Who?

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Eu não esperava que o sétimo episódio da nova sétima temporada de Doctor Who - que veio como belíssimo presente de aniversário para mim - fosse ser tão bonito. Um dos melhores episódios já feitos, sem dúvidas, para iniciar a especial comemoração de 50 anos da série. Uma série que trata de tempo e espaço; universo e humanidade; amor e perda; dor e alegria; mistérios e descobertas. Sobretudo, conta histórias de como cada um é singelo ao mundo na sua própria maneira - perante uma existência comum ou extraordinária, todos vivemos dilemas, temos diversas aspirações e compartilhamos vários dramas. E isso tudo transcende nós mesmos.

"All the elements in your body were forged many, many millions of years ago in the heart of a faraway star. It exploded and died. That explosion scattered those elements across the destinations of deep space. After so, so many millions of years, these elements came together to form new stars and new planets and on, and on it went. The elements came together and burst apart forming shoes and ships and sealing wax and cabbages and kings. Until, eventually, they came together to make you. You are unique in the universe."
Carl Sagan would be proud! =)

Porque a vida, individual ou coletiva, pessoal ou histórica, é a única entidade do universo cuja substância é o perigo. Compõe-se de peripécias. É, rigorosamente falando, drama. (...) Nós não nos demos a vida, mas esta nos é dada; encontramo-nos nela sem saber como nem por quê; mas do facto de que ela nos é dada resulta que temos de fazê-la nós mesmos, cada um a sua. (...) A cada minuto precisamos de decidir o que vamos fazer no minuto seguinte, e isto quer dizer que a vida do homem constitui para ele um problema permanente.

Ortega y Gasset, in "A Rebelião das Massas" e "O Livro das Missões"

E, no final das contas, resta a pergunta existencial: Quem somos e o que queremos ser? Faz tempo que gostaria de escrever um post intitulado "Qui suis-je", mas nada melhor do que Doctor - Who - para trabalhar essa reflexão! :)

Enfim, enfim quebrara-se realmente o meu invólucro, e sem limite eu era. Por não ser, era. Até ao fim daquilo que eu não era, eu era. O que não sou eu, eu sou. Tudo estará em mim, se eu não for; pois 'eu' é apenas um dos espasmos instantâneos do mundo. Minha vida não tem sentido apenas humano, é muito maior - é tão maior que, em relação ao humano, não tem sentido. Da organização geral que era maior que eu, eu só havia até então percebido os fragmentos. Mas agora, eu era muito menos que humana - e só realizaria o meu destino especificamente humano se me entregasse, como estava me entregando, ao que já não era eu, ao que já é inumano. E entregando-me com a confiança de pertencer ao desconhecido. Pois só posso rezar ao que não conheço. E só posso amar à evidência desconhecida das coisas, e só me posso agregar ao que desconheço. Só esta é que é uma entrega real.

Clarice Lispector, in 'A Paixão Segundo G.H'