We live for live

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Assisti o documentário do David Beckham passeando pelo Brasil. Quando ele passou por Manaus, e começou a conhecer vilas menores - com cerca de vinte famílias de subsistência na mata - acho que ele questionou (construtivamente, acredito, já que a mensagem do documentário é o contato com uma "simple life") o modo de vida por lá. Em um inglês não muito rebuscado, a resposta do guia foi meramente "we live for live", para dizer que a vida por lá é boa com o que eles podem ter, sem supermercados ou shoppings ao redor, literalmente vivendo para viver. Nesse sentido, Beckham refletiu sobre a pressão de uma realidade urbana agitada que ele sempre teve - e que na verdade ele teve que ir até tão longe para se dar conta disso e poder ter tempo para pensar nessas coisas, no que ele quer seguir para os próximos anos. Independente da dimensão (se você é um grande jogador de futebol aposentado ou não), a vida contemporânea limita nossas concepções (ou nos traz ilusões) do que é uma boa vida, que muitas vezes pode ser "meaningless". Das pessoas que vivem mais para ter do que para ser, das pessoas que vivem pelo trabalho (ou que o trabalho é a vida delas), das pessoas que vivem por outras... Quantos de nós somos livres para dizer que vivemos por viver, apreciando a importância da vida ao nosso redor? Isso é quase um luxo; ou, na visão capitalista de ser, uma miséria - renunciando a "vida contemporânea como ela é". Esse modelo nos diz que sempre precisamos de algo a mais (não apenas no âmbito consumista, mas principalmente no psicológico) para viver bem, e assim entramos em um ciclo sem fim. Apenas quando privados desse "algo a mais" é que vemos que a subsistência funciona - que o ser humano na verdade necessita de pouquíssimo para (sobre)viver e que as pequenas coisas tem seu valor. Proporcionalmente, podemos ser muito mais felizes com muito menos. Para 2015, não quero nenhum conforto a mais do que eu não precise - e que me faça falta quando eu não puder ter. Porque "sem querer", vamos ficando dependentes de coisas que não são essenciais mas parecem elementares no nosso dia a dia. E em determinados momentos, sempre vale nos questionarmos: o que é essencial na sua vida?

Veja outras curiosidades - ou funny facts - sobre o documentário aqui.