O que a controvérsia do vestido diz sobre nós

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Não vou nem colocar a imagem do vestido por aqui porque já basta de controvérsia. A pessoa que mais confio nesse mundo diz ter visto o vestido de outra cor e isso de fato (antes achava que era só buzz de pessoas querendo causar vendo outras cores, ou sendo daltônicas, ou sofrendo com telas de tonalidade desreguladas) questiona a objetividade "do que achamos que vemos". A controvérsia toda foi gerada por não aceitarmos (de maneira alguma, o vestido é azul, claro) estarmos errados. Que a minha certeza é melhor do que a sua. Que a minha visão de mundo é a única que há. Que a verdade não possui poréns ou outras perspectivas. Que a minha apreensão dos fatos só pode ser objetiva. Então, esse questionamento se propõe em dois planos: em como nos colocamos em relação ao outro; e em como podemos questionar ou aceitar contrariedades entre o que achamos que é ou não é para nós mesmos. É possível compreender (no sentido amplo de efetivamente vislumbrar e entender) um mundo que não seja pautado no nosso prisma individual? Se todas as nossas percepções (e querendo ou não, nossa formatação de mundo) são criadas na nossa pequena mente, como não sermos iludidos pelo nosso próprio juízo particular? Será que um dia podemos conceber, interagir e integrar a nossa individualidade como singular e ao mesmo tempo parte de uma coletividade?

ps1. esse questionamento da coletividade está na minha cabeça desde que assisti Black Fish e contam que "It's becoming clear that dolphins and whales have a sense of self, a sense of social bonding that they've taken to another level - much stronger, much more complex than in other mammals, including humans. We look at mass strandings, the fact that they stand by each other. Everything about them is social - everything. It's been suggested that their whole sense of self is distributed among the individuals in their group".
ps2. também demonstra a capacidade viral e banal da internet. E de como hoje podemos nos conectar em torno de um único tópico tão rapidamente e em rede sem precisar de emitir sons (alusão ao caso acima, haha). Quem sabe como vai ser nossa comunicação como um todo social daqui daqui 20 anos?!
ps3. uma última e valiosa lição: