As mais belas palavras já escritas

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Em homenagem ao dia de Shakespeare e aos planos londrinos com a Gabi, não posso deixar de compartilhar as mais belas palavras concebidas em inglês britânico! :)

Doubt thou the stars are fire;
Doubt that the sun doth move;
Doubt truth to be a liar;
But never doubt I love.
Hamlet, 1.2.123-6
What made me love thee? let that persuade thee
there's something extraordinary in thee. I cannot: but I love thee; none
but thee; and thou deservest it.
The Merry Wives of Windsor, 3.3.59...
One half of me is yours, the other half yours
Mine own, I would say; but if mine, then yours,
And so all yours.
The Merchant of Venice, 3.2.17-9
My bounty is as boundless as the sea,
My love as deep; the more I give to thee,
The more I have, for both are infinite.
Romeo and Juliet, 2.2.139-41
Let me not to the marriage of true minds
Admit impediments. Love is not love
Which alters when it alteration finds,
Or bends with the remover to remove:
O no! it is an ever-fixed mark
That looks on tempests and is never shaken;
It is the star to every wandering bark,
Whose worth's unknown, although his height be taken.
Love's not Time's fool, though rosy lips and cheeks
Within his bending sickle's compass come:
Love alters not with his brief hours and weeks,
But bears it out even to the edge of doom.
If this be error and upon me proved,
I never writ, nor no man ever loved.
Sonnet 116

Realizando sonhos

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De tanta espera e ansiedade, eu já estava até desacreditada... mas a minha feliz notícia de 2013 chegou e prevejo que serei muito realizada com os estudos na The Hague Academy of International Law!


Agora, mil coisas para planejar! Além de deixar um espaço para as surpresas do Wanderlust - não há sensação melhor do que essa em poder desbravar algo completamente novo! Na minha última aula de francês, descobri o verbo "flâner" - se promener sans but précis , com um senso de liberdade único. Senti isso andando sem mapa por NY :P e não que eu queira me perder pela Europa, mas... tenho muito a descobrir além mar =)



Temporada de Carlos Gomes

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No início do ano, quase toda semana ia no cinema. Já durante março/abril, não perdi uma oportunidade de ir ao Theatro Carlos Gomes - além, claro, de ser uma desbravadora do centro da cidade! Gostaria que fosse possível compartilhar a sensação única que senti ao escutar ao vivo "Scheherazade", de Rimsky Korsakov, ou a alegria de ter assistido um belíssimo ballet e ainda poder ter tido a melhor aula de ballet clássico no dia seguinte no mesmo palco do teatro, mas ficam as singelas fotos para lembrarmos dos momentos, não?!



Esses foram verdadeiros presentes de aniversário para mim! =)

Contemporâneo

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Enquanto sou tão clássica, preciso fazer menção a essa dança que mudou minha vida: Sentir paixão, amor intenso, entrega e brasilidade de duas pessoas em um só movimento, concretizando o poema de Leminski:

"basta um instante
e você tem amor bastante".

Parabéns à Companhia de Dança de São Paulo que fez um ótimo espetáculo por aqui, no início do mês abril! Agora quero uma Companhia de Dança capixaba também!!!

Contra o tempo

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Ultimamente - todos os dias, na verdade - tenho me sentido correndo contra o tempo. Parei para pensar: Porque mesmo? Porque estou sem tempo até para o blog, alegria das minhas horas vagas? Aí lembro que tenho um prazo atrás de outro prazo (quando eu acho que acabei um aparece outro!), piano, ballet, francês, espanhol, estágio, trabalhos, pesquisa, grupos de estudos, projetos da Associação Brasileira dos Estudantes de Arbitragem e Ufes, né!


Talvez eu só esteja com saudades dos dias de greve, onde somente me dedicava a minha vida acadêmica e fazia tudo que não posso fazer na rotina atribulada: ler meus livros de literatura, estudar francês e espanhol direitinho, ir na academia com fidelidade, ter tempo com as minhas amigas e terapia...

Curioso é que até esses dias de greve eram cheios demais e quanto mais coisas você faz, mais coisas aparecem para fazer! Quando paro para lembrar desse mesmo período no ano passado, me pergunto como consegui fazer tanta coisa ao mesmo tempo, assumindo tantos projetos e obrigações concomitantes - mas acredito que o momento atual está páreo a páreo ou até com o tempo mais ocupado! A graça dos meus dias agora é quando consigo passar uma tarde tranquila em casa ou olho para o relógio atrasado!!!


Roda Viva

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De todos os desejos de aniversário que são feitos - felicidades no dia especial e em todos os outros, com alegria, amor e paz - três se destacaram para mim: serenidade suficiente para fazer escolhas, emoção para viver todas as possibilidades e saber lidar com a roda viva.

A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...

No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...

O paradoxo do entendimento

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Mas de vez em quando vinha a inquietação insuportável: queria entender o bastante para pelo menos ter mais consciência daquilo que ela não entendia. Embora no fundo não quisesse compreender. Sabia que aquilo era impossível e todas as vezes que pensara que se compreendera era por ter compreendido errado. Compreender era sempre um erro - preferia a largueza tão ampla e livre e sem erros que era não-entender. Era ruim, mas pelo menos se sabia que se estava em plena condição humana.

Clarice Lispector, in 'Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres'

Who?

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Eu não esperava que o sétimo episódio da nova sétima temporada de Doctor Who - que veio como belíssimo presente de aniversário para mim - fosse ser tão bonito. Um dos melhores episódios já feitos, sem dúvidas, para iniciar a especial comemoração de 50 anos da série. Uma série que trata de tempo e espaço; universo e humanidade; amor e perda; dor e alegria; mistérios e descobertas. Sobretudo, conta histórias de como cada um é singelo ao mundo na sua própria maneira - perante uma existência comum ou extraordinária, todos vivemos dilemas, temos diversas aspirações e compartilhamos vários dramas. E isso tudo transcende nós mesmos.

"All the elements in your body were forged many, many millions of years ago in the heart of a faraway star. It exploded and died. That explosion scattered those elements across the destinations of deep space. After so, so many millions of years, these elements came together to form new stars and new planets and on, and on it went. The elements came together and burst apart forming shoes and ships and sealing wax and cabbages and kings. Until, eventually, they came together to make you. You are unique in the universe."
Carl Sagan would be proud! =)

Porque a vida, individual ou coletiva, pessoal ou histórica, é a única entidade do universo cuja substância é o perigo. Compõe-se de peripécias. É, rigorosamente falando, drama. (...) Nós não nos demos a vida, mas esta nos é dada; encontramo-nos nela sem saber como nem por quê; mas do facto de que ela nos é dada resulta que temos de fazê-la nós mesmos, cada um a sua. (...) A cada minuto precisamos de decidir o que vamos fazer no minuto seguinte, e isto quer dizer que a vida do homem constitui para ele um problema permanente.

Ortega y Gasset, in "A Rebelião das Massas" e "O Livro das Missões"

E, no final das contas, resta a pergunta existencial: Quem somos e o que queremos ser? Faz tempo que gostaria de escrever um post intitulado "Qui suis-je", mas nada melhor do que Doctor - Who - para trabalhar essa reflexão! :)

Enfim, enfim quebrara-se realmente o meu invólucro, e sem limite eu era. Por não ser, era. Até ao fim daquilo que eu não era, eu era. O que não sou eu, eu sou. Tudo estará em mim, se eu não for; pois 'eu' é apenas um dos espasmos instantâneos do mundo. Minha vida não tem sentido apenas humano, é muito maior - é tão maior que, em relação ao humano, não tem sentido. Da organização geral que era maior que eu, eu só havia até então percebido os fragmentos. Mas agora, eu era muito menos que humana - e só realizaria o meu destino especificamente humano se me entregasse, como estava me entregando, ao que já não era eu, ao que já é inumano. E entregando-me com a confiança de pertencer ao desconhecido. Pois só posso rezar ao que não conheço. E só posso amar à evidência desconhecida das coisas, e só me posso agregar ao que desconheço. Só esta é que é uma entrega real.

Clarice Lispector, in 'A Paixão Segundo G.H'