Fragmentos

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Vivemos fragmentos de realidade. Do local onde vivemos, das pessoas que conhecemos, do mundo que nos limitamos a descobrir. Existem vários universos ao nosso redor - e cada pessoa é uma complexidade (e um paradoxo) a parte. Ao mesmo tempo, não nos damos conta da dimensão das nossas próprias aspirações e vamos levando - vidas cubistas. E quando queremos sair dos nossos quadrados?

Certas partes são inexplicáveis. Nem tudo precisa ser entendido, afinal, "there are more things in heaven and earth, Horatio, than are dreamt of in your philosophy". E às vezes só fazemos de conta que entendemos para acalentar nosso coração.

A busca pelo sentido é o que move a humanidade. A inquietude. O inconformismo. Pedaços da realidade que não conseguimos juntar. Como uma música que, enquanto treinamos, não conseguimos ouvir o todo. Tempo ao tempo. Continuamos sem entender, mas...

Tempo vai, tempo vem, a música começa a tomar forma e quando mal percebemos o conjunto de sons se torna uma obra musical de verdade. Fragmentos incompreensíveis se unem em uma história, se conseguimos olhar de fora. É tão bom se dar conta que esses fragmentos, antes desconexos, até parecem fazer sentido. A sensação de olhar a luz no horizonte - e ver trilhas do passado preenchendo um caminho. É aquele alívio de que a busca não foi em vão.

Mas alguns quebra-cabeças nunca vão se completar; outros nunca poderiam ser completados; talvez alguns sejam até tridimensionais, ao passo que sem certas peças não se sustentam. Mas a graça está em correr atrás dessa peça misteriosa, sonhando com a completude, não?

Escrevi esse texto ontem de madrugada e hoje assisti um filme argentino incrível, chamado Medianeras. Perfeito para descrever um pouquinho disso e o acaso de certas peças aparecerem nas nossas vidas.