Palavras lugar comum

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Assistindo de longe o desmantelamento do Estado de Direito, faz tempo que eu gostaria de organizar as ideias para escrever aqui - tem um rascunho antigo intitulado "Caos e retrocesso", que seria bem apropriado para descrever os dias atuais. A verdade é que quando admitimos fraturas no sistema e não fazemos nada acerca disso, é como se estivéssemos descendo a ladeira abaixo perdendo o controle. Tem mais de dois anos que estamos nessa descida e todo dia aparece uma curva mais fechada. E o pior é que não dá para frear no meio de uma curva, deveríamos ter feito isso antes. No texto em rascunho, o tópico principal a ser desenvolvido seria a "Ilusão da democracia x Repúblicas de governo", mas já me sinto até desmotivada a tratar desses temas. O Espírito Santo em anomia, o Brasil sob o controle de um governo ilegítimo, um STF desconfigurado... (não vamos nem qualificar o Congresso e o Senado, né!!!)

Vamos falar da França então!!!


Gostei muito desse vídeo porque identificam o cerne de muitos problemas atuais da discussão de cunho político: utilizamos palavras lugar comum, porque o nosso vocabulário é visivelmente limitado, mas cada um atribui um sentido destinto para a palavra - seja ordem, sistema, etc. Ou seja, a comunicação não ocorre de maneira efetiva. Deveríamos criar um novo dicionário para agrupar o emprego dessas palavras?

Nessa semana a Marine Le Pen lançou a candidatura à Presidência e, se você assiste o vídeo de forma analítica, você compreende como o discurso dela faz sentido para uma parcela dos franceses. Dá medo, mas não podemos negar essa realidade. Foi a negação que deixou um Trump ascender politicamente e esse também é um risco (concreto) que corremos no Brasil. Infelizmente, a anomia capixaba não ajuda nesse cenário - parece que a discussão só fica mais e mais polarizada, entre quem vê o recurso à força como única saída (um discurso perfeito para o Bolsonaro se apropriar) e àqueles que estão mais inclinados a um niilismo institucional "pra quê, isso nunca funcionou mesmo, ordem pra quem". Me recuso a aceitar isso, apesar dos últimos anos terem me deixado muito cética (o que é super triste quando me recordo do idealismo que eu nutria desde os primeiros posts deste blog).

MAS uma das maiores alegrias de se estar na Sciences Po é ver política sendo levada a sério:


Serão tempos interessantes acompanhar as eleições presidenciais francesas por aqui.

PS. Lembrete para sempre sermos conscientes com o que escrevemos no âmbito acadêmico: Segundo Moraes, Moraes não pode ser ministro do STF. Segundo Temer, se um presidente sofre impeachment o vice também deveria automaticamente cair. Ainda bem que eu nunca comprei nenhum livro de Constitucional!!! Pra quê gastar dinheiro com isso se na prática a teoria é outra, não é mesmo?