Mar

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Hoje sonhei de novo com o mar. Fazia tempo que não tinha sonhos desse tipo. E é sempre em Manguinhos. Sonhei com uma praia, no amanhecer, em que pairava essa sensação de solitude + voidness, o que foi muito curioso. Sentia isso tocando na areia, olhando para o mar e esperando as ondas/tsunami por vir. E com tranquilidade. Quando o mar finalmente começou a se agitar, meu sonho terminou com a frase "é hora".

Girls

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Via de regra, não gosto de Girls. Dos atores meio mais ou menos, da caracterização tão realista que quase denigre, do típico drama feminino egocêntrico. Mas (e aí que vem a graça da vida), se você insiste em algo mais ou menos existem duas possibilidades: (i) você se acostuma; (ii) você eventualmente se surpreende. Escrevo hoje apenas para dizer que finalmente achei um episódio de Girls decente: criativo, dinâmico em vinte minutos (esse é o melhor atributo da série) e real sem forçar a barra - conseguindo até ser verdadeiro e autentico. No final das contas, gosto de Girls porque fico impressionada como a HBO se permite fazer uma série tão intencionalmente despretensiosa - é assim que eu caracterizaria Girls, a vida como ela é (o que às vezes até me espanta - se o mundo feminino está tão difícil assim mesmo). Só para constar, assisto esporadicamente Girls, mas até tive uma frequência mais fiel com essa última temporada já que achei que melhorou um pouquinho. Em todo caso, a HBO tem um voto de confiança comigo desde Rome (uma das melhores séries que já assisti), até aos altos e baixos de In Therapy e Game of Thrones. Mais recentemente, estou hipnotizada por True Detective. Não assisto outras boas produções da HBO e afins porque não é possível ver/ler/conhecer tudo na vida; tenho que utilizar critérios seletivos, cada coisa de cada vez.

obs. Isso faz parte da minha lista de guilty pleasures - acho que deveria ter uma tag no blog disso :P (e meu deus, Revenge recebe uma nota maior no IMDb, vou começar a repensar esse critério de avaliação).

Dare to dream

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Le seul fait de rêver est déjà très important,
Je vous souhaite des rêves à n’en plus finir,
Et l’envie furieuse d’en réaliser quelques- uns,
Je vous souhaite d’aimer ce qu’il faut aimer,
Je vous souhaite d’oublier ce qu’il faut oublier,
Je vous souhaite des chants d’oiseaux au réveil,
Je vous souhaite des rires d’enfants,
Je vous souhaite des silences,
Je vous souhaite de résister à l’enlisement,
À l’indifférence, aux vertus négatives de notre époque.
Je vous souhaite surtout d’être vous.

Jacques Brel

Sigh no more

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Much ado about nothing

Sigh no more, ladies, sigh no more,
Men were deceivers ever;
One foot in sea, and one on shore,
To one thing constant never.
Then sigh not so,
But let them go,
And be you blith and bonny,
Converting all your sounds of woe
Into Hey nonny, nonny.

William Shakespeare

Her - a Spike Jonze Love Story

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Her, um filme que verdadeiramente mereceu a estatueta do Oscar 2014 por melhor roteiro original. Um filme sobre relacionamentos - ou seja, sobre distintos universos que tentam se "sincronizar". Love story? Sem dúvidas. Final feliz? Depende da perspectiva. Nem todas as histórias de amor foram feitas para darem certo - e temos que aceitar os limites disso, ainda que as pessoas se amem.

I've never loved anyone the way I loved you.
Samantha: Me too. Now we know how.

Tenho plena certeza que essa foi a frase mais linda de todo o filme. Love stories (ainda mais aquelas de amores impossíveis) são sempre únicas e possuem um aspecto singelo: do momento que você se apaixona por um universo inteiramente diferente, você jamais poderá amá-lo da mesma maneira, utilizando os moldes anteriores. Logo, essa primeira frase é significativa, mas óbvia: Cada amor é peculiar. Acontece que muitas vezes não nos damos conta disso - achamos que podemos sobrepor a personalidade do outro com as nossas próprias expectativas ou que iremos encontrar amores substitutos ou compensatórios. O que realmente importa nesse último diálogo com a Samantha - e concede sentido ao filme todo, como uma grande coesão - é justamente o "now we know how", demonstrando como os dois ultrapassaram medos, traumas, dúvidas e inquietudes; encontrando, assim, novos paradigmas de amor que não imaginavam. O processo de se permitir sentir isso é complexo e, por vezes, complicado: o filme demonstra exatamente isso. O curioso que a complicação no filme não é nem o conceito amor/sistema operacional e sim a inteiração sensível de amar alguém.


I am yours
and I am not yours
The heart is not like a box that gets filled up; it expands in size the more you love. I'm different from you. This doesn't make me love you any less. It actually makes me love even more.

Segundo aspecto interessante do filme: o amor é pluridimensional. Não é plano, não é mesquinho, não é possessivo, não é uma relação entre dois amores unilaterais e sim de algo maior. Tão grande que abrange o âmbito do poliamor, amando de forma singela cada amor peculiar e crescendo com isso. É claro que isso não é tão simples quanto podemos expressar em palavras (e sinceramente nem sei se isso funciona, se de fato somos "preparados" para conceber e lidar com o amor assim, ex1. mulheres possuem um gene ciumento; ex2. você mal consegue se dedicar a um relacionamento, vai conseguir se dedicar genuinamente para dois ou mais?). Mas o filme propõe uma reflexão pertinente. Vale também a crítica sobre a polisingularidade.

Samantha: The past is just a story we tell ourselves.

O terceiro aspecto que gostaria de abordar é de como o passado nos marca - mas é justamente a construção (e reconstrução) de interpretações de fatos que já se foram. Saber se libertar disso é um grande desafio; e se pudéssemos reviver o passado, jamais seguiríamos em frente. Ficaríamos presos em loopings eternos com nossas mentes, tentando mudar erros (e criando novos) ou tentando melhorar pequenos detalhes (nunca se sabe o nível de preciosismo de uma pessoa com suas próprias memórias). Em love stories fadadas ao insucesso, então... a decepção parece ser tão grande - e a forte dedicação ao relacionamento anterior, como o filme mostra - que pensamos que jamais poderemos amar novamente. De fato, parte dessa frase está correta: acredito que jamais poderemos amar - igual - novamente. E tudo que é único não volta: simplesmente temos que aprender a viver com isso; e almejar por novos momentos únicos, não? O filme constrói essa transição, que é tão bem feita, a ponto de poder dar um "closure" a história anterior. Toda conclusão se faz necessária na vida:

Dear Catherine, I've been sitting here thinking about all the things I wanted to apologize to you for. All the pain we caused each other. Everything I put on you. Everything I needed you to be or needed you to say. I'm sorry for that. I'll always love you 'cause we grew up together and you helped make me who I am. I just wanted you to know there will be a piece of you in me always, and I'm grateful for that. Whatever someone you become, and wherever you are in the world, I'm sending you love. You're my friend to the end. Love, Theodore.

Nessa parte, eu chorei. Por tão verdadeira que é.

Nós apenas imaginamos a Samantha - claro, na sedutora voz da Johanson - e vemos como ela se desenvolve de um mecanismo stalker (e prestativo, não deixemos de mencionar isso: quem não quer um OS para corrigir artigos e sistematizar informações?!?! Onde um google particular e evoluído?!) para uma mulher pensante ( = tenham medo dos milhares de pensamentos que passam na cabeça de uma mulher processados em alta velocidade) até um ser transcendente ao código 011010001010, que se autocompreende como elemento pós matéria no universo. Impressionante, não? Uma escapatória ao desequilíbrio dessa evolução seria se o software se desligasse e só se desenvolvesse enquanto estivesse conectado com a pessoa, mas isso seria o ápice da possessividade + egoísmo, não? Não teria graça - e é por isso que os universos em um relacionamento precisam se desenvolver por si só, descobrindo novas experiências e vivendo de forma independente. Nem por isso exclui a complementariedade que cada um traz ao outro; e como os OS serviram perfeitamente como um elemento terapêutico a todos: a expressividade da linguagem, a troca de pensamentos e a partilha de emoções é a conexão mais real que podemos criar. Os OS permitiam isso e re-equilibravam as pessoas em suas vidas, por mais que cada um andasse na rua falando sozinho com seus OS agora (não está muito distante do mundo fictício de selfies e a importância do "celular" em detrimento do contato pessoal). Mas só eu acho irônico o fato dele "comprar" um software que a princípio funciona tal qual como ele as cartas que ele escreve conforme o que os outros gostariam de ler?

Samantha: You know, I can feel the fear that you carry around and I wish there was... something I could do to help you let go of it because if you could, I don't think you'd feel so alone anymore.
Theodore: You're beautiful.
Samantha: Thank you Theodore.

A parte triste, inevitavelmente, é o formato de relacionamento à distância, com a dor imensurável do "gostaria de estar aí e te abraçar". Mas de alguma maneira, as duas pessoas não precisam se sentir sozinhas.

Tudo em seu tempo - e o filme mostra como os instantes são preciosos! Reaprender a valorizar tudo que está ao nosso redor; apreciar as menores e subestimadas coisas; "reconectar".


O filme mostra a perda. Mas também mostra o encontro; a completude; a solitude; a liberdade - culminando no que há de mais lindo: o amor livre.

Nuevos panoramas en el Derecho Internacional: El fallo de la Haya - Perú x Chile

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En 2008, Perú pidió que la Corte Internacional de Justicia (CIJ) se manifestase acerca de la frontera marítima con Chile que no había sido formalmente delimitada. Es notable que la CIJ históricamente juzgue los contextos de fronteras e interpretación de tratados, en especial cuando Chile, a su vez, defendía que esta cuestión ya estaba establecida por un acuerdo de 1952. Así se constituye uno de los mayores conflictos territoriales en América Latina, que fue recientemente aclarado por el fallo de la Haya.

Fuente: BBC Mundo, 27 de enero de 2014.

En primer lugar, es importante notar que el Derecho Internacional se presenta en constante cambio, mientras muchos compromisos son firmados para alcanzar su desarrollo. Sin embargo, no todas las normas internacionales son capaces de expresar la complejidad de las circunstancias que las forman y consecuentemente construyen trampas de la voluntad estatal. De esta manera, en estos casos en que los países están sometidos a jurisdicción de la CIJ, una de las funciones de esta es dilucidar cual es la real posición de los países frente a estos tratados.

En la presente situación, la Corte vislumbró tres aspectos investigativos: (i) si hay algún acuerdo con relación específicamente sobre la frontera marítima; (ii) si la Declaración de Santiago, de 1952, demarcaba un entendimiento común de la frontera marítima; (iii) si existen acuerdos más recientes sobre la materia que pueden ofrecer el aclaramiento del asunto. Por lo tanto, el ámbito central es sobre la existencia de una delimitación de la frontera marítima entre Perú y Chile y, en caso positivo, como se conforma – en su naturaleza y extensión.

En segundo lugar, es relevante decir que ésta no es la única región en disputa en Latinoamérica. Existen más de 8 litigios desde a la época colonial, como por ejemplo Colombia - Nicaragua, Colombia - Venezuela, Venezuela - Guyana, Bolivia - Chile, Argentina - Reino Unido, El Salvador - Honduras, Costa Rica – Nicaragua. El caso de Bolivia, también en demanda ante la Corte de la Haya, está envuelto en el mismo ámbito de obtener acceso soberano al Océano Pacífico desde que perdió su salida al mar en una guerra con Chile en 1879. Así, el continente latinoamericano conoce muchas disconformidades en la consolidación de su delimitación territorial.

La controversia entre Perú y Chile se remontaría a los años 80, cuando el Ministro de Relaciones Exteriores del Perú, Allan Wagner, expresó formalmente su posición en torno a la necesidad de suscribir un tratado de delimitación definitiva sus espacios marinos. Pero el problema empezó, en verdad, con la transferencia territorial de la Guerra do Pacifico y la ausencia de especificación de la frontera marítima en el Tratado de Ancón en 1883 y en Tratado de Lima en 1929. Cuando intentaron poner el primer hito para demarcar la línea limítrofe, no fue posible situarlo en las coordenadas según el punto de La Concordia, sino 260 metros tierra adentro para que no fuera destruido por la marea. En 1947, establecieran una zona exclusiva de 200 millas de las costas marítimas. ¿Pero donde es reconocido este límite?

La gran cuestión es que Chile ratificó la Convención sobre el Derecho del Mar en 1997 y depositó ante las Naciones Unidas sus mapas náuticos donde indicaba el paralelo 18º21’00” como frontera marítima entre los dos países, entretanto Perú formalizó su indignación en que no reconocía la línea del paralelo como límite marítimo entre los dos países (18º21'08'', según Perú). En 2005, el Congreso del Perú aprobó una ley sobre determinación de las líneas de base de dominio marítimo y en enero de 2008 iniciaron el "caso concerniente a la delimitación marítima entre la República del Perú y la República de Chile" en la CIJ*.

Una concepción interesante es que, independiente del fallo, este caso fue propuesto de forma que Perú no tenía o que perder, considerando que cien por ciento del área en disputa está ocupada por Chile. Todavía, la Corte estableció que la referencia para la frontera marítima no es el punto Concordia, como reclamaba Perú. En suma, la principal demanda peruana reclamaba que el límite marítimo entre los dos Estados no es el paralelo que cruza el punto donde termina la frontera terrestre entre Chile y Perú, sino una línea equidistante tomada desde la frontera. Esta diferencia crea una zona de disputa de 38.000 kilómetros cuadrados, rica en recursos marinos.

Según Chile, la frontera actual fue determinada por la declaración de 1952 y un convenio de 1954, firmados por ambos países y Ecuador. Perú, por su parte, desconoce los tratados. “No existe un acuerdo de delimitación marítima entre Perú y Chile”, aseguró el presidente peruano, Ollanta Humala.


Así, es necesario entender el análisis crítico de los jueces que formó la decisión. El principal argumento es que una frontera internacional no puede ser fácilmente presumida. En respuesta a los aspectos investigativos presentados anteriormente, la Corte estudia las circunstancias provisionales de las décadas de 50 y 60, no reconociendo el Tratado de 1947 como una delimitación marítima. Pero la Declaración de Santiago en 1952 es considerada como un Tratado Internacional, reiterando que la norma internacional de política marítima entre los países es la soberanía y jurisdicción exclusiva de 200 millas de las costas, siendo una práctica estatal entre los dos países que era de común acuerdo para la exploración del área. La Corte es muy clara en decir que eso no establecía una frontera marítima lateral desde el paralelo de latitud al océano pacífico. Es observado también los cuerdos de 1954, que no ofrecen indicaciones extras en relación a naturaleza de la frontera marítima.

Para definir la cuestión, la CIJ analiza los desarrollos de la ley del mar a los años 50 y las evidencias de la actividad pesquera, en que la mayoría de los pescadores chilenos trabajan antes de las 80 millas. Por lo tanto, fue determinado en la decisión que las primeras 80 millas deben seguir la línea paralela determinada pelo paralelo (hito 1), de acurdo con la actual frontera chilena y en el resto, hasta 200 millas, hay una línea equidistante. Entonces, el fallo de la Haya intentó ser equilibrado y justo. Además, el documento oficial no estableció coordenadas geográficas precisas, pues los países no solicitaron eso en sus sumisiones finales y espera que ambos sean capaces de determinar esas coordenadas a luz del fallo ante la buena vecindad.

En conclusión, Perú y Chile están comprometidos a respetar la sentencia que es inapelable, aunque haya aspectos abiertos en especial acerca de la “costa seca”. El 6 de febrero de 2014, los cancilleres y ministros de Defensa de Perú y Chile se reunieron en Santiago para analizar el fallo de la Haya.

*Equipo jurídica peruana encabezada por el jurista francés, Allain Pellet, y la defensa chilena por Alberto Van Klaveren, embajador de Chile ante la Unión Europea; El equipe jurídico externo fue coordenado por el abogado australiano James Crawford.