Homenagem ao Rio Doce

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Ou uma história que meus netos não vão acreditar que vivi!

Beauty reveals itself when you are not expecting it. Exactly one year ago, I experienced one of the most overwhelming moments of my life. Back in Brazil, I had the privileged to live in a region full of wonders and I decided to spend a day in a small village called Regência – ES: it is a very humble community, where streets are unpaved and houses are plain; where the river meets the sea. This is an environment-protected area and I wanted to attend the birth of a rare species of turtles. By the end of the day, the turtles left their nest and it was an impressive event. I felt honored to see this spectacle of life and I did not want to leave the beach. I thought I had seen all the surprises that the world could offer me in one day, but this was just the beginning. This place echoed peace: a desert beach, blue skies, the salty breeze and the calm rhythm of the waves. Suddenly, I started to hear the sound of different birds and I knew that I should keep walking the coast. My boyfriend followed me until we saw a band of birds arriving. I was stunned! I had never seen so many birds together at once – an unheralded event. My boyfriend suggested, then, that we stopped right there to appreciate this moment. Hundreds of birds were profiting of a sandbank next to the beach: a collective gathering for food and sun. The skies turned multicolored and I started to feel hypnotized towards that gold sandbank; although we were very comfortable under an improvised tent of coconut leaves, the sea seemed so inviting and I could not resist - I had to swim in that direction. It was the first time that I felt such an impulse; I could not explain, I just warned my boyfriend: “I’m going to swim until I arrive in that sandbank! If you don’t wanna go, you can stay there and watch me!” he replied, “Are you sure? I don’t see the point, we didn’t even bring a towel, let’s observe the sunset from here” I said, “I have never been so sure – the water is so nice and warm!” - my point of view always is “why not?”. For some reason, he noticed that the sea was getting more agitated, while everything seemed easy for me – a strong will took control over me and I would not be satisfied until I accomplished that goal. Nevertheless, I am not a swimmer. In the past, I feared swimming in the sea. Hence, it was quite different to experience this urge beyond risks. Few minutes later, I was astonished that my boyfriend changed his mind and entered into the water too. Then, I felt very confident - I was even swimming backstroke, but I started to realize that the sandbank was not as close as I first imagined. As further we went, further it seemed to get. I thought, “nothing is wrong, he is a great swimmer and we know what we are doing” until the moment that he grabbed me and said, “crawl harder”. The sea current was strong enough to carry me and we could not easily reach the sandbank; what it was supposed to be a ten-minute swim became a never-ending journey, aiming a place that seemed to be “running away” from us.  It was a point of no return; turning back was not a possibility – we would not give up and it would be more dangerous to change the track in the middle of the sea. The only option was to keep swimming the fastest we could. Finally, we managed to arrive at our destination – on time to see a marvelous pink sky sunset and… a “pororoca”. Pororoca is an indigenous word to describe the encounter of waters – the river and the sea becoming one. I was paralyzed - the force of nature was awe-inspiring. The birds stopped flying and were singing by our side in the sandbank. I could not believe my eyes, in fact, I only know what I felt it. It was overpowering to comprehend that we were swimming when the rhythm of the sea changed completely; it was peculiar to watch one of the greatest nature’s phenomenon standing on the sea.  I was a part of this transcendent beauty, in startling admiration. For one eternal instant, I felt completely integrated with nature. I felt that I was part of something bigger and incredible. As the wind intertwined with my long and salty hair, I have never felt so beautiful or fulfilled in my life. I wanted to shout my inner happiness and gratitude to the world. I wish I could stay there forever! However, this was half of the quest. In fact, whilst stunned with such magnificence, I could also see that we were already in the middle of the ocean. My boyfriend precisely said, “we cannot stay here; we must run”. Run to the other side of the sandbank before the sand dissolved into the sea was our only chance to get back to the beach. As we were in open-water, far away from the shore, we needed to choose the shortest path to swim – and this included passing through the bird’s band and… the pororoca. I never felt such a rush of adrenaline in my body before, literally “run and swim for your life” to surpass this challenge. I would be dreadfully afraid if my boyfriend were not by myside. In that moment, we shared a bond of trust among the nature and ourselves. What was supposed to be a simple attempt to appreciate beauty, turned out to be an extreme adventure with unexpected emotions. Beneath the moon, that night, we were the sea. Navy-blue waves showed me that humans are too small to defy nature. This scenery happens at Rio Doce, tragically devastated by the biggest environmental disaster that Brazil has ever seen (Samarco’s Toxic mine mud) and I share this memory to honor how much beauty and life is now lost:

Desejos reprimidos

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Nessa semana ficou famosa a história do advogado que peticionou em versos e o juiz prolatou a sentença em prosa e poesia. Até parece que está faltando processo para essa galera, mas isso me faz pensar: o quanto o Direito suprime a arte em nós? Quantos potenciais artistas resolveram ser advogados ou juízes por estabilidade e conformismo? E quantos estão infelizes por aí agora?

ps. Esse post também poderia se chamar - Direito e Arte: É possível conciliá-los?
Diga-se de passagem que isso é uma linha de pesquisa consistente. Intersubjetividade, tendências hermenêuticas, enfim... e eu quase me matriculei em uma matéria chamada Droit et littérature!

Desejos europeus

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Criei uma pequena listinha "planos não tão impossíveis assim" para depois de um tempo verificar se de fato eles são impossíveis:

  • Me alimentar melhor

  • Me exercitar com afinco

  • Conseguir ter e seguir um "timetable"

  • Ter uma câmera profissional (não sei com que dinheiro, mas desejos são desejos)

  • Conseguir manter os 3 sites

  • Fazer vídeos e escrever constantemente

  • Me envolver em uma pesquisa de qualidade, com análise de dados e %

  • Responder emails e mensagens instantaneamente (ou não responder at all e não me sentir culpada por isso)

  • Transformar todos os papers acadêmicos que obrigatoriamente vou ter que escrever em produção científica

  • Me sentir confortável com o francês

  • Conseguir dar boas apresentações em inglês

  • Não vamos pedir muito mais do que isso, né! Se eu conseguir dar conta desses desejos, já vou ser muito feliz!

    Que reformas institucionais seriam necessárias para tornar o Brasil um país mais justo e progressista?

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    O Brasil carrega um sobrenome: país do futuro. Há anos, brasileiros nutrem a esperança dos dias de mudança, mas não se sentem parte desse processo de transformação. De tanto esperar passivamente, a esperança se converte em frustração. Desistem de acreditar e, por vezes, desistem do próprio país. O que seria necessário para concretizar esse ideal de futuro? Qual o país que queremos ter? E, principalmente, qual o Brasil que queremos ser?

    Em primeiro lugar, é necessário entender o Brasil como uma democracia em consolidação. Boaventura de Sousa Santos diz, em seus estudos sobre a democratização do Direito e da Justiça, que é preciso pensar para além do amanhã. É possível analisar diversos aspectos que necessitam de ser moldados em longo prazo para um país mais justo e progressista – seja no âmbito da reforma política, da reforma fiscal ou da infraestrutura; mas a chave está nas instituições que uma sociedade cria e como estas definem cenários futuros. Como desenvolver panoramas prósperos, então? E se não há compreensão do que é uma cidadania plena, como exercê-la?

    A resposta parece estar na educação. Não em uma educação simplesmente técnica, o que se traduziria em apenas qualificação. Almeja-se por uma educação cidadã, que conecte cada um com o seu propósito em sociedade. Oportunidades amplas e mobilizadas proporcionam um encontro com o “ser-político” dentro de si, onde é possível descobrir que as pequenas mudanças a serem realizadas são capazes de surtir efeito. Assim, cada um se torna parte de uma verdadeira engenharia social. Tal perspectiva se concretizará com o amadurecimento do sistema e, para tanto, três proposições reformistas podem ser suscitadas.

    A estrutura brasileira resguarda um modelo de privilégios. Quanto mais privilégios, menos direitos existem. Oitenta e oito por cento da população brasileira estuda no ensino público e está muito longe dos privilégios, quiçá dos direitos. É a raiz da desigualdade. Para atacar esse problema, faz-se necessário pensar equitativamente: promover base e oportunidade para todos; logo, será possível desenvolver uma verdadeira meritocracia.

    A primeira medida nesse âmbito seria a federalização do ensino básico – um sistema de educação equilibrado entre todos os tipos de classe e regiões do Brasil é essencial ao desenvolvimento paritário dos mesmos. Uma base curricular nacional torna-se imprescindível e as ferramentas de avaliação também incentivam um ciclo de aprimoramento do sistema.

    A segunda medida é conceber que a situação educacional hodierna exige mais do que verba – necessita de investimento de qualidade. É desenvolver boas práticas de educação. É acreditar em talentos. É fomentar um aprendizado holístico. Nesse contexto, o objetivo consiste em criar uma ponte frutífera entre o mundo da academia e a realidade mais ampla – do ensino básico ao doutorado. Conhecimento sendo aplicado e compartilhado; ciência revertida em inovação para a sociedade; pesquisa em contato com extensão em prol de benefícios a todos. Esse é o Brasil que eu quero ver e ajudar a construir.

    A terceira medida é a valorização da vida acadêmica, tanto na esfera docente, quanto na esfera da produção científica. Hoje, a academia é “res-publica”. Como coisa pública, é considerada coisa sem dono, enquanto deveria ser domínio de todos. Tal aspecto remonta a falta de consciência democrática, na qual a academia se torna um dado privilegiado. Sobretudo, o mundo acadêmico necessita de bons gestores. Dessa maneira, pontos de conexão com a iniciativa privada seriam positivos para transformar o mundo acadêmico.

    Por meio da educação, o cidadão brasileiro pode sair da 'cidadania em negativo' e materializar o projeto social de “futuro”. Uma sociedade ideal é aquela que internaliza os preceitos democráticos e produz um Direito voltado para o que há de mais importante: o outro. Cidadania, portanto, pode ser entendida de forma tridimensional - pessoa, sociedade e ser político. Em meio a esperanças perdidas, o brasileiro precisa saber lidar com as frustrações atuais e vislumbrar perspectivas positivas, criando condições de mudanças para um Brasil cada vez melhor no âmbito social-democrático. Os progressos são inegáveis, mas lentos. Um caminho próspero da cidadania garante a eficácia da democracia, que é resultado de um constante aperfeiçoamento.

    ps. Esse texto foi submetido ao Processo Seletivo de bolsas do Instituto Ling, escrito com um limite de tamanho. Existem mil e uma versões maiores e melhores. Vou ver se desenvolvo isso a parte! Gosto desse texto porque ele faz referência a vários outros da tag "política" aqui. Isso também me faz ficar super empolgada para os meus estudos na Sciences Po!

    Apenas mais uma metapostagem

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    Eu adoro escrever. De certa maneira eu trabalho com isso e esse blog foi responsável por me mostrar que é isso que eu gosto de fazer. Aliás, também descobrir que gosto de ("""criar/conceber""") sites e sem dúvidas o Pequena Infante foi o que me impulsionou nesse caminho. Então esse canal sempre será fonte de grande carinho para mim - e é o espaço que posso escrever mais livremente, mostrando um pouquinho do que penso, faço, aspiro, desejo para a vida... Não é um diário, mas olhando para trás - e lendo meus antigos textos - é como se fosse. Dá até aquela sensação boa de "ai meu deus, como pude escrever isso!". Se vocês lessem meu diário com 3-4 anos de idade, vocês iriam entender literalmente o que é isso!!! E foi assim que eu descobri que diário "demais" não funciona nesse mundo - sim, com cinco anos de idade. Aprendi que existem certas que só deveria guardar para mim, porque por mais que eu escondesse meu diário, não tinha jeito: do momento que eu escrevesse algo, sempre existiria a chance de alguém saber. Detalhe, olha a ingenuidade da criança: eu não trancava meu diário porque achava que meus pais respeitariam a minha privacidade mesmo se encontrassem meu diário!!! Que ideal lindo. Levo isso comigo para sempre :P

    Então desde essa idade comecei a ficar mais seletiva, até que... Certa vez, estava no ápice da minha autoconfiança. Eu tinha um fotolog (nem sei se isso existe mais!) e escrevia sem compromisso para quem quisesse ler - repita-se, no fotolog, basicamente só para fotos, eu queria escrever (e muito). Foi quando meu namorado, sempre sábio, observou que eu poderia explorar mais isso e canalizar isso para o local certo, afinal - o blogger. A princípio, o blogger era privado e eu ia escrevendo "como se fosse um diário"; resolvi tornar o blog público e eu continuei escrevendo tudo que eu bem pensava (principalmente porque achava que "quase ninguém" estava lendo). Num belo dia, minha faculdade inteira leu um texto polêmico sobre minhas considerações sobre o curso de RI - e eu pensava "e daí? é a verdade, o que tem demais?" - mas comecei a aprender que existem limites na maneira que gostaríamos de passar uma ideia também. Devemos sempre avaliar e reavaliar se escrevemos de forma polida e respeitosa, em primeiro lugar. Essa foi uma lição valiosa para mim. Acabei "reduzindo" o texto, 90% da faculdade me olhava torto, mas os outros 10% se tornaram grandes amigos (então essa foi uma ótima peneira!). E acreditem, tem gente até hoje (quatro anos depois) que me encontra e diz: "não é que aquilo que você havia escrito era verdade...? ao longo curso pude perceber que você tinha razão!" e eu sempre respondo com: "ah, é?" hahaha =) A repercussão mais curiosa desse texto foi a observação de uma professora. Ela me abordou e disse o seguinte (para o meu espanto!): "sabe aquele texto que você escreveu no seu blog? Pelo visto captou a atenção do pessoal por aqui... que tal se você escrevesse sobre assuntos mais substanciais, análises e etc, então?!". E isso "mudou a minha vida", haha, porque desde então tentei adicionar conteúdos diferentes no blog - hoje, em outros canais também - que não são apenas egocêntricos e que talvez possa passar algum conhecimento para alguém.

    Ok, não era sobre isso que eu planejava escrever aqui: mas é um ótimo exemplo da minha relação com o blog. Quando tiro um tempinho, que seja de madrugada, e me liberto para escrever, ah...! O ponto era o seguinte - ao passar do tempo, comecei a ficar mais crítica e seletiva com os meus próprios textos. Nunca acho que um tempinho é tempo o suficiente para escrever um texto da maneira que ele merece ser escrito e, desde então, meu blog reúne os mais diversos rascunhos. Ultimamente, nem tempinho para o blog eu tive - e vocês não imaginam como isso doi no meu coração, porque realmente gosto daqui - e me sinto um tanto... em dívida com o Pequena Infante, sempre. Em primeiro lugar, porque o Pequena Infante é majoritariamente fruto dos esforços do meu amor, que criou essa página, já fez várias reformulações, gasta horas do seu tempo fazendo tudo funcionar e... se eu não escrevo, pra quê? Isso foi o que me fez abrir o blogger hoje. Em segundo lugar, abri o blogger hoje também porque inverti os canais de comunicação: enquanto o Pequena Infante costumava ser o meu primeiro e único canal de diálogo aberto, hoje me preocupo com o que posto aqui - nunca se sabe quem vai ler - e minhas opiniões ficam mais simplificadas e diretas no twitter, por exemplo. Hoje, foi um dia animado no twitter (astronomia [venus + jupiter no céu] - ballet [miss copeland principal ABT] - política [pec da redução da maioridade penal, votação acirrada] - tv [liguei a tv para assistir a votação, mas acabei vendo profissão-repórter (!) mostrando a realidade patroa-empregada no Brasil]) e acabei me manifestando bastante (o que hoje em dia costuma ser até raro, exceto quando foi a copa das copas!!!). Acho que isso está relacionado com o fato de eu abrir uma página em branco no blogger e começar a escrever o que me vem a mente aqui.

    Na verdade, essa "introdução" toda é para falar, à título de metapostagem, que não esqueço dos meus posts aqui. E aí resolvi elencar os meus rascunhos para mostrar para vocês o que está "guardado" - se alguém tiver alguma ordem de prioridade ou urgência em querer ler um texto, haha, é só falar!!! Um dia sai!

  • Educação e cidadania (queria melhorar esse texto, mas vou ver se publico hoje do jeito que está, uhul!)



  • Raiva e criatividade



  • Humans of New York e outras histórias



  • Extremismo



  • Wer die Wahl hat, hat die Qual



  • Crise mundial da esquerda



  • Expectativas alheias



  • Melhores séries da atualidade (ai, deus!!! quanta coisa para falar!)



  • Paixão e visão (não sei mais o que queria dizer aqui, mas vou guardar a surpresa para mim mesma - em cada rascunho, geralmente coloco algumas palavras-chave doidas e depois eu tento fazer algum sentido disso, ou seja, é sempre divertido e o texto nunca sairia igual; às vezes penso que quanto mais demoro para escrever um rascunho, maior o potencial dele ficar um bom texto de verdade #doceilusao)



  • Tomada de decisão



  • Economia e política



  • Entardecer em Regência (ai, deus, como quero escrever sobre isso há tempos!!!)



  • Fermi Paradox



  • Automático?



  • Polarização (acho que a ideia aqui é próxima de extremismo, em épocas diferentes de discussão)



  • Chain of destiny (tenho certeza que esse era para ser um texto promissor, mas não faço ideia mais)



  • Meaning (duas vezes repetido em épocas diferentes nos meus rascunhos, isso quer dizer algo)



  • Análises de Black Mirror



  • Análises de Newsroom



  • Intento



  • Olhos que sorriem



  • Finitude



  • Figuras excêntricas (?)



  • Five Broken Cameras (é um filme)



  • Meaningful x trabalho: a pressão da infelicidade?



  • Vida de empreendedor



  • Lawyers know how to count two but not one



  • Meritocracia e desigualdade (opa, assunto forte)



  • Quanto mais tempo você tem, menos você faz (tô precisando exercitar isso)



  • Música - piano e flow



  • Gula de livros (sou uma piriguete literária, ai, deus!)



  • Ruit hora



  • Lucy (um filme que acho que só eu gostei e nem sei mais porque!)



  • O processo e o resultado



  • Equilibrista



  • Do não-arrependimento a negação



  • Plenitude x completude



  • Sobre trabalhar (ô texto velho, da época de uma rotina de estágio)



  • Não deixe que o curso de direito atrapalhe o seu curso (isso vai para o Formação Global, provavelmente)



  • Versailles é tipo Inhotim (hahahaha)



  • Tipicamente Holanda (relatos que vão estar em breve disponíveis no meu mais novo blog europeu, espero!)



  • Van Gogh



  • 100 anos de Peace Palace (meu deus, o Peace Palace já está bem mais velho!!!)



  • Swan Lake e tragédia



  • To the wonder




  • Quero escrever todos esses textos já. Agora. Para ontem!!!

    Mas tenho que dormir. E acordar e me exercitar. E trabalhar escrevendo. E escrever trabalhando. No final do dia, descobri que é difícil sobrar disposição para o blog =( Não tenho tempo nem mais para ler outros blogs (agora estou mais interessada em vídeos curtos no youtube: joutjout!) e me sinto culpada até em "passar tempo" no Pinterest, olha que pecado! Só consigo escrever de madrugada e olhe lá! Mas queria compartilhar todas essas ideias com vocês para saber se vocês me perdoam mais facilmente e para ver se eu comprometo em cumprir minhas promessas (leia-se: rascunhos!).

    ps. fui adicionar a tag "listas" a esse post e o que originou isso, no meio tempo, "morreu". Existe até uma tag separada "43things", que saudade! Esse blog é só amor para mim!

    Um caso sobre a maioridade penal

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    Na véspera da votação da PEC da redução da maioridade penal, só se falava nesse assunto. Nos jornais, grandes reportagens - e me deparo com minha mãe recortando alguns pedaços. Já comecei a ficar preocupada. Em seguida, ela me diz "ah, isso aqui é para um menino que está internado na minha enfermaria!". No que eu já iria dar um pulo e falar "mãe, como assim??", ela mostra o que estava recortando: um pequeno pedaço onde se divulga oportunidades no SENAC, vagas acessíveis para todos de cursos técnicos e profissionais. Que alívio no meu coração! E ela complementa: - É que ele está tão desanimado, gostaria de levar algo que desse esperanças". Ai falei "nossa mãe, ainda bem, porque se fosse o resto da página né..." Aí ela: - não! De maneira alguma, jamais, até porque... Contextualizando: esse paciente é um menor infrator que foi recorrentemente espancado por seus "colegas" e levou um grande golpe no local mais sensível, sua coluna (ele já tinha um sério problema prévio). Isso se desenvolveu em uma grande fratura, fez cirurgia, inflamou, piorou, e virou aqueles problemas complexos. Hoje, esse menino é acompanhado por dois policiais na enfermaria e tenho medo de retornar para onde estava (por fatores óbvios). E aí, José?

    Paradoxo do querer

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    Esse é mais um post curtinho e no impulso. Uma indagação que me deixa perplexa é que muito do que acreditamos está calcado no pilar do querer - ter. É o pensamento de que só podemos conseguir algo se quisermos muito, se acreditarmos o máximo possível e, consequentemente, fazermos o melhor para alcançar o que almejamos. Mas por vezes observo que certas coisas dão certo sem nem esperarmos muito daquilo - talvez justamente em razão das baixas expectativas. Mas aí qual é a proporção entre aqueles desesperados em querer algo x aqueles que conseguem "sem querer querendo"? Será que determinadas coisas aparecem mais fácil no caminho de alguém que despretensiosamente está por ali? E aqueles que, nesse caminho, estavam procurando, procurando, procurando e por vezes nunca acham? Não tenho resposta para esse paradoxo, mas gosto do contraponto.

    Boliche

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    De vez em sempre eu lembro que tenho um blog com vários rascunhos para publicar, mas nunca consigo ter tempo hábil para cuidar daqui (o que me dá uma dorzinha no coração!). Então, costumo postar no impulso e hoje quero contar o sonho que tive. Sou dessas de ter sonhos peculiares! O sonho dessa noite pegou um fato que já me ocorreu e mudou todo o desenvolvimento. Em Vitória, não há mais boliche e, mesmo se tivesse, dificilmente conseguiria juntar um grupo animado para sair e jogar. Então, quando estava em Brasília, fiz questão de ir no boliche com meus amigos (não que eu seja essa jogadora de boliche assim, mas só pelo fato de fazer algo diferente e se divertir com o pessoal). Meu sonho começou desse ponto: Brasília tem mais de um local para jogar boliche e aí, já que eu queria algo diferente, fomos em um lugar diferente mesmo. A grande diferença que percebi logo que cheguei: o boliche era temático por áreas e era como se fosse um grande labirinto de pistas. Nenhuma pista era reta. Não teria como mirar e acertar. Aí pensei "ok, se eu der sorte eu até posso conseguir um pista menos torta, né!". E lá vem a segunda surpresa: as pessoas do grupo são chamadas individualmente para espaços distintos, ou seja, cada um segue seu rumo. Na hora que fui chamada, fui para um canto totalmente afastado do centro - literalmente um cantinho, a ponta do labirinto (e eu não poderia nem conceber onde estariam os pinos que eu teria que acertar). Era quase como jogar de olhos fechados - você confiaria na intensidade e na maneira que jogaria a bola, depois saberia do resultado. Agora, a melhor parte: não existiam bolas redondas no jogo!!! Literalmente poderia vir qualquer coisa na sua ala, dos mais diversos formatos, para você jogar. Aparecem coisas estranhas especificamente para você e você tem de usá-las - é claro que pode escolher (sem saber direito) o que é mais ou menos sem noção para jogar primeiro. Uma bola moldada em um formato abstrato para sua mão, objetos geométricos que nunca tinha visto antes, várias coisas em diversas cores e formas. Em uma das minhas jogadas até apareceu um negócio que parecia um "tapa" - eu mandava um "tapa" até os pinos. Um jogo de pura emoção. Ao seu lado, tinha algum personagem temático tentando te incentivar (ou não). Eu, ansiosa, queria saber objetivamente o que estava acontecendo, onde estavam as outras pessoas, aonde isso ia dar... e é claro que não tive nenhuma dessas respostas, nem estava entendendo nada, mas continuei jogando. O sonho não me deu nenhum "closure".

    Acordei, li um texto, "don't think you've got it all figured out yet; our profession is wide enough to accommodate many dreams, and provide many forms of fulfillment; be prepared to learn that you do not know for certain what will make you happy every day that you wake up as a lawyer; your career in the law is not a track; a track gets you somewhere quicker, but it does so at the cost of reducing your range of motion, and the trade-off is not the way to lead your life; if you ever wish to get back on the track, it would be still there; but that in the meantime, going off-track would be the better way to discover the unexpected dreams" e lembrei claramente do sonho.

    Não sei, mas acho que meu sonho é uma boa metáfora para ilustrar isso e o momento que estou vivendo. Enquanto sonhava, sentia aquela sensação de estranheza, inquietude, incerteza e até mesmo curiosidade (para saber como os meus amigos estavam lidando com aquilo, se era diferente só para mim - uma garota da cidade pequena que não tem boliche - ou se todo mundo estava passando por situações inusitadas como eu). Acho que essas respostas nunca vamos ter. 

    Nem sempre nosso caminho é um pista de boliche ampla onde você vê suas metas lá no fim e basta acertá-las para tudo dar certo. Muito do que fazemos é porque confiamos em nós mesmos, contamos com a sorte e acreditamos. Um "leap of faith" para um futuro que você almeja que dê certo - e que temos de fazer dar certo - independente (ou mesmo com) as adversidades que aparecem no nosso caminho.

    O que a controvérsia do vestido diz sobre nós

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    Não vou nem colocar a imagem do vestido por aqui porque já basta de controvérsia. A pessoa que mais confio nesse mundo diz ter visto o vestido de outra cor e isso de fato (antes achava que era só buzz de pessoas querendo causar vendo outras cores, ou sendo daltônicas, ou sofrendo com telas de tonalidade desreguladas) questiona a objetividade "do que achamos que vemos". A controvérsia toda foi gerada por não aceitarmos (de maneira alguma, o vestido é azul, claro) estarmos errados. Que a minha certeza é melhor do que a sua. Que a minha visão de mundo é a única que há. Que a verdade não possui poréns ou outras perspectivas. Que a minha apreensão dos fatos só pode ser objetiva. Então, esse questionamento se propõe em dois planos: em como nos colocamos em relação ao outro; e em como podemos questionar ou aceitar contrariedades entre o que achamos que é ou não é para nós mesmos. É possível compreender (no sentido amplo de efetivamente vislumbrar e entender) um mundo que não seja pautado no nosso prisma individual? Se todas as nossas percepções (e querendo ou não, nossa formatação de mundo) são criadas na nossa pequena mente, como não sermos iludidos pelo nosso próprio juízo particular? Será que um dia podemos conceber, interagir e integrar a nossa individualidade como singular e ao mesmo tempo parte de uma coletividade?

    ps1. esse questionamento da coletividade está na minha cabeça desde que assisti Black Fish e contam que "It's becoming clear that dolphins and whales have a sense of self, a sense of social bonding that they've taken to another level - much stronger, much more complex than in other mammals, including humans. We look at mass strandings, the fact that they stand by each other. Everything about them is social - everything. It's been suggested that their whole sense of self is distributed among the individuals in their group".
    ps2. também demonstra a capacidade viral e banal da internet. E de como hoje podemos nos conectar em torno de um único tópico tão rapidamente e em rede sem precisar de emitir sons (alusão ao caso acima, haha). Quem sabe como vai ser nossa comunicação como um todo social daqui daqui 20 anos?!
    ps3. uma última e valiosa lição:

    Nymphea, natureza e vida

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    Gosto muito de flores no dia a dia, mas nunca me dediquei tanto a essa admiração quanto hoje. Passei boa parte do meu dia cuidando das minhas Nympheas de estimação e, quando descuidei por dois segundos, elas tentaram fazer da minha varanda um lago próprio (sim, duas vezes em um só dia). A Nymphaea nativa fora do lago tem um sério problema de adaptação e toda hora requer atenção - de dia ela se expande, desabrocha e sua flor fica de um tamanho espetacular; no fim do dia ela retrai, todos os botões começam a se parecer com tulipas até que eles se fecham. Sinto que ela gostaria de se espalhar na água, o caule começa a dobrar rumo à gravidade com o chão. Está sendo uma experiência (e parece que dura cerca de uma semana). É uma grande responsabilidade, em especial porque pulei de nível - cuidava apenas de florzinhas. Preciso de um lago para dar conta do recado e já vou planejar na minha casa dos sonhos um bom espelho d'água para apreciar as Nympheas como Monet fez no final de sua vida.


    Quero exercitar meu talento com a natureza, cuidar de novas plantas e aprender sobre jardinagem. Adoro o verde, amo botânica e sonho com um jardim repleto de orquídeas e flores exóticas. Aceito as comuns também, são todas lindas. =) O que mais sinto falta de viver numa casa é poder todo dia olhar para as flores como se não fossem nada demais. Hoje, toda flor que eu vejo é um privilégio e alegria do meu dia!

    O propósito deste post, na verdade, é dizer que estar em contato com a natureza me faz apreciar a vida sem igual. As Nympheas são conhecidas por ter um poder enteógeno, considerado como a "manifestação interior do divino". Para mim, nada mais belo e forte do que ver o ciclo diário dessa flor. Em 2014, terminei o ano tendo o contato mais impressionante com a natureza - ver essa revoada de perto foi uma emoção e tanto, que deixo para contar a aventura em um próximo post.


    Mais fotos do meu encanto com a flor no Google+!

    Ironias de aeroporto

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    Via de regra, planejo bem meus horários coordenados com voos, mas ultimamente sempre tenho algum compromisso ou reunião perto da hora que preciso estar no aeroporto. Então, se tenho certeza que vou conseguir embarcar (e faço o possível e o impossível para isso), já realizo o check-in antecipado, levo "apenas" bagagem de mão e me obrigo a chegar no aeroporto exatamente no horário de embarque. Contudo... recentemente, de tanta pressa, todos os meus voos têm atrasado! Não é irônico isso? Será que justamente no dia que eu ficar tranquila em relação ao horário + compromissos e ligeiramente me atrasar, meu voo vai estar pontual ou será adiantado?! :P
    Espero não dar essa chance para o acaso!

    ps. os voos aqui no Brasil geralmente já consideram no tempo de viagem pequenos atrasos extras no embarque/decolagem + parking.

    7 coisas que aprendi com Orange is the new black

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    Eu não ligava para Orange is the new black até eu assistir. Não tinha tempo, mas não importa, para Orange is the new black binge-watching é natural!


    Seguem abaixo sete críticas ao sistema carcerário em geral, baseado majoritariamente na experiência com Orange is the new black à luz do meu diploma em Direito, haha:

  • Falta de humanidade - do momento que você é "encarcerado", é como se a sociedade retirasse a sua qualidade de "ser humano", com histórias por trás dos erros e vícios; o sistema prisional apenas representa uma amostragem de pessoas que cometeram atos tipificados como crimes pela atual conjuntura jurídica (e talvez política também).



  • Julgamentos - existe uma série de preconceitos por julgamentos externos e até mesmo internos do que é "ser preso". Orange is the new black explora bastante bem esse aspecto, em especial sob a ótica da atriz principal que se sente em uma "vida paralela" mediante as novas circunstâncias - que vão a transformando.



  • Processos e procedimentos arbitrários - quem detém a autoridade, ainda que mínima, possui um poder enorme sob àqueles que não possuem autonomia alguma. Do momento que a dignidade do detento é desconsiderada, abusos facilmente podem ocorrer face à posição de vulnerabilidade. Ressalto a diferença entre processos e procedimentos, porque algumas condutas são reflexo desde o trâmite judicial, dosimetria da pena e as políticas do sistema carcerário.



  • Coordenação truncada - isso significa dizer que até a "boa intenção" por parte de quem trabalha no sistema carcerário pode ser limitada, deixando-os de mãos atadas; a burocracia, as questões orçamentárias, o superfaturamento de materiais, entre vários outros fatores, contribuem para a desmotivação e a falta de diretrizes bem coordenadas e organizadas para o bem-estar dos detentos.



  • Estrutura para "bois" - partindo do pressuposto (i), detento não seria gente - portanto, o encarceramento é concebido em "jaulas". Não preciso nem comentar sobre a improcedência - e a necessidade de mudança - dessa concepção. E não estou falando apenas no sentido estrutural, como agora se faz na implementação de um sistema capitalista de Parcerias Público-Privadas.



  • Falta de diálogo e apoio - detentos são pessoas que precisam de tanto suporte psicológico e contato humano como qualquer outro "não selecionado" pelo sistema. "Loucura não se cura?" - com base nessa mentalidade, adota-se um modelo de isolamento do detento com uma vida saudável que qualquer um precisa e tem direito. Ou o detento perde o direito de ter direitos?



  • Falta de reestruturação - os detentos precisam se adaptar a um novo "habitat", essa é a premissa de Orange is the new black. Em determinado episódio, explora-se o medo de uma detenta prestes a ser liberada; da pressão do mundo externo, da solidão, das privações, porque a cadeia já se tornou algo mais natural do que a realidade de fora. Não há uma transição adequada entre esses dois universos paralelos.


  • É preciso reconceber o sistema prisional. No conceito original, prisão seria a punição de "ver a vida passando" - a cadeia, no meio da cidade, permitiria os cidadãos passarem na frente e lembrarem quão precioso é o tempo, enquanto os detentos - através de um vidro fumê - veriam tudo que estavam perdendo. A vida continua e a reintegração seria a consciência de interagir dignamente com as pessoas que estão lá fora. Estamos bem distantes dessa idealização.

    We live for live

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    Assisti o documentário do David Beckham passeando pelo Brasil. Quando ele passou por Manaus, e começou a conhecer vilas menores - com cerca de vinte famílias de subsistência na mata - acho que ele questionou (construtivamente, acredito, já que a mensagem do documentário é o contato com uma "simple life") o modo de vida por lá. Em um inglês não muito rebuscado, a resposta do guia foi meramente "we live for live", para dizer que a vida por lá é boa com o que eles podem ter, sem supermercados ou shoppings ao redor, literalmente vivendo para viver. Nesse sentido, Beckham refletiu sobre a pressão de uma realidade urbana agitada que ele sempre teve - e que na verdade ele teve que ir até tão longe para se dar conta disso e poder ter tempo para pensar nessas coisas, no que ele quer seguir para os próximos anos. Independente da dimensão (se você é um grande jogador de futebol aposentado ou não), a vida contemporânea limita nossas concepções (ou nos traz ilusões) do que é uma boa vida, que muitas vezes pode ser "meaningless". Das pessoas que vivem mais para ter do que para ser, das pessoas que vivem pelo trabalho (ou que o trabalho é a vida delas), das pessoas que vivem por outras... Quantos de nós somos livres para dizer que vivemos por viver, apreciando a importância da vida ao nosso redor? Isso é quase um luxo; ou, na visão capitalista de ser, uma miséria - renunciando a "vida contemporânea como ela é". Esse modelo nos diz que sempre precisamos de algo a mais (não apenas no âmbito consumista, mas principalmente no psicológico) para viver bem, e assim entramos em um ciclo sem fim. Apenas quando privados desse "algo a mais" é que vemos que a subsistência funciona - que o ser humano na verdade necessita de pouquíssimo para (sobre)viver e que as pequenas coisas tem seu valor. Proporcionalmente, podemos ser muito mais felizes com muito menos. Para 2015, não quero nenhum conforto a mais do que eu não precise - e que me faça falta quando eu não puder ter. Porque "sem querer", vamos ficando dependentes de coisas que não são essenciais mas parecem elementares no nosso dia a dia. E em determinados momentos, sempre vale nos questionarmos: o que é essencial na sua vida?

    Veja outras curiosidades - ou funny facts - sobre o documentário aqui.