Vida de pesquisadora | Questionário

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Uma estudante de Direito da UFRGS que conheci no Curso de Inverno do CEDIN me entrevistou para um interessante projeto extracurricular! O propósito é auxiliar estudantes brasileiros de direito internacional, já que muitos iniciam esse caminho sem qualquer tipo de orientação; sendo extremamente frustrante e negativamente decisivo em potenciais carreiras acadêmicas. O intuito inicial é fazer uma pesquisa sobre os padrōes técnicos de pesquisadores de destaque no âmbito da iniciação científica - me sinto extremamente feliz em poder contribuir e compartilhar um pouco das minhas experiências na área!

Antes das perguntas e respostas, algumas considerações preliminares:
• Acredito que se deve pesquisar porque gosta e aí realmente se engajar; Gosto de pesquisas desenvolvidas com dedicação e paixão, tendo uma verdadeira afinidade para conseguir pesquisar o tema “até esgotar”. E aí “arejar” a mente de novo;
• Duas qualidades importantes para a vida acadêmica: ser solícito e ter boa vontade;
• Dois atributos do pesquisador: Autonomia e independência – é extremamente necessário ter uma postura proativa e não dependente. Ninguém vai “pegar sua mão” e fazer por você ou te mostrar exatamente como é;
• Duas motivações: Aprender e compartilhar;
• Acredito que é importante ter convicção - pesquisar porque acredita naquela tese, naquele assunto; mas isso não pode se transformar em presunção acadêmica.
• É preciso ter humildade acadêmica: sempre ouvir, saber respeitar e aprender com cada contribuição, ainda que diversa;
• Valorizo muito a honestidade acadêmica e um trabalho metodologicamente bem feito;
• É preciso sempre ter vontade de aprender mais; É com a opinião divergente que você pode tornar sua pesquisa mais consistente – por isso, não se deve ter receios da crítica ou da opinião contrária, já que são extremamente necessárias e construtivas;
• É interessante também abrir o leque de público - ver como pessoas fora da área jurídica reagem a sua pesquisa;
• Duas coisas que admiro: Competência e eficiência;
• Aconselho que se aproveite toda oportunidade que aparece (toda experiência é válida), mas é importante avaliar e também saber dizer não;
• É imprescindível a sinceridade consigo próprio do que é possível assumir ou não; das suas limitações – disponibilidade e etc;
• É interessante analisar também o que você pode superar e depois ver que é sim possível fazer o que você achava impossível ou não se considerava capaz; assim, sempre nos descobrimos mais e temos novas perspectivas;
• É preciso ter um horizonte aberto para que novas oportunidades sempre apareçam e saber que esforços mínimos ou pequenas atitudes podem fazer a diferença, mesmo sem apresentarem um propósito/retorno pragmático.

1) Que vantagens você acredita que a pesquisa traz a longo prazo? Você acredita que ela contribui para a concretização das suas aspirações profissionais?
Comecei a me envolver com a pesquisa com o simples propósito de estudar mais o que gosto e foi a melhor escolha que poderia fazer: pesquisar amplia horizontes, te faz descobrir novos universos e sem dúvidas agrega perspectivas que podem impactar no âmbito profissional. As vantagens a longo prazo, portanto, é ter um conhecimento mais aprofundado da matéria que você se interessa e poder se especializar em um determinado assunto. Essa característica é bastante importante para qualquer um na área do Direito. Em especial, na nossa área, faz-se necessário ir além das meras aulas pragmáticas e a pesquisa possibilita esse campo. Como consequência dos anos de pesquisa, você adquire atributos acadêmicos necessários – como organização de ideias, saber problematizar um assunto, saber expor cientificamente um tema. Para mim, que me apaixonei pela vida acadêmica, pesquisar é uma forma de expressar a realização das minhas aspirações.

Arte e sonhos europeus

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Março começou com essa imagem no meu calendário lindo e, antes do mês terminar, preciso fazer menção dessas expectativas!

Sempre soube que meu quadro predileto era especial, mas nunca tinha visto esse efeito assim! Demais! ;)

E não vejo a hora de poder apreciar ao vivo aos obras dos meus pintores favoritos, no Van Gogh Museum e no Musée d'Orsay!!! Vou estar realizando um sonho! Em breve, espero poder fazer mil e um posts sobre os planos europeus!

Do retorno ao ballet

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Eu poderia estar nadando, eu poderia estar malhando, eu poderia estar fazendo yoga, mas resolvi concretizar minha meta de ano novo - voltar para o Ballet, em razão de ser algo que tanto gosto, apesar dos mil problemas. O ballet reúne uma série de encantos e recentemente me dei conta que, quando pequenininha, um dos motivos que me fez começar a tocar piano foi justamente o ballet - pois dançava com uma pianista maravilhosa tocando. Esses dias sonhei que estava em um teatro sensacional como se fosse uma universidade para mim, melhor do que a Sala São Paulo e era tudo tão lindo - eu estava tão engajada, não sabia se dançava ou se tocava piano! Ô, dúvida cruel tão boa! :)


Assim, escolhi fazer ballet na medida do possível - mesmo com todas as limitações de tempo e pós-traumas de joelho e afins - sobretudo por considerar que o ballet é um ótimo exercício físico e a dança é a melhor terapia que há. Mas se eu pudesse dar um conselho, diria: "por favor, bailarinas, não parem de dançar!". Nesses momentos, só penso uma coisa - ainda bem que eu nunca parei de tocar piano e vou morrer sendo uma eterna amadora! Porque como é difícil ter que reaprender tudo de novo, ter que superar novas barreiras que antes eram tão simplórias e ter que se readaptar a toda uma dinâmica que só o ballet tem. Mas penso que esse é um processo importante e que faz parte, apesar de eu já estar velha para essas coisas. Descobrir (penosamente) uma nova linha de ballet contemporâneo enquanto tudo que sei é metricamente pautado no ballet clássico se torna um desafio bastante diferente e interessante! Só tentando e insistindo para saber, né?

Vai me dizer que não é lindo ver quem dedica uma vida em prol das artes? Em algum mundo ideal, era tudo que eu queria para mim. Como aluna eletiva do curso de graduação de Música da UFES, queria poder trocar de curso (ai, se eu tivesse descoberto essa matéria quando caloura!) e treinar piano o dia todo, sendo essa a minha única preocupação. :P


Sei que, quando menor, tive a opção de poder me dedicar mais ao ballet e quem sabe até escolher isso para a minha vida: Mas desde lá já sabia que o mundo ideal não era tão ideal assim...

Mulheres e feminismo

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Tenho muitos amigos que me chamam de feminista só porque gosto de pagar minha própria conta. Mas isso é apenas uma expressão da minha autonomia de vontade e independência, algo que prezo bastante. Eu, particularmente, não gosto do argumento de subjulgação que muitos utilizam como única base para o feminismo, causando uma revitimização.

Uma coisa é certa: enquanto o machismo prega a dominação dos homens na sociedade, o feminismo clama por direitos iguais, por um equilíbrio que ainda está longe de existir. Mas isso não significa levar ao extremo e dizer que nós, mulheres, somos superiores ou deveríamos ser "anti-man" e contrárias a todas as tradições. Hoje em dia, ao meu ver, lutar pelo feminismo é lutar pela liberdade, em especial, a liberdade de escolha. Isso é tão precioso e ao mesmo tempo complexo de se lidar. O feminismo ao extremo não pode impor modelos, bem pelo contrário: deve prezar pela autonomia da mulher escolher o que ela bem entender. E ter todas as condições para fazer isso prosperar.

Domingos

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Para encerrarmos um domingo tranquilo, um bom poema de Leminski!

Bem no Fundo


no fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nosso problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela -- silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas

Significações

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O livro que mais almejo ler e plenamente compreender se chama O Mundo como Vontade e Representação, de Schopenhauer. Prometo que um dia escreverei sobre isso, mas, a reflexão básica de hoje é pautada em um filme que a minha melhor amiga amou, Life of Pi. Como ponto principal identifico como o homem precisa, necessita, faz questão de atribuir significados aos atos e não consegue aceitar que as coisas simplesmente são. Uma cena marcante (spoilers!) foi a última vez que vemos o "tigre", em que ele desaparece na mata "sem nem dar tchau".