E o vento levou

+ Ver comentários

Nossa memória é curta e a nossa democracia é jovem. No auge de sua adolescência, vislumbra vários erros, possui vícios e reproduz os preconceitos dos pais - como todo jovem, não sabe qual caminho seguir. Tem voz, mas não sabe o que falar. Viveu pouco, mas acha que "já sabe de tudo". Anda sem rumo nem prumo, com más companhias, pegando atalhos e entrando em uns becos sem saída. Quais são os perigos que lá se encontram, ninguém sabe, mas também não estamos preocupados. Queremos resultados para ontem, mas não queremos trabalhar hoje. Futuro? Não é problema de agora. Entre amores e compromissos efêmeros, não sabemos do dia de amanhã. Buscamos benefícios sem sacrifícios. Queremos crescimento, mas não sedimentamos nossas raízes - bate o vento e tudo voa. Se a democracia vai encontrar a coragem para amadurecer, só o tempo irá dizer. A infância tem seus privilégios que muitos querem manter.