Brasil e adversidades #CopaDasCopas

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Algumas premissas importantes:
1. Sou nacionalista;
2. Não sei nada de futebol;
3. Estou 10x mais interessada na Copa do que eu achava que ia estar.

Não conhecia o jogador Neymar. Logo nos primeiros jogos, ficou claro que a seleção Brasileira era dependente dele e corria um risco a qualquer momento na Copa. Fiquei preocupada com isso na estreia, pois não tinha ciência que o time estava voltado para milagres individuais e sabia que a qualquer hora (em especial nas quartas, semi e principalmente final) tentariam quebrar o Neymar. Ao longo desses jogos, ocorreram várias entradas, quedas e lesões (inclusive Neymar sentindo a perna) e aposto que muitas outras poderiam acontecer, então não dá para ficar “chorando o leite derramado”. Futebol, esporte e demais atividades que colocam o corpo humano além do limite pressupõem risco e o do Brasil era enorme – pois nenhum adversário nas finais iria deixar um time de 1 livre para jogar. Jamais ganharíamos a Copa assim e hoje isso é um fato.

Mas o bonito nessa Copa foi ver como cada seleção se esforçou para jogar com garra e mostrar o seu melhor – e por isso temos a #CopaDasCopas. Um jogo mais surpreendente do que o outro para impressionar até pessoas alienadas do futebol como eu. Esse é o primeiro aspecto que mais gostei; em segundo lugar, é maravilhoso mostrar aos próprios brasileiros e ao mundo que, depois de tanto mimimi, somos sim um país capaz de sediar uma Copa incrível e repleta de emoções.

O futebol, no Brasil, possui um significado que vai além: é um jogo de todos (do #yellowblocks ao verdadeiro futebol de rua) que tem o poder de transformar vidas. É uma ferramenta concreta que pode quebrar a barreira da desigualdade social por meio de talento e muitos esforços, mesmo que essa concretização seja um sonho na proporção de um em um milhão. Não sei se em algum outro país isso é tão forte quanto é aqui – e talvez isso seja ainda pouco valorizado. Acredito que esporte/música/dança, como atividade extracurricular, é um elemento tão importante na formação de uma criança quanto a sala de aula – ainda mais quando criar uma nova realidade para jovens é uma necessidade. É algo que move e faz as pessoas almejarem por mais nas suas vidas.

A Copa, por sua vez, é um evento que une. Não apenas Nações (e o Brasil teve exemplos lindos de como é bonito unir cidadãos do mundo em torno de diversidade e solidariedade), mas o nosso povo. No exato instante do jogo, todos se reúnem em prol de um mesmo contexto (mesmo aqueles que não gostam e preferem dormir na hora do jogo sabem que conscientemente estão perdendo algo). Gosto de chamar isso de ímpeto coletivo – conheci isso na Haia, vila holandesa, durante um belo e único domingo de sol em que t-o-d-a-s as pessoas tiveram apenas um pensamento em voga: ir para praia. É fora de série. E no âmbito da Copa, adoro pensar que todos compartilham aflições, expectativas e alegrias muito similares naquele breve (ou longo, como os cinco minutos de prorrogação das quartas de finais) espaço do jogo. Não seria impressionante se conseguíssemos canalizar isso para outros nobres propósitos? Aprender o que é coletividade?

A copa e o futebol representam esperança. E é por isso que o novo lema do hexa (que antes era um por todos) agora deve ser todos por um (clichê, mas se aplica tão bem ao caso). Esse “um” não é Neymar e sim um todo brasileiro que precisa de motivações para seguir em frente. Conquistar a taça, de algo que possui uma grande força social, em nosso próprio país é... (veremos no dia 13/07).

Como bons brasileiros, que motivação melhor do que uma adversidade para nos forçar a dar um jeito? É por essa razão que acredito na vitória do Brasil e que ainda estamos para ver o melhor que a seleção pode nos mostrar. Provavelmente assistirei ao jogo de terça-feira sozinha, porque não quero ninguém do meu lado que não acredite nisso também.

E se o Brasil ganha da Alemanha na semifinal (como foi tão lindo em 2002), pronto, a Copa é nossa. Mas quis escrever esse texto antes de terça, pois isso não interfere nos princípios que expus acima e sempre vou lutar para que o Brasil seja um país de superação. Penso que todos nós, brasileiros, deveríamos nos perguntar não o que o Brasil pode fazer por mim, mas o que eu posso fazer pelo Brasil? É assim que eu espero que cada jogador jogue em prol de uma coletividade.

ps1. Assisti a entrevista do Felipão no Jornal Nacional que o perguntava sobre o desempenho dos demais atacantes e ele respondeu especificamente sobre o Fred, dizendo que até ele é um bom jogador por poder dar suporte ao time como um todo. Ok então!!! #fé
ps2. Minha promessa de não reclamar mais do Júlio César depois dos pênaltis se mantém.
ps3. Felipão falou em finais e depois se corrigiu, disse final. Terceiro lugar não me importa. Quero é uma final Brasil x Holanda!!! (porque Argentina vai ser fácil demais!)