio de efetivação de direitos – e assim, quem sabe, pudesse alcançar a igualdade de fato. Um privilégio não se equipara ao valor de um direito.

O curso de Direito, em si, seria muito mais profícuo se conseguisse passar essa mensagem para as pessoas. De engajamento nessa construção da justiça, da solidariedade e da cooperação, elementos primordiais para uma sociedade harmônica. Eu acredito nesse ideal.

Mas, hoje em dia, tenho minhas dúvidas se o conhecimento realmente traz consciência. Para transformação, é necessário sensibilidade.

Eternal sunshine

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Não há realização maior na vida do que amar. E de um filme que eu abstraia por não querer entender as complicações e as tristezas, tiro como lição que sempre há um eternal sunshine no amor - transcendental.

But the funny thing about love is, it can survive the circumstances of its ending; we remember good times better than bad ones, and Joel decides in mid-process that maybe he would like to remember Clementine after all. "It's Easy to Remember (And So Hard to Forget)".

Tempo ao tempo

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Dia dos pais, ainda que seja uma mera convenção - a necessidade de firmar uma data para saber reconhecer o valor do outro - é um dia bonito de união. Muitas famílias felizes e fotos, mas escrevo justamente para aqueles que não tem isso, lendo (aleatoriamente) esse texto. Já escrevi um pouco desse assunto aqui, mas cada um que vive isso possui uma dor muito particular. Não é fácil não poder contar com o verdadeiro apoio de um pai ou não ter o amor pleno de um filho, mas a única coisa que posso dizer é que não se deve desistir. Devemos lutar pelo amor. Devemos valorizar o diálogo e a compreensão, por mais impossível que seja. Não devemos nutrir expectativas, mas também não podemos perder a esperança - de que o tempo é um remédio que ameniza. Não cura, não resolve, não faz milagres. Mas a paciência nos mostra que as coisas podem mudar. Tempo ao tempo. O lapso e a abstração do tempo são sábios. Tem seus pesares (afinal, o tempo que passa não retorna mais), mas muitas vezes é o mais saudável para os dois lados. Tempo: de paz, reflexão, transformações.

A ditadura do tempo

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Gosto de dissertar (e divagar) sobre o tempo. O budismo diz que o que nos causa sofrimento é viver no passado e projetar o futuro, sendo que um não existe mais e o outro não chegou. E de certa maneira, estamos dentro de uma ditadura do tempo: Ou somos novos demais, ou estamos muito velhos - A “juventude” passa por uma crise de identidade perante a ansiedade (e a pressão* – aqui jaz uma crítica ao modelo de ensino pró-vestibular e profissionalismo, sem valorizar a universidade como um lugar acadêmico do conhecimento) de “sermos alguém no mundo”. E depois, aos “velhos”, só resta a nostalgia de ser jovem. Paradoxal, não?

Contra ansiedade, gosto de pensar que o futuro é o que construímos dia após dia, no presente. E acho que isso significa justamente sonhar e planejar mil coisas a frente também!

Penso que cada um tem seu ritmo, suas experiências de vida que o formam como pessoa e transformam seu caminho. Quero para sempre uma jornada jovem e sábia! ;)

Oh! do not attack me with your watch. A watch is always too fast or too slow. I cannot be dictated to by a watch.

ps. sim, estou apaixonada pelos desenhos da Inslee.

Jane Eyre e o feminismo

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Jane Eyre, de Charlotte Brontë, representa a essência da minha concepção de vida e amor, até hoje. É meu livro predileto de todos os tempos, competindo com A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera. Se um dia eu tiver uma filha, não tenho dúvidas que esse é o livro que tenho que ler para ela. ;P

Lembrei disso pela paixão intrínseca que tenho só de olhar as passagens do livro, como expus aqui.

Olimpíadas: Conquistas e expectativas

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Há quem diga que o Brasil está “botafogueando” nas olimpíadas. Como botafoguense nata, que acredita no esporte e na fé, creio que não é bem assim. Esporte é disciplina, força de vontade, garra e muito, muito esforço. Dedicação e até mesmo abdicação. Cobrança e pressão. E às vezes, para quem só se importa com o resultado, parece que o processo é muito simples - ganhar medalhas não seria mais do que a obrigação do atleta.

Como tudo na vida, não é uma questão de ser melhor do que os outros, mas dar o melhor de si. E isso é um longo caminho – em que a medalha é só o reconhecimento e a realização de uma etapa.

Acredito que cada esforço é valoroso por si só: A vitória do Brasil contra a Rússia, no vôlei feminino, já foi um ouro – batalhado, sofrido, árduo; logo, muito especial.

O esporte tem uma capacidade única: Despertar em todos nós aquela vontade de ganhar, de ultrapassar limites, de superar barreiras. De querer sempre alcançar mais, de ver que é possível atingir aquilo que parecia ser impossível. Sobretudo, é um ímpeto de querer ser melhor. Assim, é claro que o objetivo é a conquista: Mas as expectativas não podem ser destrutivas.

Para àqueles que torcem, acompanhar é revigorante. Acho impressionante como se faz um vínculo de identidade, união. É apreensivo, às vezes, como os match points do jogo do vôlei ou o gol e rápido contra ataque no handebol. Ah, que saudade de jogar handebol! Esporte é vigor – observa-se em cada olhar dos atletas, vejam essas fotos sensacionais do Big Picture.


Mas nunca, jamais, podemos desmerecer o esforço de alguém: Não aceitar a derrota como parte do processo ou descontar frustrações e desvalorizar um atleta é a pior postura que pode ser apresentada.

Que o Brasil possa reconhecer o mérito das suas vitórias, especialmente de cada conquista que não necessariamente se traduz em medalhas, bem como saiba lidar dignamente com o que não conseguiu ganhar.

O Direito Internacional e seus mistérios

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Ministro Celso Amorim no VIII Curso de Inverno de Direito Internacional do CEDIN, em Belo Horizonte, Julho 2012

"O Brasil almeja a paz e dela se beneficia", diz o Ministro Celso Amorim. Segundo ele, O Brasil conjuga duas linhas de defesa: A primeira é sempre a diplomacia, a solução pacífica de resolução de controvérsias, a paz e a cooperação entre os povos e o respeito ao direito internacional. Devemos prezar pelo diálogo e o compromisso com o direito internacional - a própria formação da nossa sociedade nos propicia lidar com a complexidade e prover posições equilibradas na comunidade internacional.

Como sabem, sou uma apaixonada pela vida acadêmica e pelo Direito Internacional. Participei de um curso em que tive o privilégio de escutar o Ministro Celso Amorim e ter aulas com grandes professores, como o Alain Pellet, que discutia sobre os mistérios do Direito Internacional. Ele utilizava essa denominação no contexto de não haver explicação para certos fenômenos - e questões tão interessantes - que aparecem no Direito Internacional. Na verdade, para mim a eficácia do Direito Internacional reside no comprometimento e em algo maior, como li em uma frase na biblioteca de Harvard:

Scire leges non hoc est verba earum tenere sed vim ac potestatem.

To know the law is not merely to understand the words, but as well their force and effect.

Justinian, Digest, Book 1, Title 3, 17.

Em breve, mais uma vez terei a oportunidade de apresentar um trabalho na Academia Brasileria de Direito Internacional. Ano passado, ouvi um discurso com palavras-chave que são essenciais nesse contexto: Wisdom and Will + Global Concern + Democracy + Freedom.

IX Congresso da Academia Brasileira de Direito Internacional, em Brasília, Agosto de 2011

Encantador

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Em uma das obras de arte em Inhotim, havia um belo poema sobre a experiência artística que resume como lá é um lugar extraordinário:

[...] produce profound and acute changes in the sphere of experience, in the perception of reality, changes even of space and time...
Retaining full consciousness, the subject experiences a kind of dream-world, which in many respects seems to be more real than the customary normal world. Objects and colors, which generally become more brillant, lose their symbolic character; they stand detached and assume an increased significance, having, as it were, their own more intense existence.

RICHARD E. SCHULTES & ALBERT HOFMANN.


E recentemente li um bom conceito de arte:

Arte. A indefinição mais bela produzida pelo (in)consciente dos animais humanos. A percepção de mundo exteriorizada na constituição; o entendimento do outro interiorizado na interpretação. Arte. Enxergar o que se quer ver. Uma socialização individual.

Novos ares

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Como no clássico "Mágico de Oz", é desbravando o ideal mágico que Dorothy pode afirmar com plena certeza que there's no place like home. Acredito que esse paradoxo é o que deixa a vida mais interessante, na mutabilidade do constante. Sobretudo, é contraposição desses limites que torna esse paradoxo tão singular - e importante: afinal, "nós somos os limites da nossa compreensão" e é justamente nesse processo que ampliamos e ressaltamos nossas perspectivas de mundo.


Assim, novos ares são sempre necessários. Vale dizer que um singelo exemplo disso é a cara nova do blog, que estava precisando de um novo tom, ainda mais bonito! Transformações (mudanças, literalmente, uma nova etapa para mim!) e fugas são inerentes a rotina. E como amo minha rotina! Nada como passar um tempo fora de Vitória para voltar mais apaixonada pela vida na minha cidade.

Curioso é notar que o paradoxo entre a fuga e a rotina nem sempre são lineares: depois de tanto tempo querendo viajar, na véspera queria adiar a passagem e, perante a efemeridade das expectativas, de fato pode-se realizar o valor da estabilidade. Para mim, o mistério da felicidade reside nesse equilíbrio - que não seja estático, mas sempre construtivo. É um desafio: Aprimorar o que temos e saber desejar o que queremos.