Um Brasil atemporal

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Das coisas que não mudamos nem temos coragem de mudar, a história sempre nos cobra. Das estruturas deixadas "em paz" do Brasil português. De uma política patriarcal e oligárquica. De uma economia de monopólio e exploração. De um país evangelizado à força para abraçar uma visão de mundo maniqueísta. De uma política que é feita "à luz divina". De um Brasil que sacrifica sua cultura para exaltar a alheia. De uma postura de integração que só reflete segregação. De traumas da ditadura que são melhor se esquecidos. De espaços públicos que não são de ninguém e portanto podem ser utilizados de qualquer maneira por "qualquer um". Do jeitinho brasileiro que sempre prefere o caminho mais fácil. Do rouba mas faz. Do voto de cabresto e campanhas que já começam maculadas. Dos problemas que a "família tradicional brasileira" esconde. Do nepotismo à "meritocracia". De um individualismo que espelha resignação e indiferença. De um Brasil que não conhece o seu potencial nem seu tamanho geográfico. De um Brasil que sempre faz sol e por isso não se preocupa com a chuva. Dos latifúndios e privilégios hereditários que não ousamos mover. Das mazelas de um sistema representativo que não se sustenta. Do consumidor que não é cidadão. Da informação que é dada e não estudada. De um Estado de Direito que possui uma bela Constituição que não é lida. Da lei que é recriada (para não dizer desobedecida, claro) todos os dias de acordo com um ponto de vista e um interesse dominante. De uma sociedade que não respeita uma mulher. Esses fantasmas não deixam de nos assombrar - e de nos assustar quando menos esperamos.